Um novo estudo divulgado na sexta-feira mostra que mais da metade dos
estudantes matriculados nas escolas públicas americanas vive na
pobreza, um cálculo que o autor do relatório diz colocar os EUA no
caminho para o declínio social geral.
Publicado pela Fundação Educacional do Sul, a nova análise usou o
censo nacional mais recente disponível para confirmar que 51% dos
estudantes ao redor das escolas públicas da nação eram de baixa renda em
2013.
De acordo com o relatório:
Em 40 dos 50 estados, estudantes de baixa renda constituem não menos
que 40% de todas as crianças de escola pública. Em 21 estados, crianças
que ganhavam almoços gratuitos ou com preço reduzido eram a maioria dos
estudantes em 2013.
A maior parte dos estados com uma maioria de estudantes de baixa
renda é encontrada no Sul e no Oeste. 13 dos 21 estados com uma maioria
de estudantes de baixa renda em 2013 localizavam-se Sul, e 6 dos outros
21 estados no Oeste.
O Mississippi liderou a nação com a taxa mais alta: 71%, quase 3 em
cada 4 crianças de escola pública no Mississippi eram baixa renda. A
segunda taxa mais alta da nação foi encontrada no Novo México, onde 68%
de todos os estudantes de escola pública eram de baixa renda em 2013.
Em adição à documentação do número de estudantes que recebem alguma
forma de assistência do governo durante seu dia escolar, incluindo
programas chave que oferecem almoços gratuitos ou com preço reduzido, o
relatório deixa claro que a pobreza dentre os mais jovens da nação está
impactando diretamente e negativamente o aprendizado dos alunos e a
habilidade do sistema publico educacional de alcançar sua meta em
fornecer educação adequada para todos.
“Não podemos mais considerar os problemas e as necessidades dos
estudantes de baixa renda simplesmente como uma questão de justiça,” diz
o relatório. “Seus sucessos ou falhas nas escolas públicas vão
determinar o corpo inteiro do capital humano e do potencial educacional
que a nação possuirá no futuro. Sem aprimorar o apoio educacional que a
nação fornece aos seus estudantes de baixa renda - estudantes com as
maiores necessidades e usualmente o menor apoio - as tendências da
última década serão prolongadas para uma nação não em risco, mas uma
nação em declínio.”
Falando com o Washington Post, Michael A. Rebell da Campanha por
Igualdade Educacional na Faculdade de Professores na Universidade de
Columbia notou como a taxa de pobreza tem aumentado mesmo com alguns
indicadores econômicos tendo melhorado. “Nós sempre sabemos que esta é a
tendência, que chegaríamos a uma maioria, mas está aqui mais cedo do
que o esperado,” disse Rebell. “Muitas pessoas no topo estão se saindo
muito bem, mas as pessoas na base não estão se saindo bem mesmo. Essas
são as pessoas que têm mais filhos e que os mandam para as escolas
públicas.”
As descobertas mais recentes aparecem enquanto o Departamento de
Educação e os legisladores no Congresso começam um novo debate acerca da
reautorização do Ato da Educação Secundária e Elementar (ASEA), mais
conhecido pelas versões atualizadas ou programas apoiados por aquela lei
- Nenhuma Criança Deixada Para Trás (NCLB) sob o presidente George W.
Bush e o Corrida Para o Topo (RTTT) sob o presidente Obama.
Aqueles contrários ao programa, tanto democratas quanto republicanos,
por causa de seus testes padronizados buscando um alto rendimento,
estão esperando que a reautorização da ASEA seja sua próxima
oportunidade para apontar as falhas das solicitas codificadas em ambos
NCLB e RTTT.
Como Randi Weingarten, chefe da Federação Americana de Professores,
disse no inicio da semana passada em resposta a um discurso do
Secretário de Educação Arne Duncan: “Qualquer lei que não se refira aos
nossos maiores desafios - financiar desigualdade, segregação, os efeitos
da pobreza - irá falhar ao tentar transformar as nossas crianças e
escolas, que tanto necessitam.”
Ela continuou, “a política educacional federal atual - Nenhuma
Criança Deixada Para Trás, Corrida Para o Topo e desistências -
consagrou um foco no teste, não no aprendizado, especialmente testes com
alta participação e as consequências e sanções que surgem disso. Isso é
errado, e é por isso que existe uma chamada pela mudança. A estratégia
de abandono e a Corrida para o Topo exacerbaram a fixação por testes que
foi colocada pela NCLB, permitindo que as sanções e as consequências
ofuscassem todo o resto. [Baseado no discurso de Duncan], parece que o
secretário queira justificar e consagrar o status quo e isso é
preocupante.”
Em um artigo para a revista The Nation ano passado, os
experts em educação e pobreza Greg Kauffmann e Elaine Weiss descreveram
um corpo enorme de pesquisa que mostrou os vários fatores associados com
como a pobreza afeta o aprendizado, incluindo: a realização educacional
dos “familiares”; como os pais lêem, brincam e respondem às suas
crianças; a qualidade do cuidado e da educação antecipados; acesso
consistente à serviços de saúde mental e física e alimentos sadios.”
O que está faltando do debate amplo, de acordo com Kauffmann e Weis, é
a compreensão do “impacto da pobreza concentrada - e da segregação
econômica e racial - nas conquistas estudantis” e um contexto muito mais
amplo. “É hora de pararmos de ignorar [os impactos da pobreza e da
desigualdade educacionais],” eles escreveram. “As ultimas décadas viram a
polarização do crescimento de renda, com o 1% do topo colhendo a grande
maioria dos ganhos sociais, a classe média diminuindo, e os da base
perdendo o chão. Como resultado, a pobreza concentrada é mais potente e
relevante do que nunca.”
E de acordo com uma análise da SEF pela Education Week, as
taxas em crescimento de pobreza dentre os estudantes serão, e deveriam
ser, uma parte mais ampla do debate atual sobre políticas de educação:
As escolas têm sido confrontadas com os desafios da pobreza por anos,
mas cruzar o limiar da maioria certamente cria um ponto de conversação
poderoso em debates nos níveis local, estatal e federal sobre assuntos
que falam desde igualdade e responsabilidade a apoios estudantis.
“Essa pobreza aprofundada irá complicar as discussões políticas sobre
como educar os estudantes americanos, como pesquisas anteriores
mostraram, os estudante estão em risco acadêmico mais significativo em
escolas com 40% ou mais de concentração de pobreza,” escreveu a Education Week quando cobriu as tendências de crescimento da pobreza em 2013.
E, como a Rules for Engagement já reportou, famílias pobres estão
cada vez mais se mudando para os subúrbios e vivendo em áreas com altas
concentrações de pobreza, criando dimensões para o debate.
A nova maioria de estudantes de baixa renda é outra realidade para os educadores americanos.
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/-EUA-uma-nacao-em-declinio-maioria-dos-estudantes-de-escolas-publicas-vive-na-pobreza-/6/32685
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