quarta-feira, 22 de junho de 2016
segunda-feira, 20 de junho de 2016
21JUN - Roda de conversa: o que há por trás da escola sem partido?
Roda de conversa aberta ao público com os professores
Patrícia Santana (Rede Municipal BH), Rodrigo Ednilson (FaE/UFMG),
Ramuth Marinho (Rede Municipal BH), Pablo Lima (FaE/UFMG) e Alberto
Francisco Almeida Ramos (EE Olegário Maciel), mediada pelo professor
Heli Sabino (FaE/UFMG). O evento, realizado pelo Laboratório de Estudos e
Pesquisas em Ensino de História (LABEPEH) e pelo Núcleo de Estudos
sobre Trabalho e Educação (NETE), ocorrerá às 19hs no Auditório Luis
Pompeu. Entre outras questões, perguntamos: o que é o projeto "escola
sem partido"? Quais os partidos dos defensores da "escola sem partido"?
Como ensinar história ou qualquer outra disciplina em uma "escola sem
partido"?
PARTICIPE! https://www.facebook.com/events/1764676330443492/?notif_t=plan_user_invited¬if_id=1466424226605455
Confronto entre professores e policiais deixa ao menos seis mortos e 94 feridos no México
Segundo informações da agência France Press, os disparos ocorreram
quando cerca de 800 policiais federais e do estado tentavam liberar a
pista Oaxaca-México, bloqueada por professores da 22ª seção da CNTE
(Coordenadoria Nacional de Trabalhadores da Educação).
Professores, estudantes e apoiadores do movimento bloqueavam diversos
pontos do estado em protesto contra uma reforma educativa promovida
pelo presidente Peña Nieto em 2013 que contempla principalmente a
avaliação dos docentes.
A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e acusou os professores e simpatizantes de utilizarem armas de fogo.
Já os manifestantes, mobilizados há 35 dias, acusam os policiais de
repressão. Além disso, dizem que havia grupos infiltrados no protesto,
que abriram fogo durante o confronto, que durou duas horas.
Vários veículos foram queimados durante o conflito. Segundo a polícia, 25 pessoas foram presas.
Enfrentamentos também ocorreram em outras localidades com bloqueios
de estradas, como Hacienda Blanca e Juchitán de Zaragoza, onde um
jornalista e outra pessoa foram assassinados a tiros.
Jornalista assassinado
Também no domingo, o repórter Elidio Ramos Zárate, do jornal El
Sur, foi assassinado no em Oaxaca por homens desconhecidos enquanto
cobria os protestos de professores contra a reforma educacional.
O diretor-geral da publicação, Luciano Pacheco, disse à Efe que Ramos
foi assassinado no cruzamento viário de acesso ao município de Juchitán
de Zaragoza, na região do Istmo de Tehuantepec.
Durante o ataque contra o jornalista, de 44 anos, outra pessoa foi morta e uma ficou ferida.Zárate descansava em um banco quando dois sujeitos em uma motocicleta atiraram contra ele.Os feridos, muitos em estado grave, foram levados para a igreja de
Asunción Nochixtlán e, em seguida, transportados para vários hospitais.
Por Opera Mundi
Fonte: http://carosamigos.com.br/index.php/politica/7123-confronto-entre-professores-e-policiais-deixa-ao-menos-seis-mortos-e-94-feridos-no-mexico
quarta-feira, 15 de junho de 2016
O futuro da usurpação e as alternativas impensáveis: o trabalho do vento e a necessidade da tempestade
“A crise política rasga o véu da fantasia ideológica e mostra não algo que se desconhecia, mas aquilo que não se queria saber.”
Por Mauro Luis Iasi.
“Sento-me na praia e espero o vento”
Antes mesmo de completar um mês de usurpação, o usurpador tem
problemas. Sua ponte balança fortemente acossada pelos ventos de
denuncias e o futuro, logo ali do outro lado do abismo, parece uma visão
distante.
Um ministro atrás de outro vai caindo ou sendo envolvido em
escândalos, os que se mantêm ostentam uma ficha corrida de fazer inveja a
qualquer quadrilha e o próprio usurpador é condenado, tornado-se
inelegível por oito anos (dois dos quais espera passar no cargo maior de
mandatário da República).
O futuro da usurpação
Na sanha de afastar a presidente eleita, os conspiradores prometeram o
que não podem entregar: a estabilidade. Primeiro porque, ao contrario
de suas pretensões, a raiz da instabilidade é a crise econômica e o
remédio amargo dos “ajustes”, que o governo anterior já aplicava e o
usurpador impõe com mais profundidade, não indicam uma recuperação
milagrosa no curto prazo. As previsões já afastam a recuperação em 2017 e
projetam a volta de um crescimento pífio só para 2018. Em segundo
lugar, o bloco usurpador está longe de ser homogêneo. A mídia que tão
convictamente apoiou com boa vontade a aventura usurpadora tenta se
apresentar agora como surpresa com aquilo que sempre soube muito bem. O
judiciário divide-se, a operação Lava Jato continua a oferecer
denuncias, o Ministério Público continua indiciando e o STF continua se
fingindo de morto.
O preço da interrupção do mandato da presidente é pago com um custo
considerável. Liberação de recursos, nomeações, barganhas, acordo para
livrar Cunha da cassação, acenos ao obscurantismo de valores e o
fundamentalismo dos preconceitos, fechamento de ministérios para depois
reabri-los sem recursos. Ministros vaiados em público e um precário
reconhecimento internacional que se dilui numa consistente percepção da
ilegalidade do ato usurpador.
Estamos diante de um governo provisório ilegítimo e instável. Os
ex-governistas querem a volta da presidente, os aliados do usurpador
disputam entre si o protagonismo em uma nova fase de crescimento que
virá, os trabalhadores reagem, ainda desordenadamente, contra a
brutalidade do “ajuste”, e disso tudo resulta que a instabilidade é a
regra e nada indica que tal quadro se reverta no curto prazo.
O ajuste, no entanto, não espera a estabilidade política. Ao
contrario do que se apregoava, ele vai se implantando no próprio curso
da tempestade. Começou ainda no governo interrompido, seguiu por entre a
crise do afastamento da presidente e seguiu no governo usurpador
indiferente aos percalços políticos que o abalam. Enquanto a esfera
política decide quem governa, o capital exerce seu direito ao Estado e
impõe a direção necessária.
No entanto, isso tem consequências. É essencial ao jogo político
burguês que o governo de plantão assuma o ônus de uma crise para que a
oposição no interior da ordem se apresente como alternativa. Assim
alternam-se liberais e conservadores, democratas e republicanos,
socialdemocratas e democratas cristãos, tucanos e petistas. A atual
crise política, por uma espécie de irresponsabilidade daquilo que Sofia
Manzano denominou corretamente de “lumpem-parlamentares”, acabou por
queimar na fogueira dos interesses da pequena política a própria
aparência de respeitabilidade em que se sustentava a frágil fantasia
ideológica sob a qual se legitima o jogo político burguês.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
O PODER POPULAR (EDIÇÃO ESPECIAL)
Está no ar a edição ESPECIAL de O PODER POPULAR, um jornal a serviço
das lutas populares e da revolução socialista, editado pelo Partido
Comunista Brasileiro (PCB).
Acesse a íntegra: http://pcb.org.br/portal2/11320
quarta-feira, 8 de junho de 2016
A falácia da Escola Sem Partido (ou do pensamento único)
Para o projeto Escola Sem Partido, discutir feminismo e homofobia é doutrinação ideológica e imposição da ideologia de gênero nas escolas. Como reflexo da sociedade, as escolas são espaços marcados pela opressão às mulheres
e a discriminação sexual. Na maioria dos casos, as ações e as reações
são silenciadas e banalizadas. Será que é necessário ter a discussão nas
escolas? Creio que os dados e as informações a seguir nos mostrarão a
urgência da discussão na sociedade.
Segundo dados do Mapa da Violência 2015,
de Julio Jacobo Waiselfisz, entre 2003 e 2013, o número de vítimas do
sexo feminino mortas passou de 3.937 para 4.762, incremento de 21% na
década. Essas 4.762 mortes em 2013 representam 13 homicídios femininos
diários. Quando analisamos os casos de feminicídio, a população negra é
vítima prioritária no País. Sobre os tipos de violência contra a mulher,
em 2014, foram atendidas pelo Sistema Único de Saúde 23.630 casos de
violência sexual, a maioria envolvendo crianças e adolescentes.
Segundo informações presentes no estudo “Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil”,
de 2013, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(IPEA), a Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em 2006 para combater a
violência contra a mulher, não teve impacto no número de mortes por
esse tipo de agressão.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Professores e estudantes vão à luta contra o projeto de privatização da educação pública
A conjuntura recente demonstra que professores e estudantes estão
dispostos a manter acesa a chama em defesa da escola pública de
qualidade. Em São Paulo, no final de 2015, a política de fechamento de
escolas do governador Alckmin (PSDB), diante de uma imensa mobilização
estudantil, que ocupou mais de 190 escolas,
teve de recuar e adiar seus planos. Em Goiás, a intenção do governador
Marconi Perillo Jr. (PSDB) de terceirizar a gestão das escolas via
Organizações Sociais, atacando a remuneração e a titulação dos
profissionais, enfrentou uma categoria em greve, e dezenas de escolas
foram ocupadas por estudantes. Atualmente, no Rio de Janeiro, mais de 70
escolas estão ocupadas em apoio à greve de professores, contra o
desmonte da educação pública e a favor de uma forma democrática de
gestão das escolas, que leve em conta as necessidades das comunidades e
dos filhos da classe trabalhadora.
No Ceará, o governador Camilo (PT) segue a cartilha dos governadores
tucanos. Em seu governo tem sido promovida uma onda de demissões de
trabalhadores temporários (ao todo, 3,3 mil de servidores da educação),
desmantelamento das atividades de apoio pedagógico (laboratórios,
bibliotecas etc.), impedimento de acesso à formação continuada
(reduzindo a 2% a liberação de professores para a pós-graduação) e
negação do reajuste aos servidores estaduais. Em todos os espaços
possíveis, dentro e fora das instâncias sindicais, professores e
estudantes se mobilizam contra a aplicação do ajuste fiscal que corta
gastos nos serviços públicos para deslocar recursos ao pagamento de
juros da dívida pública.
Está em andamento no Brasil um projeto claro de privatização da
educação pública. Prefeituras e governos estaduais contratam serviços
educacionais, voltados à formação, ao treinamento de professores e à
produção de apostilas, junto a grupos empresariais que chegam a assumir a
gestão e orientação das políticas locais de educação, em detrimento dos
mecanismos de participação democrática e dos interesses da população.
Principalmente os municípios, responsáveis pela educação infantil e pelo
ensino fundamental, são vistos como possibilidades de ampliação de
mercado para os grandes grupos educacionais privados. A ideia de
qualidade vendida pelas empresas se baseia na padronização dos
currículos, o que facilita a venda do material instrucional, ignorando
as especificidades e diferenças existentes entre os grupos com os quais
os educadores trabalham. A venda deste material é casada com a formação e
qualificação para seu uso e de sistemas de avaliação das escolas e dos
estudantes, na lógica da meritocracia neoliberal. O que acaba ocorrendo é
a substituição da política pública educativa dos municípios pela
política educacional elaborada pelas empresas, cuja meta é o lucro.
Além desta realidade em curso, a educação pública pode sofrer ainda
mais ataques no governo de Michel Temer (PMDB). Uma das propostas do
programa “Uma Ponte para o Futuro” é a total privatização do ensino
médio. Numa espécie de Pro-Uni do ensino médio, são previstas parcerias
com escolas privadas na formação básica. Juntamente a isso, pode se dar o
aprofundamento da privatização do ensino superior, já amplamente
dominado pela iniciativa privada, atuante em mais de 80% das
universidades e faculdades no país.
As lutas dos trabalhadores da educação e as ocupações de escolas
pelos estudantes mostram o caminho da resistência a estes projetos. Toda
luta autônoma e organizada da classe trabalhadora e da juventude
pavimenta o caminho de construção do poder popular.
Íntegra da 11a edição de O Poder Popular: http://pcb.org.br/portal2/11019
sexta-feira, 13 de maio de 2016
UNIDADE CLASSISTA FILIA-SE À FSM – FEDERAÇÃO SINDICAL MUNDIAL!
Estimados companheiros,
Estimados irmãos e irmãs,
Estimados irmãos e irmãs,
Com muita alegria os informamos que o
Secretariado da FSM se reuniu e examinou sua solicitação de filiação e a
aprovou, baseando-se em seus princípios democráticos, na história e na
ação de sua Organização pelo benefício dos trabalhadores.
Estamos muito contentes de dá-los as
boas-vindas à grande família classista da Federação Sindical Mundial que
se estende pelos 5 continentes.
Segundo os estatutos da FSM, sua filiação à FSM estará registrada com a resolução da próxima reunião do Conselho Presidencial.
Felicitamos os companheiros por unir-se
às fileiras da FSM e juntar suas forças com as forças do movimento
sindical internacional classista, dando assim mais força, entusiasmo e
incentivo às lutas mundiais pelos interesses dos trabalhadores.
Com solidariedade e internacionalismo, nossas lutas comuns serão mais fortes e eficazes.
Mais uma vez, damos as boas-vindas às
fileiras da FSM e os convidamos a seguir a página web da FSM. Ali se
encontram as últimas notícias e informações das atividades e propostas
da FSM: http://www.wftucentral.org.
Saudações fraternas,
quarta-feira, 27 de abril de 2016
#TodoApoioaBrunoePablo
Dois
jovens professores da UFMG, Pablo Lima (FaE) e Bruno Bechara
(EEFFTO), estão sofrendo uma sistemática perseguição política
por parte da atual Diretoria da APUBH - Sindicato dos Professores das
Universidade Federais de Minas Gerais, Montes Claros e Ouro Branco.
Pablo e Bruno são militantes sociais auto organizados no Coletivo
de Professores da UFMG. São professores engajados na vida acadêmica
e política da Universidade, por uma questão de consciência
política, independentes de governos ou da máquina sindical.
Ambos foram expulsos pela
Direção deste Sindicato sob a acusação injuriosa de falta grave
dada a postura combativa e corajosa dos mesmos diante das
irregularidades na condução da Presidência da APUBH na Assembleia
Extraordinária realizada no dia 20 de Novembro de 2015, que, de
forma cômica e vexatória aos demais colegas docentes, permitiu que
pessoas que não eram filiadas ao sindicato, e nem sequer docentes da
UFMG, votassem, em flagrante desrespeito ao Estatuto.
A atual diretoria da
APUBH envergonha, dessa forma, toda a trajetória de lutas desta
entidade, que sempre defendeu os interesses de classe da categoria,
assim como a educação pública, gratuita e de qualidade. É uma
diretoria que tem verdadeiro horror à discussão política e ao
debate de ideias divergentes, e que abre suas assembleias a não
filiados. Nós queremos saudar aqui a presença dos não filiados nas
assembleias, mas não com direito a voto. Alguns desses não filiados
são filiados a outras entidades, e isso não existe em nenhum lugar
no mundo. Nenhum clube de futebol, nenhuma escola de samba, nenhuma
associação permite que não filiados tenham voto. É o mesmo que
alguém queira ser eleito síndico de um edifício e convidar os
condôminos do outro edifício para vir votar no seu edifício.
As nossas divergências
com essa diretoria são inconciliáveis, pois estão liquidando a
APUBH, transformando-a em um instrumento de amaciamento da luta de
classes, de apoio acéfalo a um governo que, em mais de uma década,
calou o movimento sindical brasileiro e o colocou debaixo de seu
braço, apesar dos heroicos exemplos de luta e independência
política de alguns setores do sindicalismo. Esta entidade foi
descaracterizada nessa última década pela política de conciliação,
pela política reformista e rasteira da maioria desta direção.
Companheiros,
eles chamam estes dois lutadores de agitadores, mas eles querem mudar
esse sindicato. Resistindo a caça às bruxas promovida pela
diretoria, eles querem mudar o sindicato pela base, para ele possa
voltar a ser uma entidade de luta em prol dos trabalhadores em
educação da UFMG.
Aos
docentes da UFMG, que viveram mais de uma década sob a hegemonia dos
governistas no sindicato, queremos fazer um apelo, um apelo de
consciência aos companheiros, aos professores e professoras da UFMG,
para que impeçam essa injustiça na próxima assembleia do
sindicato, a se realizar no dia 29 de Abril, próxima sexta-feira,
às 14hs no Auditório da Escola de Engenharia, Campus Pampulha (os
professores da UFMG que ainda não são sindicalizados podem se
filiar até o início da assembleia para participar com direito a
voto da mesma). Não podemos permitir tamanho abuso de poder e
postura antidemocrática na APUBH.
Pelo
respeito ao estatuto da APUBH e à liberdade de organização e
mobilização dos professores e contra o autoritarismo na condução
do Sindicato, contamos com todos e todas na Assembleia de 29/4! Não
existem acusações formais aos professores Pablo Lima e Bruno
Bechara, e o último recurso de Pablo e Bruno será objeto de
apreciação dos professores sindicalizados nesta Assembleia
Extraordinária. Recordemos Marx que afirmou na tese 2 (Teses
sobre Feuerbach) que “a questão de saber se é preciso
conceder ao pensamento humano uma verdade objetiva não é uma
questão de teoria, porém uma questão prática. É na prática que
o homem deve comprovar a verdade, isto é, a realidade efetiva e a
força, o caráter terrestre de seu pensamento.”
Daniel Oliveira
Licenciado em Letras
pela UFMG, professor da rede pública de educação básica (BH/MG) e
militante da Corrente Sindical Unidade Classista
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Pablo Lima |
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Bruno Bechara |
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Militante do PCB de São Paulo participa de audiência nos Estados Unidos para denunciar agressões da PM contra estudantes
No dia 7 de abril, três secundaristas do Comando das Escolas em Luta
de São Paulo, entre os quais, Fabiana Medrado, militante do Partido
Comunista Brasileiro, participaram da audiência pública da Comissão
Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em Washington, nos Estados Unidos,
para denunciar a violência da Policia Militar do Estado de São Paulo,
cometida durante as ocupações nas escolas e a repressão nos atos contra a
reorganização escolar promovida pelo governo Alckmin.
Na ocasião foi exibido um vídeo de cinco minutos produzido pelos
estudantes, com imagens das agressões físicas durante os protestos de
rua, depoimentos de alunos criminalizados e detidos arbitrariamente,
além do áudio de Fernando Pádula, na época chefe de gabinete da
Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, que afirma estar numa
guerra – fazendo referência as ocupações das escolas – e reforça o
enfrentamento contra os alunos. foram apontadas violações como uso
indiscriminado de armamento menos letal como spray de pimenta, balas de
borracha e bombas de gás lacrimogêneo, uso de armas de fogo,
desproporcionalidade do efetivo policial e ausência de identificação
desses agentes.
Em sua fala, Fabiana Medrado destacou que as manifestações realizadas
por crianças e adolescentes devem ser acompanhadas por órgãos
específicos, que garantem a proteção integral conforme previsto na CIDH e
Convenção sobre os Direitos da Criança. Além de não haver atuação da
polícia militar nas manifestações e qualquer tipo de monitoramento,
incluindo ronda escolar em qualquer unidade escolar e proibição de
registro por foto ou vídeo dos jovens para qualquer finalidade.
Emocionada Tereza Cristina Lopes, representante do Comitê de Mães e
Pais em Luta, leu a prisão arbitraria de seu filho que participou da
ocupação da escola Fernão Dias Paes. “Na delegacia, fomos humilhados e
não consegui registrar boletim de ocorrência contra o policial que
agrediu meu filho, porque ele deu queixa por desacato a autoridade,
sendo que meu filho foi preso apenas porque estava exercendo seu direito
de manifestação. Esta situação se repetiu com outros meninos sob ameaça
de prisão”, relata.
Tereza também contou que após a desocupação da última escola, seu
filho e amigos passaram a ser enquadrados pela polícia na rua. “Meu
filho já foi parado pela PM três vezes no mesmo dia. Nessas ações, os
policiais tiram fotos, anotam endereço e fazem ameaças. Segundo o
promotor, que eu conversei, existe um banco de dados desses garotos para
que sejam identificados por outros efetivos, criminalizados e presos
por delitos que não cometeram”, declarou.
A audiência foi marcada após a CIDH analisar o dossiê produzido por
um grupo de advogados, que estava acompanhando as ocupações e passou a
documentar as arbitrariedades praticadas pela PM, por meio de
depoimentos de alunos, mães e pais, imagens, vídeos, links das redes
sociais e mídia. O documento também foi apresentado no núcleo de
Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo.
A ação busca pressionar o Estado brasileiro a apresentar uma solução
para a conduta dos policiais e a violação dos direitos humanos. A viagem
foi custeada com o valor arrecadado no financiamento coletivo e os
jovens foram acompanhados por uma mãe do Comitê de Mães e Pais em Luta,
uma advogada e outra representante da ONG internacional Artigo 19.
Para Fabiana Medrado a audiência teve uma boa repercussão em
Washington e no Brasil. “Foi importante perceber que existe outra
instância para desafiar o Estado de São Paulo, ainda que dentro de uma
instituição burguesa, foi muito enriquecedor”, conta.
A jovem militante ainda sublinha a sua percepção sobre a viagem e a
luta. “Foi possível conhecer outras organizações de esquerda nos Estados
Unidos, como Mães de Maio, perceber os intercâmbios possíveis e tomar
consciência dos tensionamentos sociais e políticos que o capitalismo
provoca na juventude, juntos as comunidades negras e de mulheres. Embora
em cada país a luta ocorra de forma específica, dentro de suas
peculiaridades, faz parte do mesmo enfrentamento ao capital”, destaca.
A defesa do estado brasileiro
O procurador-geral do Estado de São Paulo, Elival da Silva Ramos
representou o governo de São Paulo e expôs o que seria a reorganização
escolar. A reação da PM foi justificada pelo fato dos alunos terem
ocupado equipamentos públicos. “Não se trata de se manifestar contra uma
política pública e sim de ocupar um prédio público e as consequências
foram as depredações das unidades escolares e interrupção do período
letivo afetando os alunos que não participaram do movimento”, disse.
Já nas manifestações, Ramos alegou que não ouve aviso antecedente dos
protestos para evitar o comprometimento do tráfego em vias importantes e
a polícia militar foi acionada para desobstruir as ruas. “Uma dessas é a
Avenida Paulista, onde ficam inúmeros hospitais no entorno, portanto
pessoas perdem o direito à vida em função de atos não avisados
previamente”, afirma.
A comissária de direitos humanos Margarette Macaulay rebateu as
justificativas do procurador. “Eles são crianças e estavam protestando, o
que eles tinham direito de fazer. Não teria sido melhor para o Estado
não ter enviado a polícia repressora? Quando a polícia está presente, há
violações de direitos humanos”, destacou.
A CIDH realizou uma série de questionamentos sobre a atuação da PM,
também será emitido um documento com recomendações ao governo
brasileiro. A comissão também pode iniciar uma investigação sobre o
caso, com processo na Corte Interamericana de Direitos Humanos na Costa
Rica.
Texto: Carol Nogueira
Crédito da foto: Daniel Cima
Foto: da esquerda para a direita: Fabiana Medrado (PCB) Taynah Hentringer e Igor Miranda, todos do Comando das Escolas em Luta na CIDH
Fonte: http://pcb.org.br/portal2/10913
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Só a luta dos trabalhadores pode construir uma alternativa à esquerda em nosso país

Representantes dos segmentos majoritários das classes dominantes no
parlamento, aliados a setores do judiciário e da mídia hegemônica,
impuseram a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma, num
processo repleto de manipulações, manobras, conchavos, negociatas e jogo
sujo em todas as áreas da
institucionalidade burguesa. O sinal verde para o impeachment aprovado
na Câmara dos Deputados é um acinte ao povo brasileiro, pois se trata de
uma medida comandada cinicamente por um delinquente político e apoiada
por mais de uma centena de deputados envolvidos em processos de
corrupção.
Mas esse também foi um processo pedagógico para os trabalhadores,
pois demonstrou claramente a natureza da democracia burguesa e o perfil
conservador do Congresso Nacional, composto majoritariamente pelo que há
de mais reacionário na sociedade brasileira, ou seja, os representantes
dos interesses dos banqueiros, latifundiários, empreiteiras,
oligopólios industriais e do grande comércio, que financiam suas
eleições. Eles não representam seus eleitores, mas seus financiadores.
Esse processo demonstrou, além disso, que as regras formais da
democracia burguesa só são respeitadas pelas classes dominantes enquanto
servem aos seus interesses. Em momentos de crise, a burguesia tira a
máscara e manipula essas regras sem a menor cerimônia, a favor dos seus
objetivos. Esta tem sido uma dura lição para os petistas e todos aqueles
que acreditam nas alianças com a direita, no “estado democrático de
direito” e nas concessões ao capital. De nada adiantou a vergonhosa
conciliação de classe que o PT praticou durante treze anos, pois quando o
governo passou a não interessar mais à burguesia – que tem pressa de
fazer as contrarreformas que o PT faz aos poucos – esta usou de todas as
suas artimanhas para descartá-lo do poder.
Tudo leva a crer que dificilmente o impeachment será revertido no
Senado, presidido por outro velho conhecido nos processos que tratam da
corrupção, em relação ao qual o PT ainda se ilude, considerando-o
aliado. Chamar de traidores aos que se lambuzaram com as benesses do seu
governo e agora abandonam o barco para se locupletar em outro é, sem
dúvida, a maior evidência da ilusão de classe. A maior parte da escória
que votou pelo impeachment neste domingo estava, há poucos dias, na base
de sustentação do governo. O mesmo poderá acontecer no Senado.
Mas é necessário lembrar que o vice-presidente, em vias de assumir o
lugar de Dilma, é também indiciado em processos por corrupção e
caracteriza-se por ser um político inescrupuloso e ardiloso, que o tempo
todo conspirou nas catacumbas da imoralidade política contra o próprio
governo do qual faz parte, sempre com a ambição de se tornar presidente,
mesmo sem votos. Caso o governo Temer se estabeleça, o movimento
sindical e operário, o movimento popular e a juventude não lhe devem
conceder um minuto de trégua, mobilizando-se para derrotá-lo a partir
das lutas nas ruas, nos locais de trabalho, de moradia e estudo, nas
ocupações urbanas e rurais.
Enfatizamos que por trás das manobras da burguesia para descartar o
PT estão interesses bastante concretos para acelerar e aprofundar a
pauta contra os trabalhadores que os governos petistas já vinham levando
a efeito, como a contrarreforma da previdência, a flexibilização dos
direitos trabalhistas, a entrega do pré-sal às multinacionais e as
privatizações. Sabemos que para implantar uma pauta dessa ordem, o
estado burguês tende a aumentar a criminalização e a repressão contra as
lutas populares, bastando aplicar a lei antiterrorista já em vigor,
proposta e sancionada pelo governo petista. Portanto, a luta de classes
se tornará mais acirrada. Em contrapartida, estarão reduzidas as
possibilidades de conciliação e ilusão de classes, o que poderá levar a
resistência dos trabalhadores e setores populares a um novo patamar,
colocando na ordem do dia a necessidade da construção do Poder Popular, rumo ao Socialismo.
O PCB conclama sua militância, simpatizantes e aliados a somar esforços pela realização de um Primeiro de Maio Unitário Classista
em todas as cidades onde for possível, para alcançarmos o máximo de
unidade na ação contra a ofensiva do capital. Essa unidade é um dos
primeiros passos na construção de um Bloco de Lutas de todas as forças anticapitalistas e condição para a realização, no primeiro semestre do próximo ano, de um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora e dos Movimentos Populares.
PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional – 20/04/2016
terça-feira, 19 de abril de 2016
Unidade Classista nas lutas dos trabalhadores
(Manifestação de servidores do Rio de Janeiro contra o corte de salários dos inativos)
A crise e a saída para a Classe Trabalhadora
O
cenário político e econômico é preocupante. Apesar de grave, a crise é também
uma oportunidade para a burguesia monopolista realizar contrarreformas que em
outros momentos seriam mais difíceis. O estado mínimo com serviços
privatizados, acordos sendo firmado diretamente entre patrões e empregados no
âmbito das empresas, retirada de direitos trabalhistas, entre outros, são sonhos de consumo do empresariado brasileiro
já anunciados para o próximo período, independentemente do resultado do
processo de impeachment.
Essas
medidas já vinham sendo colocadas pelo governo do PT. Vide a Contrarreforma da
Previdência, as Parcerias Público-Privadas, etc. Mas o patronato quer mais
rapidez, sendo essa uma das razões para o engajamento da FIESP no atual o
pedido de impeachment da Presidente Dilma.
O
apetite burguês não para por aí. Como existe muito capital acumulado nos cofres
do sistema financeiro, e dinheiro parado é prejuízo, a bola da vez é a
mercantilização dos serviços públicos. Nesse sentido, a precarização deliberada
da saúde e da educação, por exemplo, visa abrir as portas para as
privatizações.
A
ofensiva do capital sobre o trabalho se aproveita do caminho aberto por
sindicalistas conciliadores, que em troca de migalhas adotaram a defesa
incondicional do governo em prejuízo da luta autônoma dos trabalhadores.
Buscando proteger Dilma da turbulência oriunda da adoção de medidas
impopulares, foram aceitando acordos coletivos rebaixados e exaltando políticas
emergenciais-compensatórias como grandes conquistas para classe trabalhadora.
Com
essa política de amoldamento à ordem, os sindicalistas de parceria conflitiva,
como se autointitulam os burocratas sindicais, foram trocando ganhos reais por
participação em lucros e resultados (PLR). Em vez de colocar a classe em
movimento para defender seus direitos e conquistas históricas, capitularam à
lógica desavergonhada das demissões voluntárias, redução de salários, além da
perda de outras importantes cláusulas sociais obtidas em acordos anteriores,
através de muita luta.
Ainda
que a atual conjuntura seja adversa à classe trabalhadora em função da
trajetória de passividade estimulada pelo sindicalismo chapa branca e da
submissão inerente à conciliação governista, também surgem possibilidades de
contraofensiva para a militância classista dialogar com as bases de todas as
categorias profissionais, numa perspectiva de reorganização de resistência e
autodefesa de seus direitos a partir dos seus locais de trabalho e moradia.
Assim
sendo, a UNIDADE CLASSISTA propõe a
construção de um bloco de forças sindicais e populares que assumam a tarefa de
organizar a classe para coletivamente: exigir investimentos públicos em saúde,
educação, saneamento básico, moradias populares, mobilidade urbana; mais
empregos e melhores salários; enfrentar as demissões imotivadas; ocupar as
plantas das unidades de produção falidas e complexos habitacionais erguidos com
as reservas do FGTS para servir à especulação imobiliária, construindo espaços
de autonomia e exigindo a injeção de fundos orçamentários do Estado, cuja maior
fatia (73%) tem sua origem nos impostos pagos por quem ganha até 3
salários-mínimos.
Com
esta perspectiva a UNIDADE CLASSISTA
conclama as organizações classistas consequentes a se unirem na construção de
um 1º DE MAIO de massa, convocado
desde locais de trabalho e moradia para manifestações nas capitais dos estados,
dando uma demonstração da disposição da classe trabalhadora para enfrentar o
projeto de desmonte do estado e retirada de seus direitos.
Rumo ao Encontro da Classe
Trabalhadora - ENCLAT
Defender direitos e na luta ampliar
conquistas.
Ousar lutar pelo Poder Popular
terça-feira, 29 de março de 2016
BOLETIM NACIONAL DA UNIDADE CLASSISTA
Acesse o site nacional da Unidade Classista: http://csunidadeclassista.blogspot.com.br/
segunda-feira, 21 de março de 2016
Enfrentar a ofensiva do capital a partir das lutas dos trabalhadores
A
crise política e institucional brasileira vem se agravando de maneira
acelerada, com o aumento da fragilidade do governo e o deslocamento de
parcelas expressivas da burguesia para o campo do impeachment. Estamos
assistindo a uma disputa suja, própria do chamado estado democrático de direito,
onde o setor hegemônico da burguesia viola as regras e leis que ele
próprio instituiu, afrontando a Constituição e manipulando informações
para atingir seus interesses. A hipocrisia das classes dominantes
revela-se claramente no fato de o processo de impeachment ser comandado
por Eduardo Cunha, corrupto que já deveria estar na cadeia. Além disso,
mais de 100 parlamentares estão sendo investigados em função de graves
denúncias de corrupção, como Michel Temer, Aécio Neves, Renan Calheiros,
além de alguns governadores e outros políticos da ordem.
Os
setores que querem derrubar o governo são ainda mais conservadores e
buscam aplicar com rapidez o que o PT vem implementando de forma
gradual, para não contrariar parte de sua base social, formada por
sindicalistas e ativistas sociais. São as velhas oligarquias financeiras
ligadas ao capital internacional, os oligopólios industriais,
comerciais e de serviços, o agronegócio e todos aqueles que ganharam
rios de dinheiro com a política de conciliação de classes do governo
petista.
Diante
da crise econômica mundial e seus impactos no Brasil e da
impossibilidade de o PT continuar o apassivamento das massas, a
burguesia resolveu acabar com a terceirização e formar um governo “puro
sangue”. Essa constatação, no entanto, não nos leva a hipotecar
solidariedade a esse governo que, mesmo acossado pela direita,
sancionou, às vésperas das manifestações que chamou em sua própria
defesa, a Lei Antiterrorismo que, na prática, é semelhante à Lei de
Segurança Nacional dos tempos da ditadura e visa criminalizar e
perseguir os movimentos sociais.
A
articulação entre setores do judiciário, do parlamento, de empresários e
da mídia corporativa é uma grave ameaça às liberdades democráticas,
duramente conquistadas pelos trabalhadores, com destaque para a forma
incisiva e constante com que a rede Globo manipula as informações. Não é
a primeira vez que este monopólio se envolve em tramas sórdidas para
atender seus interesses e os daqueles que lhe financiam.
Lamentavelmente, ao longo de todo o ciclo petista esta organização foi
um das mais privilegiadas com verbas publicitárias do governo, que agora
reclama da forma como estão sendo veiculadas as informações, mas não
tomou nenhuma medida no sentido de restringir o poder dos oligopólios
midiáticos e promover a democratização dos meios de comunicação.
O
principal responsável por essa ofensiva da direita é o próprio Partido
dos Trabalhadores, que não só praticou nesse período uma política de
conciliação de classes, como desenvolveu a cooptação de lideranças
sindicais e de movimentos sociais e a despolitização das massas. O que
está acontecendo agora é resultado das opções políticas que o PT fez
nesses mais de 13 anos de governo. Vale lembrar que a burguesia possui
mecanismos suficientes para interferir na institucionalidade de acordo
com seus interesses. Portanto, o que está acontecendo, a rigor, não é um
golpe contra essa democracia, mas uma manobra da burguesia que não
precisa mais do PT para gerenciar o capitalismo. Desde o início, estamos
contra esse processo de impeachment porque entendemos que, seja qual
for o resultado, será contra os interesses dos trabalhadores.
Advertimos, no entanto, que as classes dominantes, diante do fato de que
os seus principais dirigentes políticos estão envolvidos com a
corrupção, aceleram o processo de impeachment para resolver rapidamente
esse problema político e, em seguida, abafar as outras denúncias contra
seus quadros.
Somos
visceralmente contra a corrupção e a promiscuidade que existe na
sociedade capitalista entre os interesses privados e públicos e
entendemos a indignação de amplos setores das massas com a corrupção que
se instalou, há muito tempo, em praticamente todas as esferas do
Estado. Mesmo levando em conta que a corrupção é da natureza do sistema
capitalista e que as forças conservadoras procuram por todos os meios
manipular a opinião pública em relação a este tema, exigimos que as
investigações sejam aprofundadas e que todos os envolvidos, sem exceção,
sejam punidos exemplarmente, independentemente da posição que ocupam no
governo, no Parlamento ou nas empresas.
Esse
governo, mesmo que escape do processo de impeachment, não vai mudar de
rumo. Ao contrário, está envolvido num círculo vicioso no qual, a cada
concessão que faz, a burguesia exige novas concessões. Se sobreviver,
seu destino é continuar implementando a política neoliberal. Qualquer
novo governo da burguesia poderá ser ainda mais prejudicial aos
trabalhadores. Em ambos os casos promoverão os ajustes e cortes de
direitos exigidos pelo capital; a diferença pode ser no tempo, na forma e
na intensidade.
Com
o acirramento da crise econômica, social e política, emerge um ciclo de
luta aberta entre capital e trabalho, processo que foi ofuscado e
apassivado pelos governos PT. Esse não é um momento para pessimismo,
perplexidade ou passividade. Os trabalhadores precisam confiar em sua
organização e mobilização para derrotar as forças reacionárias a serviço
do capitalismo.
Portanto,
esta é uma conjuntura especial em que um ciclo está se esgotando e
outro está nascendo. É o momento para se iniciar a reorganização de
todas as forças e partidos do campo socialista, do sindicalismo
classista, dos movimentos sociais da cidade e do campo e ambientais, dos
coletivos anticapitalistas e de todos aqueles que desejam e lutam por
uma sociedade justa e igualitária, constituindo um grande bloco de lutas
para enfrentar esta grave conjuntura. É preciso construir um programa
político de unificação dessas lutas, com a participação de todos, para
levar adiante a contraposição à ofensiva do capital e buscar uma
alternativa à esquerda para os trabalhadores, de forma a construir um
novo rumo para o País.
Comissão Política Nacional do PCB (21 de março de 2016)
Veja a Página do PCB – http://pcb.org.br/portal2/
quarta-feira, 16 de março de 2016
Nota da Unidade Classista distribuída na Assembleia do SindUTE/MG 16/03/2016
Em meio ao agravamento
da crise política, marcada pelo esgotamento do governo Dilma e a
degradação política e ideológica do Partido dos Trabalhadores
(PT) e seus satélites, foi deflagrada uma greve nacional da
educação, organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Educação (CNTE), com a seguinte pauta: pelo cumprimento da lei
do Piso; contra a terceirização; contra a entrega das escolas às
organizações sociais (OSs); contra o parcelamento de salários;
contra a militarização das escolas públicas e contra a
reorganização das escolas.
Não obstante a
“filiação partidária” da CNTE e do Sind-UTE/MG ao Partido dos
Trabalhadores (que cobra do governo petista de Fernando Pimentel o
cumprimento do acordo assinado em 2015), os trabalhadores da educação
mais uma vez levantam a bandeira do NÃO À PERDA DE DIREITOS NA
“PÁTRIA EDUCADORA”!
Graves são os ataques
impetrados pelos governos contra a educação pelo Brasil afora:
governos que não cumprem a lei do Piso, que iludem a sociedade com
alternativas falaciosas, como o caso de Goiás com a administração
escolar feitas pelas Organizações Sociais (Oss), que na verdade são
organizações privadas, a militarização de escolas (Goiás e
Amazonas), reorganização de escolas (leia-se fechamento) em São
Paulo, agressões físicas e psicológicas brutais contra professores
em greve como no Paraná, e o parcelamento de salários em Minas e no
Rio de Janeiro.
Em Minas Gerais, o
governo de Pimentel, que se elegeu em decorrência do desgaste dos
governos do PSDB, apresentou à ALMG, depois de várias reuniões com
o sindicato, uma proposta de abono salarial em substituição ao
subsídio. Pior, anunciou e propagandeou que está pagando o Piso (o
que não seria mais do que sua obrigação) em um acordo histórico
com os trabalhadores da educação. E assim, mais uma vez fomos
enganados.
O que se vê na
educação pública em MG é que os governos de PT, PSDB, PMDB, etc,
se colocam de forma completamente servil às exigências da classe
dominante, com profundos cortes nos programas sociais para garantir o
pagamento dos juros aos rentistas.
A Unidade Classista
considera que o momento é de concentrar esforços para a mobilização
e a organização da classe trabalhadora em luta por suas demandas e
para construirmos a unidade de ação das forças anticapitalistas,
como condições para o enfrentamento da ofensiva contra os
interesses do proletariado e dos setores populares.
http://csunidadeclassista.blogspot.com.br
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
SP: Alckmin fecha 2700 salas de aula
50 alunos ou mais por sala de aula, escolas caindo aos pedaços, baixa
remuneração e nenhuma perspectiva de melhoria. O desafio de ser
professor no estado de São Paulo é enorme e a gratificação é
praticamente nula. As péssimas condições de trabalho implicam em
problemas de saúde nos profissionais e, os alunos, engarrafados entre
três paredes e um quadro negro, assistem ao desmonte de sua formação.
Definitivamente, o ano letivo não começou bem para a educação. Isso
porque, ao voltar das férias, grande parte do corpo docente percebeu que
teria que encarar salas com mais de 50 alunos, muitas vezes até mais.
Para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São
Paulo (Apeoesp) o governo do PSDB liderado pelo governador Geraldo
Alckmin tem adotado uma prática de desmonte paulatino da educação ao
fechar salas das escolas estaduais com a justificativa que antes haviam
muitas salas vazias. Em alguns casos, as escolas teriam se recusado,
inclusive, a fazer o registro de solicitações de matrícula. Como se não
faltassem problemas, a Secretaria da Educação ainda deixou de repassar a
verba que deveria ter entregado no fim do ano passado para manutenção e
reforma das escolas.
Fechamento e superlotação
“Nós iniciamos o ano letivo assustados”, contou o professor de
história, Sílvio de Souza, que leciona na Escola Estadual Salim Farah
Maluf, na Zona Leste da capital. “Na escola em que eu trabalho tem
turmas do ensino regular, do fundamental 1, 2 e do ensino médio com
salas superlotadas. Os primeiros anos do ensino médio da escola onde eu
trabalho, à tarde, tem mais de 60 alunos. Tenho lista com 63 alunos, 62,
58... Quer dizer, eles pegam 180 alunos e dividem em 3 turmas.”
A superlotação das salas denunciada pelo professor não é arbitrária e
esse ano foi motivada pelo fechamento em massa de salas de aula. A
gravidade da situação ficou ainda mais patente quando, após diversas
denúncias de professores, um levantamento parcial realizado pelo
sindicato revelou que, entre 2014 e 2015, 3.000 salas foram fechadas
pela Secretaria da Educação. As regiões mais afetadas são Guarulhos,
onde 300 salas foram fechadas, e Santo Amaro, com 250 salas. Com isso,
os alunos acabam sendo agrupados nas salas restantes, o que resulta na
superlotação.
A prática de fechar turmas e lotar salas já era comum na Educação de
Jovens e Adultos (EJA) mas nunca fora aplicada em massa no ensino
regular. “Eu já trabalhei com turmas do EJA de anos anteriores que a
lista chegava a 90 alunos”, disse o professor. O que ocorria nos anos
interiores era o fechamento de 15 a 20 salas em cada 100 escolas. Agora,
apenas na diretoria de ensino Leste 3, que tem 77 escolas, houve mais
de 100 salas fechadas.
A determinação oficial da Secretaria é que no primeiro ciclo do
ensino fundamental haja 30 alunos por sala, no segundo ciclo, 35, e no
ensino médio, 40. No entanto, imagens das listas de alunos feitas pelos
professores tem comprovado que o que há na realidade são salas com 50,
70 e até 80 alunos.
Ensino prejudicado
No fim, a principal vítima da situação é o ensino, dado que, com a
quantidade de alunos em sala, é praticamente inviável que a aula ocorra.
“Como você consegue dar um atendimento individualizado, tirar uma
dúvida, conseguir estar mais presente com o aluno no cotidiano? É
impossível. A chamada é quase uma odisséia”, diz Silvio. Em muitos casos
os alunos nem conseguem entrar na sala, que com 40 alunos já esgotou
sua capacidade física. Por isso, segundo relatos de professores, a
primeira semana foi usada quase que exclusivamente para tentar fazer com
que todos os alunos coubessem nas salas designadas. Em algumas escolas,
os bancos do pátio foram levados para dentro para que os alunos
pudessem se sentar.
A consequência para os professores é ainda pior e pode levar a um
quadro de afastamento da profissão. Segundo Silvio, “é uma tortura.
Isso, inexoravelmente vai levar a um adoecimento maior dos professores.
Em um cotidiano de sobrecarga de trabalho você se estressa muito mais,
você tem que usar muito mais a voz, você tem uma quantidade de tarefas
maior, preparar atividades e corrigir trabalhos.”
Cortes
No fim do ano passado, a Secretaria de Educação enviou um ofício às
5.300 escolas do estado dizendo que, em função da necessidade de fechar
as contas, antes do fim do último mandato do governo de Geraldo Alckmin,
não seria repassada a verba destinada à compra de materiais de
escritório, limpeza e pequenas obras. Geralmente os colégios recebem,
anualmente, R$ 7.900,00. Com o corte, as escolas passaram a sofrer da
falta de materiais básicos como papel higiênico e sulfite.
O sindicato aponta como principal culpado pela situação precária nas
escolas o governo do PSDB no estado. Para a presidente da Apeoesp, Maria
Izabel Noronha, os gastos com a última eleição e a necessidade de
fechar as contas do governo estadual fizeram com que o governo enxugasse
a máquina. Tanto é que, assim que assumiu o novo mandato, o governador
tucano Geraldo Alckmin anunciou o corte de 10 mil vagas no ensino
técnico estadual, o que representa 50% de todas as vagas e o
contingenciamento de 3% do orçamento da pasta para educação, que
corresponde a cerca de R$ 850 milhões.
Mais do que isso, a presidente aponta que a própria ideologia do PSDB
faz com que se faça cortes no setor público: “Essa é a tônica do PSDB, a
lógica de estado deles é de estado mínimo. Aí qualquer probleminha que
aparece, onde eles vão mexer? Onde a população mais precisa, nos
serviços públicos, a educação, a saúde, a segurança. Eles não vão mexer
nas grandes obras. Isso vem desde 1995 quando pela primeira vez o
governador Mário Covas instituiu a reestruturação física das redes, a
título de dizer que com isso melhoraria a qualidade de ensino. E a
partir daí fomos assistindo esses 30 anos de tucanato no estado de São
Paulo com essa visão de gestão pública, fazendo com que amplos setores
da população paguem o preço.”
http://www.carosamigos.com.br/index.php/politica-2/4812-sp-alckmin-fecha-2700-salas-de-aula
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
'EUA, uma nação em declínio': maioria dos estudantes de escolas públicas vive na pobreza
Um novo estudo divulgado na sexta-feira mostra que mais da metade dos
estudantes matriculados nas escolas públicas americanas vive na
pobreza, um cálculo que o autor do relatório diz colocar os EUA no
caminho para o declínio social geral.
Publicado pela Fundação Educacional do Sul, a nova análise usou o
censo nacional mais recente disponível para confirmar que 51% dos
estudantes ao redor das escolas públicas da nação eram de baixa renda em
2013.
De acordo com o relatório:
Em 40 dos 50 estados, estudantes de baixa renda constituem não menos
que 40% de todas as crianças de escola pública. Em 21 estados, crianças
que ganhavam almoços gratuitos ou com preço reduzido eram a maioria dos
estudantes em 2013.
A maior parte dos estados com uma maioria de estudantes de baixa
renda é encontrada no Sul e no Oeste. 13 dos 21 estados com uma maioria
de estudantes de baixa renda em 2013 localizavam-se Sul, e 6 dos outros
21 estados no Oeste.
O Mississippi liderou a nação com a taxa mais alta: 71%, quase 3 em
cada 4 crianças de escola pública no Mississippi eram baixa renda. A
segunda taxa mais alta da nação foi encontrada no Novo México, onde 68%
de todos os estudantes de escola pública eram de baixa renda em 2013.
Em adição à documentação do número de estudantes que recebem alguma
forma de assistência do governo durante seu dia escolar, incluindo
programas chave que oferecem almoços gratuitos ou com preço reduzido, o
relatório deixa claro que a pobreza dentre os mais jovens da nação está
impactando diretamente e negativamente o aprendizado dos alunos e a
habilidade do sistema publico educacional de alcançar sua meta em
fornecer educação adequada para todos.
“Não podemos mais considerar os problemas e as necessidades dos
estudantes de baixa renda simplesmente como uma questão de justiça,” diz
o relatório. “Seus sucessos ou falhas nas escolas públicas vão
determinar o corpo inteiro do capital humano e do potencial educacional
que a nação possuirá no futuro. Sem aprimorar o apoio educacional que a
nação fornece aos seus estudantes de baixa renda - estudantes com as
maiores necessidades e usualmente o menor apoio - as tendências da
última década serão prolongadas para uma nação não em risco, mas uma
nação em declínio.”
Falando com o Washington Post, Michael A. Rebell da Campanha por
Igualdade Educacional na Faculdade de Professores na Universidade de
Columbia notou como a taxa de pobreza tem aumentado mesmo com alguns
indicadores econômicos tendo melhorado. “Nós sempre sabemos que esta é a
tendência, que chegaríamos a uma maioria, mas está aqui mais cedo do
que o esperado,” disse Rebell. “Muitas pessoas no topo estão se saindo
muito bem, mas as pessoas na base não estão se saindo bem mesmo. Essas
são as pessoas que têm mais filhos e que os mandam para as escolas
públicas.”
As descobertas mais recentes aparecem enquanto o Departamento de
Educação e os legisladores no Congresso começam um novo debate acerca da
reautorização do Ato da Educação Secundária e Elementar (ASEA), mais
conhecido pelas versões atualizadas ou programas apoiados por aquela lei
- Nenhuma Criança Deixada Para Trás (NCLB) sob o presidente George W.
Bush e o Corrida Para o Topo (RTTT) sob o presidente Obama.
Aqueles contrários ao programa, tanto democratas quanto republicanos,
por causa de seus testes padronizados buscando um alto rendimento,
estão esperando que a reautorização da ASEA seja sua próxima
oportunidade para apontar as falhas das solicitas codificadas em ambos
NCLB e RTTT.
Como Randi Weingarten, chefe da Federação Americana de Professores,
disse no inicio da semana passada em resposta a um discurso do
Secretário de Educação Arne Duncan: “Qualquer lei que não se refira aos
nossos maiores desafios - financiar desigualdade, segregação, os efeitos
da pobreza - irá falhar ao tentar transformar as nossas crianças e
escolas, que tanto necessitam.”
Ela continuou, “a política educacional federal atual - Nenhuma
Criança Deixada Para Trás, Corrida Para o Topo e desistências -
consagrou um foco no teste, não no aprendizado, especialmente testes com
alta participação e as consequências e sanções que surgem disso. Isso é
errado, e é por isso que existe uma chamada pela mudança. A estratégia
de abandono e a Corrida para o Topo exacerbaram a fixação por testes que
foi colocada pela NCLB, permitindo que as sanções e as consequências
ofuscassem todo o resto. [Baseado no discurso de Duncan], parece que o
secretário queira justificar e consagrar o status quo e isso é
preocupante.”
Em um artigo para a revista The Nation ano passado, os
experts em educação e pobreza Greg Kauffmann e Elaine Weiss descreveram
um corpo enorme de pesquisa que mostrou os vários fatores associados com
como a pobreza afeta o aprendizado, incluindo: a realização educacional
dos “familiares”; como os pais lêem, brincam e respondem às suas
crianças; a qualidade do cuidado e da educação antecipados; acesso
consistente à serviços de saúde mental e física e alimentos sadios.”
O que está faltando do debate amplo, de acordo com Kauffmann e Weis, é
a compreensão do “impacto da pobreza concentrada - e da segregação
econômica e racial - nas conquistas estudantis” e um contexto muito mais
amplo. “É hora de pararmos de ignorar [os impactos da pobreza e da
desigualdade educacionais],” eles escreveram. “As ultimas décadas viram a
polarização do crescimento de renda, com o 1% do topo colhendo a grande
maioria dos ganhos sociais, a classe média diminuindo, e os da base
perdendo o chão. Como resultado, a pobreza concentrada é mais potente e
relevante do que nunca.”
E de acordo com uma análise da SEF pela Education Week, as
taxas em crescimento de pobreza dentre os estudantes serão, e deveriam
ser, uma parte mais ampla do debate atual sobre políticas de educação:
As escolas têm sido confrontadas com os desafios da pobreza por anos,
mas cruzar o limiar da maioria certamente cria um ponto de conversação
poderoso em debates nos níveis local, estatal e federal sobre assuntos
que falam desde igualdade e responsabilidade a apoios estudantis.
“Essa pobreza aprofundada irá complicar as discussões políticas sobre
como educar os estudantes americanos, como pesquisas anteriores
mostraram, os estudante estão em risco acadêmico mais significativo em
escolas com 40% ou mais de concentração de pobreza,” escreveu a Education Week quando cobriu as tendências de crescimento da pobreza em 2013.
E, como a Rules for Engagement já reportou, famílias pobres estão
cada vez mais se mudando para os subúrbios e vivendo em áreas com altas
concentrações de pobreza, criando dimensões para o debate.
A nova maioria de estudantes de baixa renda é outra realidade para os educadores americanos.
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/-EUA-uma-nacao-em-declinio-maioria-dos-estudantes-de-escolas-publicas-vive-na-pobreza-/6/32685
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