quarta-feira, 10 de agosto de 2016
quarta-feira, 20 de julho de 2016
“Escola sem partido”, escola silenciada
Como surgiram projetos que ameaçam professores até com prisão. Por
que sua proposta, contrária a ideologias é primária, silenciadora de
opiniões divergentes e, no fundo… profundamente ideológica.
O artigo é de Cleomar Manhas, assessora do Inesc e doutora em educação pela PUC/SP, publicado por Outras Palavras, 05-07-2016.
Eis o artigo.
O que seria a tão falada, e pouco explicada “escola sem partido”?
Basicamente, trata-se de uma falsa dicotomia, pois não diz respeito à
não partidarização das escolas, mas sim à retirada do pensamento
crítico, da problematização e da possibilidade de se democratizar a
escola, esse espaço de partilhas e aprendizados ainda tão fechado, que
precisa de abertura e diálogo.
A pauta que precisamos debater é a da qualidade da educação, e não falácias ideológicas sobre a “não ideologização da escola”, algo que se vê até mesmo em alguns diálogos sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
O Plano Nacional de Educação foi aprovado há dois anos. Durante sua
tramitação, uma das polêmicas suscitadas foi acerca da promoção das
equidades de gênero, raça/etnia, regional, orientação sexual, que acabou
excluída do texto do projeto. Por consequência, isso influenciou a
tramitação dos planos estaduais e municipais, que também sucumbiram ao
lobby conservador e refutaram qualquer menção a gênero, por exemplo,
difundindo a falsa tese da aberração intitulada “ideologia de gênero”. Isso causou uma confusão deliberada entre uma categoria teórica e uma pretensa ideologia.
Marivete Gesser, do Laboratório de Psicologia Escolar e
Educacional da Universidade Federal de Santa Catarina, explica que
“gênero pode ser caracterizado como uma construção discursiva sobre
nascer com um corpo com genitália masculina ou feminina” e, por meio de
normas sobre masculinidade e feminilidade, vamos nos construindo como
sujeitos “generificados”. O preconceito vem dos discursos que
naturalizam os lugares sociais de homens e mulheres como únicas
representações, e segregam qualquer outra forma de manifestação. Além
disso, em pesquisa realizada por estudantes do ensino médio em Brasília,
feita no âmbito do projeto Educação de Qualidade(Inesc/Unicef), constatamos que uma das razões do abandono escolar é a discriminação relativa ao público LGBTI. Razões mais do que suficientes para discutirmos gênero nas escolas.
Qual a ligação entre esses dois temas, “escola sem partido” e “ideologia de gênero”,
em momentos tão distintos? O que parece ter diferentes motivações e
origens resulta dos mesmos elementos: os fundamentalismos conservadores
que tentam passar às pessoas suas ideologias e crenças. Afinal de
contas, não são apenas os pensamentos marxistas que são ideológicos,
como tentam fazer crer os defensores da “escola sem partido”. Sendo assim, o que significa ideologia então?
Um dos conceitos mais difundidos é o de Karl Marx em parceria com Friedrich Engels, na obra a Ideologia Alemã,
em que afirmam ser a ideologia uma consciência falsa da realidade,
importante para que determinada classe social exerça poder sobre a
outra, bem como a necessidade de a classe dominante fazer com que a
realidade seja vista a partir de seu enfoque.
O conceito, no entanto, sofreu inúmeras interpretações, como a de Lênin para
a ideologia socialista, como forma de definir o próprio marxismo.
Portanto, há ideologia nas diferentes formas de ver e conceber o mundo.
Não existe neutralidade. Quando defendem a “não ideologização”, em nome
dessa pretensa neutralidade, também estão impregnados de ideologia.
Os teóricos do projeto “escola sem partido” advogam a
neutralidade e se dizem não partidários. No entanto, suas intenções são
claras: a retroação dos avanços que tivemos nos últimos tempos,
especialmente com relação aosdireitos humanos. Por exemplo, quando dizem lutar contra a doutrinação, uma das situações apresentadas no site do movimento da “escola sem partido” é um seminário realizado pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados sobre direitos LGBTI e a política de educação. Eles citam esse caso como uma afronta ao artigo 12 daConvenção Americana sobre Direitos Humanos,
afirmando que pais e seus filhos têm que ter uma educação moral de
acordo com suas convicções. É uma deturpação do citado artigo, que diz
respeito à liberdade religiosa que deve ser respeitada individualmente.
Além disso, manipulam e fazem confusão deliberada com a discussão
realizada no seminário, que reafirmou a importância de se debater
questões de gênero e de sexualidade nas escolas, para que as diferenças
não sejam transformadas em desigualdades.
Em outro momento, dizem que os alunos (a quem chamam de “vítimas”) acabam sofrendo de Síndrome de Estocolmo, ligando-se emocionalmente a seus algozes (“professores doutrinadores”).
Nesse caso, os estudantes se recusariam a admitir que estão sendo
manipulados por seus professores e sairiam furiosos em suas defesas.
Para exemplificar, citam momentos identificados como “monstro
totalitário arreganha os dentes” e chamam os estudantes de soldadinhos
da guarda vermelha.
Em um dos livros desse movimento, é passada a noção de que o
professor não é um educador, separando assim o ato de ensinar (passar
conteúdos) e educar. O/A professor(a) deveria estar ali apenas para
passar conteúdo sem crítica, problematização ou contextualização, em um
ato mecânico. Paulo Freire é demonizado como o grande doutrinador – justo ele, que construiu uma obra toda para combater doutrinações.
Esse movimento da “escola sem partido” nasceu em 2004 e não
gerou muitas preocupações, porque parecia muito absurdo e coisa pequena.
No entanto, tem tomado corpo e crescido, na mesma toada de movimentos fascistas tais como ‘revoltados online’, responsável por apresentar recentemente a proposta da “escola sem partido”
ao ministro da Educação do governo ilegítimo. Aliás, é bom dizer que
foi a primeira audiência concedida pela pasta da Educação nesta gestão
ilegítima. E em vídeo, os criadores da “escola sem partido” e do “revoltados online’
explicam que criaram tais coisas a partir de motivações pessoais. Ou
seja, eles tentam impingir ao país projeto com base em impressões e
vivências individuais.
A proposta foi apresentada em forma de projeto pela primeira vez no Estado do Rio de Janeiro, pelo deputado Flávio Bolsonaro. A segunda vez foi no Município do Rio de Janeiro, pelo vereador Carlos Bolsonaro – ambos filhos do deputado federal Jair Bolsonaro. E tal proposta já se espalhou por diversas câmaras municipais e assembleias legislativas. Em âmbito nacional, o deputado Izalci (PSDB/DF) apresentou o PL 867/2015 à Câmara Federal, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
Dentre várias questões, o artigo 3º do referido projeto diz o seguinte:
“Art. 3º. São vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação
política e ideológica bem como a veiculação de conteúdos ou a realização
de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas
ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes.” O que viola tais
convicções provavelmente será julgado de acordo com o que e com quem
quiserem criminalizar. O projeto ainda levanta uma polêmica do século
XIX quando se discutia a dicotomia família e escola, o que deveria estar
superado no século XXI.
Há vários projetos tramitando apensados a esse, ainda mais perversos. Um deles, do deputado Victório Galli, doPSC/MT, proíbe a distribuição de livros didáticos que falem de diversidade sexual. E há ainda o projeto de lei 1411/2015, do deputado Rogério Marinho PSDB/RN, cujo relator é o mesmo deputado Izalci.
Esse projeto tipifica o crime de assédio ideológico, que, de acordo com
o projeto, significa: “toda prática que condicione o aluno a adotar
determinado posicionamento político, partidário, ideológico ou qualquer
tipo de constrangimento causado por outrem ao aluno por adotar
posicionamento diverso do seu, independente de quem seja o agente.” E
diz ainda que o professor, orientador, coordenador que o praticar dentro
do estabelecimento de ensino terá a pena acrescida de um terço. Ou
seja, a s opiniões fora da escola, tais como nas redes sociais, poderão
penalizar o profissional da educação também.
O movimento criou recentemente uma “associação escola sem partido”
para ter uma entidade com a qual pudesse recorrer à Justiça em casos
que julgasse relevantes. E a primeira ação por eles promovida foi contra
o INEP, devido ao tema da redação do Enem de 2015, que tratava de violência contra as mulheres,
tema que julgaram doutrinador e partidário. A violência contra as
mulheres é reconhecida como grave problema em diversos tratados
internacionais dedireitos humanos, como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), aprovada pela ONU em 1979, e outros que a seguiram. No Brasil, a cada 4 minutos uma mulher dá entrada no SUS por
ter sofrido violência física, e 13 mulheres são assassinadas a cada dia
– uma a cada 1 hora e 50 minutos. A violência está inclusive nas
próprias escolas, como demonstrou a iniciativa “Meu professor abusador”.
Há vários ovos de serpente chocando no momento, em diversos
locais, seja no âmbito dos legislativos municipais, estaduais ou
nacional, e mesmo nos Executivos, e não temos garantias de que o
Judiciário irá barrar tais aberrações. Portanto, nossa única arma é a
manifestação, a nossa presença nas ruas e a disseminação de informações a
um público maior possível, já que é na internet e em redes como whatsapp que
esses grupos têm angariado seguidores, muitos deles muito jovens. É
preciso promover debates que esclareçam essas situações que estão
amadurecendo na surdina, com pessoas que não nos representam, mas estão
em cadeiras que permitem tais movimentos.
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/557389-escola-sem-partido-escola-silenciada
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Estudantes dão aula de luta e participação democrática
Onde e quando começou é difícil precisar. Só sabemos que começou,
cresceu, aumentou, ficou cada vez mais forte, está tomando o País. Os
estudantes vão ocupando as escolas, as ruas, dando exemplos de luta e
determinação em um movimento que tende a se expandir.
Em 2013 eles foram às ruas contra o aumento das passagens de ônibus.
Em pouco tempo, o movimento se ampliou e deixou de ser por apenas 20
centavos. Melhorias na educação e nos serviços públicos passaram a
constar da pauta que levou milhões de estudantes e trabalhadores às
ruas.
Ano passado, os estudantes de São Paulo ocuparam as escolas contra
projeto do governador Alckmin de reorganização das escolas, que em
verdade pretendia fechar unidades, aumentar o número de estudantes por
turma, demitir professores e funcionários do apoio. O projeto foi
arquivado. Vitória!
Neste ano o movimento se ampliou e começa a ocupar o país: São Paulo,
Rio de Janeiro, Goiás, Ceará, Paraná, Rio Grande do Sul. Os estudantes
estão mobilizados país afora, apesar da repressão policial comandada por
governadores descomprometidos com a educação pública de qualidade.
A escola capitalista é uma grande reprodutora de desigualdades e
opressões. No Rio de Janeiro, assim como na maior parte do Brasil, se
aposta em um modelo de escola pública sucateada, de baixa qualidade, com
profissionais mal pagos e com rápida formação dos estudantes filhos das
classes populares. O aumento dos investimentos e valorização da escola
pública está subordinado à “suspeitos” planos de metas meritocráticos,
segregando a maior parte das escolas, alunos e professores.
Corrupção e descaso
O caso das merendas em São Paulo é significativo. Preços
superfaturados permitiram propinas para integrantes do governo estadual e
de 22 prefeituras. O próprio presidente da Assembleia Legislativa,
deputado Fernando Capez (PSDB), bem como alguns dos seus assessores,
estariam envolvidos.
A contrapartida está resumida na frase do crítico gastronômico Jota
Bê, ouvido pela revista ‘Trip’ para avaliar a qualidade da merenda:
“Pior do que isso só se estiver estragado”, disse ele.
Escolas sujas, caindo aos pedaços, equipamentos defeituosos,
materiais esportivos e pedagógicos abandonados, salários baixos para os
profissionais, exclusão da comunidade acadêmica e da sociedade das
tomadas de decisão, essas são as condições na maioria das escolas
públicas. As ocupações têm denunciado essa dura realidade. Os estudantes
estão limpando, arrumando, reformando muitas dessas escolas, com apoio
dos pais e da comunidade.
Outras ameaças que pairam sobre a educação pública são a
privatização, já em curso em vários estados, e a censura ao pensamento
crítico, impedindo o debate filosófico, político, ideológico e criativo,
justamente nos locais onde o conhecimento se faz mais necessário. A
burguesia pretende transformar o ensino público em um negócio lucrativo,
que gere lucro e produza mão de obra barata para garantir a mais valia.
Na contracorrente dos planos oficiais, os estudantes lutam pela
qualidade do ensino, em defesa da educação pública. Reivindicam
professores, democracia, participação, salas de aulas com menos gente e
em melhores condições, boas refeições etc.
É emocionante ler e ouvir os depoimentos desses jovens, a grande
maioria moradores das periferias, filhos de trabalhadores de baixa
renda, com disposição de luta e crescente conscientização acerca da
necessidade e do direito de estudar em escolas democráticas e de
qualidade. Estão aprendendo e ensinando que só a luta muda a vida.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Abaixo as agressões físicas e mentiras da diretoria da APEOC
Os professores da Educação Básica do Estado do Ceará estão em greve
desde o dia 25 de abril contra a intransigência do governo Camilo
Santana (PT). Depois de seis meses da data base da categoria, prevista
para janeiro, os professores receberam, no dia 06 de junho, o ultimato
de ZERO reajuste salarial e ainda passaram a sofrer ameaças de corte de
salários, punições administrativas e suspensão das férias.
No dia 27 de junho foi convocada mais uma assembleia da categoria para discutir os rumos do movimento diante dos ataques e ameaças de Camilo Santana. Ao chegarem ao Ginásio da Parangaba, em Fortaleza, os professores se depararam com um aparato repressivo composto por sessenta bate-paus contratados e orientados pela diretoria do sindicato para provocar professores de base e estudantes presentes à assembleia.
A diretoria da APEOC proibiu dezenas de estudantes, que desde o início apoiaram a greve e estão à frente da ocupação de mais de sessenta escolas em todo o Estado do Ceará, de entrarem pacificamente no local da assembleia. Isso é ainda mais absurdo, considerando que desde o início da greve, vem sendo garantido espaço para os estudantes nas assembleias de professores, inclusive com direito a fala.
Enquanto alguns professores tentavam negociar a entrada dos estudantes, dezenas de seguranças foram postados na frente dos portões do ginásio. Neste momento, os estudantes, começaram a pular espontaneamente os portões, sendo recebidos a socos e pontapés pelos seguranças. Pelo menos quatro menores de idade ficaram feridos.
Vários professores tentaram impedir que os seguranças continuassem espancando os estudantes, mas também foram agredidos. Um professor, que tem mais de setenta anos, levou uma tapa. Uma professora teve um dedo quebrado. E outro professor teve os óculos quebrados e o rosto traumatizado por socos.
No dia 27 de junho foi convocada mais uma assembleia da categoria para discutir os rumos do movimento diante dos ataques e ameaças de Camilo Santana. Ao chegarem ao Ginásio da Parangaba, em Fortaleza, os professores se depararam com um aparato repressivo composto por sessenta bate-paus contratados e orientados pela diretoria do sindicato para provocar professores de base e estudantes presentes à assembleia.
A diretoria da APEOC proibiu dezenas de estudantes, que desde o início apoiaram a greve e estão à frente da ocupação de mais de sessenta escolas em todo o Estado do Ceará, de entrarem pacificamente no local da assembleia. Isso é ainda mais absurdo, considerando que desde o início da greve, vem sendo garantido espaço para os estudantes nas assembleias de professores, inclusive com direito a fala.
Enquanto alguns professores tentavam negociar a entrada dos estudantes, dezenas de seguranças foram postados na frente dos portões do ginásio. Neste momento, os estudantes, começaram a pular espontaneamente os portões, sendo recebidos a socos e pontapés pelos seguranças. Pelo menos quatro menores de idade ficaram feridos.
Vários professores tentaram impedir que os seguranças continuassem espancando os estudantes, mas também foram agredidos. Um professor, que tem mais de setenta anos, levou uma tapa. Uma professora teve um dedo quebrado. E outro professor teve os óculos quebrados e o rosto traumatizado por socos.
Independentemente da ação intempestiva dos estudantes, que antes de pular o muro soltaram rojões fora do ginásio, é inadmissível que uma assembleia de professores seja cercada de dezenas de capangas com ordem expressa de intimidar e agredir estudantes e professores de base.
Para a diretoria da APEOC, os estudantes são marginais a serviço de uma suposta conspiração da oposição para agredir a diretoria da APEOC e os professores contrários à continuidade da greve. As notas emitidas pela CNTE e pela CUT sobre o episódio reproduzem esta mentira deslavada. Mas os fatos não mentem: nenhum dirigente sindical ou professor contrário à greve foi agredido.
O Movimento de Oposição Sindical e a Rede de Zonais dos Professores em Greve encaminharam os professores e estudantes agredidos para registrarem Boletim de Ocorrência e realizarem Exame de Corpo e Delito. Também buscaram apoio da Defensoria Pública e do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA) para dar encaminhamento à denúncia jurídica contra a diretoria da APEOC.
Esse lamentável episódio não pode passar em brancas nuvens! Não podemos tolerar que a diretoria de um sindicato de professores mande bater em estudantes menores de idade e em professores de base!
Reivindicamos que o movimento sindical, estudantil e popular do Brasil, da América Latina e de todo o mundo se pronunciem enviando moções de repúdio ao Sindicato APEOC, com cópia para o Movimento de Oposição Sindical (MOS), Defensoria Pública do Estado do Ceará e CEDECA-CE.
A greve continua! Camilo, a culpa é sua!
Responsabilização política e jurídica da diretoria da APEOC pelas agressões físicas!
Fora os capangas da APEOC das assembleias dos professores!
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Escola sem Partido e a falsa ideia de neutralidade
Brasileiras e brasileiros querem um país melhor, onde possam viver em
segurança, terem uma vida produtiva, divertida, saudável, exercer suas
crenças e viver de acordo com suas convicções. Esses sentimentos em si
unem grande parte da nação. No entanto, o debate sobre como conquistar
tais objetivos divide a sociedade. Para uns, é preciso maiores garantias
de direitos. Para outros, maior rigor penal. Para uns, é preciso se
falar sobre cidadania, gênero, raça, orientação sexual, identidade de
gênero e discriminação em sala de aula. Para outros, tais assuntos devem
ser debatidos apenas no seio familiar sem qualquer interferência do
Estado. Para uns, retomar o respeito a valores religiosos em todas as
esferas da vida seria a solução para a pacificação social. Para outros, o
respeito à Constituição é o único modo de viver numa sociedade plural,
com inúmeras crenças e convicções diferentes, todas elas igualmente
válidas.
Tais embates têm por característica estarem sendo travados em um
período no qual as informações estão disponíveis de modo viral na
internet e nos aplicativos de celular. As informações voam a velocidades
impressionantes e se reproduzem de modo dinâmico. Muitas vezes, pelo
formato no qual são divulgadas, é difícil até para pessoas com maior
experiência na identificação de boatos notarem a falsidade. As noticias
falsas, no entanto, são lançadas com um propósito: o de acirrar ainda
mais os ânimos entre os dois polos. Há quem hoje finalize qualquer
conversa ao ouvir palavras ou expressões como “direitos humanos”,
“respeito à diversidade”, “ideologia de gênero”, “valores cristãos”. As
duas primeiras expressões representam o grupo dos defensores de direitos
humanos e as duas últimas as pessoas vinculadas à defesa de valores
familiares e religiosos mais conservadores. A cada dia parece que se
torna mais difícil os partidários de uma das correntes não se sentir
ameaçado pelos filiados da outra.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
segunda-feira, 20 de junho de 2016
21JUN - Roda de conversa: o que há por trás da escola sem partido?
Roda de conversa aberta ao público com os professores
Patrícia Santana (Rede Municipal BH), Rodrigo Ednilson (FaE/UFMG),
Ramuth Marinho (Rede Municipal BH), Pablo Lima (FaE/UFMG) e Alberto
Francisco Almeida Ramos (EE Olegário Maciel), mediada pelo professor
Heli Sabino (FaE/UFMG). O evento, realizado pelo Laboratório de Estudos e
Pesquisas em Ensino de História (LABEPEH) e pelo Núcleo de Estudos
sobre Trabalho e Educação (NETE), ocorrerá às 19hs no Auditório Luis
Pompeu. Entre outras questões, perguntamos: o que é o projeto "escola
sem partido"? Quais os partidos dos defensores da "escola sem partido"?
Como ensinar história ou qualquer outra disciplina em uma "escola sem
partido"?
PARTICIPE! https://www.facebook.com/events/1764676330443492/?notif_t=plan_user_invited¬if_id=1466424226605455
Confronto entre professores e policiais deixa ao menos seis mortos e 94 feridos no México
Segundo informações da agência France Press, os disparos ocorreram
quando cerca de 800 policiais federais e do estado tentavam liberar a
pista Oaxaca-México, bloqueada por professores da 22ª seção da CNTE
(Coordenadoria Nacional de Trabalhadores da Educação).
Professores, estudantes e apoiadores do movimento bloqueavam diversos
pontos do estado em protesto contra uma reforma educativa promovida
pelo presidente Peña Nieto em 2013 que contempla principalmente a
avaliação dos docentes.
A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e acusou os professores e simpatizantes de utilizarem armas de fogo.
Já os manifestantes, mobilizados há 35 dias, acusam os policiais de
repressão. Além disso, dizem que havia grupos infiltrados no protesto,
que abriram fogo durante o confronto, que durou duas horas.
Vários veículos foram queimados durante o conflito. Segundo a polícia, 25 pessoas foram presas.
Enfrentamentos também ocorreram em outras localidades com bloqueios
de estradas, como Hacienda Blanca e Juchitán de Zaragoza, onde um
jornalista e outra pessoa foram assassinados a tiros.
Jornalista assassinado
Também no domingo, o repórter Elidio Ramos Zárate, do jornal El
Sur, foi assassinado no em Oaxaca por homens desconhecidos enquanto
cobria os protestos de professores contra a reforma educacional.
O diretor-geral da publicação, Luciano Pacheco, disse à Efe que Ramos
foi assassinado no cruzamento viário de acesso ao município de Juchitán
de Zaragoza, na região do Istmo de Tehuantepec.
Durante o ataque contra o jornalista, de 44 anos, outra pessoa foi morta e uma ficou ferida.Zárate descansava em um banco quando dois sujeitos em uma motocicleta atiraram contra ele.Os feridos, muitos em estado grave, foram levados para a igreja de
Asunción Nochixtlán e, em seguida, transportados para vários hospitais.
Por Opera Mundi
Fonte: http://carosamigos.com.br/index.php/politica/7123-confronto-entre-professores-e-policiais-deixa-ao-menos-seis-mortos-e-94-feridos-no-mexico
quarta-feira, 15 de junho de 2016
O futuro da usurpação e as alternativas impensáveis: o trabalho do vento e a necessidade da tempestade
“A crise política rasga o véu da fantasia ideológica e mostra não algo que se desconhecia, mas aquilo que não se queria saber.”
Por Mauro Luis Iasi.
“Sento-me na praia e espero o vento”
Antes mesmo de completar um mês de usurpação, o usurpador tem
problemas. Sua ponte balança fortemente acossada pelos ventos de
denuncias e o futuro, logo ali do outro lado do abismo, parece uma visão
distante.
Um ministro atrás de outro vai caindo ou sendo envolvido em
escândalos, os que se mantêm ostentam uma ficha corrida de fazer inveja a
qualquer quadrilha e o próprio usurpador é condenado, tornado-se
inelegível por oito anos (dois dos quais espera passar no cargo maior de
mandatário da República).
O futuro da usurpação
Na sanha de afastar a presidente eleita, os conspiradores prometeram o
que não podem entregar: a estabilidade. Primeiro porque, ao contrario
de suas pretensões, a raiz da instabilidade é a crise econômica e o
remédio amargo dos “ajustes”, que o governo anterior já aplicava e o
usurpador impõe com mais profundidade, não indicam uma recuperação
milagrosa no curto prazo. As previsões já afastam a recuperação em 2017 e
projetam a volta de um crescimento pífio só para 2018. Em segundo
lugar, o bloco usurpador está longe de ser homogêneo. A mídia que tão
convictamente apoiou com boa vontade a aventura usurpadora tenta se
apresentar agora como surpresa com aquilo que sempre soube muito bem. O
judiciário divide-se, a operação Lava Jato continua a oferecer
denuncias, o Ministério Público continua indiciando e o STF continua se
fingindo de morto.
O preço da interrupção do mandato da presidente é pago com um custo
considerável. Liberação de recursos, nomeações, barganhas, acordo para
livrar Cunha da cassação, acenos ao obscurantismo de valores e o
fundamentalismo dos preconceitos, fechamento de ministérios para depois
reabri-los sem recursos. Ministros vaiados em público e um precário
reconhecimento internacional que se dilui numa consistente percepção da
ilegalidade do ato usurpador.
Estamos diante de um governo provisório ilegítimo e instável. Os
ex-governistas querem a volta da presidente, os aliados do usurpador
disputam entre si o protagonismo em uma nova fase de crescimento que
virá, os trabalhadores reagem, ainda desordenadamente, contra a
brutalidade do “ajuste”, e disso tudo resulta que a instabilidade é a
regra e nada indica que tal quadro se reverta no curto prazo.
O ajuste, no entanto, não espera a estabilidade política. Ao
contrario do que se apregoava, ele vai se implantando no próprio curso
da tempestade. Começou ainda no governo interrompido, seguiu por entre a
crise do afastamento da presidente e seguiu no governo usurpador
indiferente aos percalços políticos que o abalam. Enquanto a esfera
política decide quem governa, o capital exerce seu direito ao Estado e
impõe a direção necessária.
No entanto, isso tem consequências. É essencial ao jogo político
burguês que o governo de plantão assuma o ônus de uma crise para que a
oposição no interior da ordem se apresente como alternativa. Assim
alternam-se liberais e conservadores, democratas e republicanos,
socialdemocratas e democratas cristãos, tucanos e petistas. A atual
crise política, por uma espécie de irresponsabilidade daquilo que Sofia
Manzano denominou corretamente de “lumpem-parlamentares”, acabou por
queimar na fogueira dos interesses da pequena política a própria
aparência de respeitabilidade em que se sustentava a frágil fantasia
ideológica sob a qual se legitima o jogo político burguês.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
O PODER POPULAR (EDIÇÃO ESPECIAL)
Está no ar a edição ESPECIAL de O PODER POPULAR, um jornal a serviço
das lutas populares e da revolução socialista, editado pelo Partido
Comunista Brasileiro (PCB).
Acesse a íntegra: http://pcb.org.br/portal2/11320
quarta-feira, 8 de junho de 2016
A falácia da Escola Sem Partido (ou do pensamento único)
Para o projeto Escola Sem Partido, discutir feminismo e homofobia é doutrinação ideológica e imposição da ideologia de gênero nas escolas. Como reflexo da sociedade, as escolas são espaços marcados pela opressão às mulheres
e a discriminação sexual. Na maioria dos casos, as ações e as reações
são silenciadas e banalizadas. Será que é necessário ter a discussão nas
escolas? Creio que os dados e as informações a seguir nos mostrarão a
urgência da discussão na sociedade.
Segundo dados do Mapa da Violência 2015,
de Julio Jacobo Waiselfisz, entre 2003 e 2013, o número de vítimas do
sexo feminino mortas passou de 3.937 para 4.762, incremento de 21% na
década. Essas 4.762 mortes em 2013 representam 13 homicídios femininos
diários. Quando analisamos os casos de feminicídio, a população negra é
vítima prioritária no País. Sobre os tipos de violência contra a mulher,
em 2014, foram atendidas pelo Sistema Único de Saúde 23.630 casos de
violência sexual, a maioria envolvendo crianças e adolescentes.
Segundo informações presentes no estudo “Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil”,
de 2013, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(IPEA), a Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em 2006 para combater a
violência contra a mulher, não teve impacto no número de mortes por
esse tipo de agressão.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Professores e estudantes vão à luta contra o projeto de privatização da educação pública
A conjuntura recente demonstra que professores e estudantes estão
dispostos a manter acesa a chama em defesa da escola pública de
qualidade. Em São Paulo, no final de 2015, a política de fechamento de
escolas do governador Alckmin (PSDB), diante de uma imensa mobilização
estudantil, que ocupou mais de 190 escolas,
teve de recuar e adiar seus planos. Em Goiás, a intenção do governador
Marconi Perillo Jr. (PSDB) de terceirizar a gestão das escolas via
Organizações Sociais, atacando a remuneração e a titulação dos
profissionais, enfrentou uma categoria em greve, e dezenas de escolas
foram ocupadas por estudantes. Atualmente, no Rio de Janeiro, mais de 70
escolas estão ocupadas em apoio à greve de professores, contra o
desmonte da educação pública e a favor de uma forma democrática de
gestão das escolas, que leve em conta as necessidades das comunidades e
dos filhos da classe trabalhadora.
No Ceará, o governador Camilo (PT) segue a cartilha dos governadores
tucanos. Em seu governo tem sido promovida uma onda de demissões de
trabalhadores temporários (ao todo, 3,3 mil de servidores da educação),
desmantelamento das atividades de apoio pedagógico (laboratórios,
bibliotecas etc.), impedimento de acesso à formação continuada
(reduzindo a 2% a liberação de professores para a pós-graduação) e
negação do reajuste aos servidores estaduais. Em todos os espaços
possíveis, dentro e fora das instâncias sindicais, professores e
estudantes se mobilizam contra a aplicação do ajuste fiscal que corta
gastos nos serviços públicos para deslocar recursos ao pagamento de
juros da dívida pública.
Está em andamento no Brasil um projeto claro de privatização da
educação pública. Prefeituras e governos estaduais contratam serviços
educacionais, voltados à formação, ao treinamento de professores e à
produção de apostilas, junto a grupos empresariais que chegam a assumir a
gestão e orientação das políticas locais de educação, em detrimento dos
mecanismos de participação democrática e dos interesses da população.
Principalmente os municípios, responsáveis pela educação infantil e pelo
ensino fundamental, são vistos como possibilidades de ampliação de
mercado para os grandes grupos educacionais privados. A ideia de
qualidade vendida pelas empresas se baseia na padronização dos
currículos, o que facilita a venda do material instrucional, ignorando
as especificidades e diferenças existentes entre os grupos com os quais
os educadores trabalham. A venda deste material é casada com a formação e
qualificação para seu uso e de sistemas de avaliação das escolas e dos
estudantes, na lógica da meritocracia neoliberal. O que acaba ocorrendo é
a substituição da política pública educativa dos municípios pela
política educacional elaborada pelas empresas, cuja meta é o lucro.
Além desta realidade em curso, a educação pública pode sofrer ainda
mais ataques no governo de Michel Temer (PMDB). Uma das propostas do
programa “Uma Ponte para o Futuro” é a total privatização do ensino
médio. Numa espécie de Pro-Uni do ensino médio, são previstas parcerias
com escolas privadas na formação básica. Juntamente a isso, pode se dar o
aprofundamento da privatização do ensino superior, já amplamente
dominado pela iniciativa privada, atuante em mais de 80% das
universidades e faculdades no país.
As lutas dos trabalhadores da educação e as ocupações de escolas
pelos estudantes mostram o caminho da resistência a estes projetos. Toda
luta autônoma e organizada da classe trabalhadora e da juventude
pavimenta o caminho de construção do poder popular.
Íntegra da 11a edição de O Poder Popular: http://pcb.org.br/portal2/11019
sexta-feira, 13 de maio de 2016
UNIDADE CLASSISTA FILIA-SE À FSM – FEDERAÇÃO SINDICAL MUNDIAL!
Estimados companheiros,
Estimados irmãos e irmãs,
Estimados irmãos e irmãs,
Com muita alegria os informamos que o
Secretariado da FSM se reuniu e examinou sua solicitação de filiação e a
aprovou, baseando-se em seus princípios democráticos, na história e na
ação de sua Organização pelo benefício dos trabalhadores.
Estamos muito contentes de dá-los as
boas-vindas à grande família classista da Federação Sindical Mundial que
se estende pelos 5 continentes.
Segundo os estatutos da FSM, sua filiação à FSM estará registrada com a resolução da próxima reunião do Conselho Presidencial.
Felicitamos os companheiros por unir-se
às fileiras da FSM e juntar suas forças com as forças do movimento
sindical internacional classista, dando assim mais força, entusiasmo e
incentivo às lutas mundiais pelos interesses dos trabalhadores.
Com solidariedade e internacionalismo, nossas lutas comuns serão mais fortes e eficazes.
Mais uma vez, damos as boas-vindas às
fileiras da FSM e os convidamos a seguir a página web da FSM. Ali se
encontram as últimas notícias e informações das atividades e propostas
da FSM: http://www.wftucentral.org.
Saudações fraternas,
quarta-feira, 27 de abril de 2016
#TodoApoioaBrunoePablo
Dois
jovens professores da UFMG, Pablo Lima (FaE) e Bruno Bechara
(EEFFTO), estão sofrendo uma sistemática perseguição política
por parte da atual Diretoria da APUBH - Sindicato dos Professores das
Universidade Federais de Minas Gerais, Montes Claros e Ouro Branco.
Pablo e Bruno são militantes sociais auto organizados no Coletivo
de Professores da UFMG. São professores engajados na vida acadêmica
e política da Universidade, por uma questão de consciência
política, independentes de governos ou da máquina sindical.
Ambos foram expulsos pela
Direção deste Sindicato sob a acusação injuriosa de falta grave
dada a postura combativa e corajosa dos mesmos diante das
irregularidades na condução da Presidência da APUBH na Assembleia
Extraordinária realizada no dia 20 de Novembro de 2015, que, de
forma cômica e vexatória aos demais colegas docentes, permitiu que
pessoas que não eram filiadas ao sindicato, e nem sequer docentes da
UFMG, votassem, em flagrante desrespeito ao Estatuto.
A atual diretoria da
APUBH envergonha, dessa forma, toda a trajetória de lutas desta
entidade, que sempre defendeu os interesses de classe da categoria,
assim como a educação pública, gratuita e de qualidade. É uma
diretoria que tem verdadeiro horror à discussão política e ao
debate de ideias divergentes, e que abre suas assembleias a não
filiados. Nós queremos saudar aqui a presença dos não filiados nas
assembleias, mas não com direito a voto. Alguns desses não filiados
são filiados a outras entidades, e isso não existe em nenhum lugar
no mundo. Nenhum clube de futebol, nenhuma escola de samba, nenhuma
associação permite que não filiados tenham voto. É o mesmo que
alguém queira ser eleito síndico de um edifício e convidar os
condôminos do outro edifício para vir votar no seu edifício.
As nossas divergências
com essa diretoria são inconciliáveis, pois estão liquidando a
APUBH, transformando-a em um instrumento de amaciamento da luta de
classes, de apoio acéfalo a um governo que, em mais de uma década,
calou o movimento sindical brasileiro e o colocou debaixo de seu
braço, apesar dos heroicos exemplos de luta e independência
política de alguns setores do sindicalismo. Esta entidade foi
descaracterizada nessa última década pela política de conciliação,
pela política reformista e rasteira da maioria desta direção.
Companheiros,
eles chamam estes dois lutadores de agitadores, mas eles querem mudar
esse sindicato. Resistindo a caça às bruxas promovida pela
diretoria, eles querem mudar o sindicato pela base, para ele possa
voltar a ser uma entidade de luta em prol dos trabalhadores em
educação da UFMG.
Aos
docentes da UFMG, que viveram mais de uma década sob a hegemonia dos
governistas no sindicato, queremos fazer um apelo, um apelo de
consciência aos companheiros, aos professores e professoras da UFMG,
para que impeçam essa injustiça na próxima assembleia do
sindicato, a se realizar no dia 29 de Abril, próxima sexta-feira,
às 14hs no Auditório da Escola de Engenharia, Campus Pampulha (os
professores da UFMG que ainda não são sindicalizados podem se
filiar até o início da assembleia para participar com direito a
voto da mesma). Não podemos permitir tamanho abuso de poder e
postura antidemocrática na APUBH.
Pelo
respeito ao estatuto da APUBH e à liberdade de organização e
mobilização dos professores e contra o autoritarismo na condução
do Sindicato, contamos com todos e todas na Assembleia de 29/4! Não
existem acusações formais aos professores Pablo Lima e Bruno
Bechara, e o último recurso de Pablo e Bruno será objeto de
apreciação dos professores sindicalizados nesta Assembleia
Extraordinária. Recordemos Marx que afirmou na tese 2 (Teses
sobre Feuerbach) que “a questão de saber se é preciso
conceder ao pensamento humano uma verdade objetiva não é uma
questão de teoria, porém uma questão prática. É na prática que
o homem deve comprovar a verdade, isto é, a realidade efetiva e a
força, o caráter terrestre de seu pensamento.”
Daniel Oliveira
Licenciado em Letras
pela UFMG, professor da rede pública de educação básica (BH/MG) e
militante da Corrente Sindical Unidade Classista
![]() |
| Pablo Lima |
![]() |
| Bruno Bechara |
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Militante do PCB de São Paulo participa de audiência nos Estados Unidos para denunciar agressões da PM contra estudantes
No dia 7 de abril, três secundaristas do Comando das Escolas em Luta
de São Paulo, entre os quais, Fabiana Medrado, militante do Partido
Comunista Brasileiro, participaram da audiência pública da Comissão
Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em Washington, nos Estados Unidos,
para denunciar a violência da Policia Militar do Estado de São Paulo,
cometida durante as ocupações nas escolas e a repressão nos atos contra a
reorganização escolar promovida pelo governo Alckmin.
Na ocasião foi exibido um vídeo de cinco minutos produzido pelos
estudantes, com imagens das agressões físicas durante os protestos de
rua, depoimentos de alunos criminalizados e detidos arbitrariamente,
além do áudio de Fernando Pádula, na época chefe de gabinete da
Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, que afirma estar numa
guerra – fazendo referência as ocupações das escolas – e reforça o
enfrentamento contra os alunos. foram apontadas violações como uso
indiscriminado de armamento menos letal como spray de pimenta, balas de
borracha e bombas de gás lacrimogêneo, uso de armas de fogo,
desproporcionalidade do efetivo policial e ausência de identificação
desses agentes.
Em sua fala, Fabiana Medrado destacou que as manifestações realizadas
por crianças e adolescentes devem ser acompanhadas por órgãos
específicos, que garantem a proteção integral conforme previsto na CIDH e
Convenção sobre os Direitos da Criança. Além de não haver atuação da
polícia militar nas manifestações e qualquer tipo de monitoramento,
incluindo ronda escolar em qualquer unidade escolar e proibição de
registro por foto ou vídeo dos jovens para qualquer finalidade.
Emocionada Tereza Cristina Lopes, representante do Comitê de Mães e
Pais em Luta, leu a prisão arbitraria de seu filho que participou da
ocupação da escola Fernão Dias Paes. “Na delegacia, fomos humilhados e
não consegui registrar boletim de ocorrência contra o policial que
agrediu meu filho, porque ele deu queixa por desacato a autoridade,
sendo que meu filho foi preso apenas porque estava exercendo seu direito
de manifestação. Esta situação se repetiu com outros meninos sob ameaça
de prisão”, relata.
Tereza também contou que após a desocupação da última escola, seu
filho e amigos passaram a ser enquadrados pela polícia na rua. “Meu
filho já foi parado pela PM três vezes no mesmo dia. Nessas ações, os
policiais tiram fotos, anotam endereço e fazem ameaças. Segundo o
promotor, que eu conversei, existe um banco de dados desses garotos para
que sejam identificados por outros efetivos, criminalizados e presos
por delitos que não cometeram”, declarou.
A audiência foi marcada após a CIDH analisar o dossiê produzido por
um grupo de advogados, que estava acompanhando as ocupações e passou a
documentar as arbitrariedades praticadas pela PM, por meio de
depoimentos de alunos, mães e pais, imagens, vídeos, links das redes
sociais e mídia. O documento também foi apresentado no núcleo de
Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo.
A ação busca pressionar o Estado brasileiro a apresentar uma solução
para a conduta dos policiais e a violação dos direitos humanos. A viagem
foi custeada com o valor arrecadado no financiamento coletivo e os
jovens foram acompanhados por uma mãe do Comitê de Mães e Pais em Luta,
uma advogada e outra representante da ONG internacional Artigo 19.
Para Fabiana Medrado a audiência teve uma boa repercussão em
Washington e no Brasil. “Foi importante perceber que existe outra
instância para desafiar o Estado de São Paulo, ainda que dentro de uma
instituição burguesa, foi muito enriquecedor”, conta.
A jovem militante ainda sublinha a sua percepção sobre a viagem e a
luta. “Foi possível conhecer outras organizações de esquerda nos Estados
Unidos, como Mães de Maio, perceber os intercâmbios possíveis e tomar
consciência dos tensionamentos sociais e políticos que o capitalismo
provoca na juventude, juntos as comunidades negras e de mulheres. Embora
em cada país a luta ocorra de forma específica, dentro de suas
peculiaridades, faz parte do mesmo enfrentamento ao capital”, destaca.
A defesa do estado brasileiro
O procurador-geral do Estado de São Paulo, Elival da Silva Ramos
representou o governo de São Paulo e expôs o que seria a reorganização
escolar. A reação da PM foi justificada pelo fato dos alunos terem
ocupado equipamentos públicos. “Não se trata de se manifestar contra uma
política pública e sim de ocupar um prédio público e as consequências
foram as depredações das unidades escolares e interrupção do período
letivo afetando os alunos que não participaram do movimento”, disse.
Já nas manifestações, Ramos alegou que não ouve aviso antecedente dos
protestos para evitar o comprometimento do tráfego em vias importantes e
a polícia militar foi acionada para desobstruir as ruas. “Uma dessas é a
Avenida Paulista, onde ficam inúmeros hospitais no entorno, portanto
pessoas perdem o direito à vida em função de atos não avisados
previamente”, afirma.
A comissária de direitos humanos Margarette Macaulay rebateu as
justificativas do procurador. “Eles são crianças e estavam protestando, o
que eles tinham direito de fazer. Não teria sido melhor para o Estado
não ter enviado a polícia repressora? Quando a polícia está presente, há
violações de direitos humanos”, destacou.
A CIDH realizou uma série de questionamentos sobre a atuação da PM,
também será emitido um documento com recomendações ao governo
brasileiro. A comissão também pode iniciar uma investigação sobre o
caso, com processo na Corte Interamericana de Direitos Humanos na Costa
Rica.
Texto: Carol Nogueira
Crédito da foto: Daniel Cima
Foto: da esquerda para a direita: Fabiana Medrado (PCB) Taynah Hentringer e Igor Miranda, todos do Comando das Escolas em Luta na CIDH
Fonte: http://pcb.org.br/portal2/10913
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Só a luta dos trabalhadores pode construir uma alternativa à esquerda em nosso país

Representantes dos segmentos majoritários das classes dominantes no
parlamento, aliados a setores do judiciário e da mídia hegemônica,
impuseram a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma, num
processo repleto de manipulações, manobras, conchavos, negociatas e jogo
sujo em todas as áreas da
institucionalidade burguesa. O sinal verde para o impeachment aprovado
na Câmara dos Deputados é um acinte ao povo brasileiro, pois se trata de
uma medida comandada cinicamente por um delinquente político e apoiada
por mais de uma centena de deputados envolvidos em processos de
corrupção.
Mas esse também foi um processo pedagógico para os trabalhadores,
pois demonstrou claramente a natureza da democracia burguesa e o perfil
conservador do Congresso Nacional, composto majoritariamente pelo que há
de mais reacionário na sociedade brasileira, ou seja, os representantes
dos interesses dos banqueiros, latifundiários, empreiteiras,
oligopólios industriais e do grande comércio, que financiam suas
eleições. Eles não representam seus eleitores, mas seus financiadores.
Esse processo demonstrou, além disso, que as regras formais da
democracia burguesa só são respeitadas pelas classes dominantes enquanto
servem aos seus interesses. Em momentos de crise, a burguesia tira a
máscara e manipula essas regras sem a menor cerimônia, a favor dos seus
objetivos. Esta tem sido uma dura lição para os petistas e todos aqueles
que acreditam nas alianças com a direita, no “estado democrático de
direito” e nas concessões ao capital. De nada adiantou a vergonhosa
conciliação de classe que o PT praticou durante treze anos, pois quando o
governo passou a não interessar mais à burguesia – que tem pressa de
fazer as contrarreformas que o PT faz aos poucos – esta usou de todas as
suas artimanhas para descartá-lo do poder.
Tudo leva a crer que dificilmente o impeachment será revertido no
Senado, presidido por outro velho conhecido nos processos que tratam da
corrupção, em relação ao qual o PT ainda se ilude, considerando-o
aliado. Chamar de traidores aos que se lambuzaram com as benesses do seu
governo e agora abandonam o barco para se locupletar em outro é, sem
dúvida, a maior evidência da ilusão de classe. A maior parte da escória
que votou pelo impeachment neste domingo estava, há poucos dias, na base
de sustentação do governo. O mesmo poderá acontecer no Senado.
Mas é necessário lembrar que o vice-presidente, em vias de assumir o
lugar de Dilma, é também indiciado em processos por corrupção e
caracteriza-se por ser um político inescrupuloso e ardiloso, que o tempo
todo conspirou nas catacumbas da imoralidade política contra o próprio
governo do qual faz parte, sempre com a ambição de se tornar presidente,
mesmo sem votos. Caso o governo Temer se estabeleça, o movimento
sindical e operário, o movimento popular e a juventude não lhe devem
conceder um minuto de trégua, mobilizando-se para derrotá-lo a partir
das lutas nas ruas, nos locais de trabalho, de moradia e estudo, nas
ocupações urbanas e rurais.
Enfatizamos que por trás das manobras da burguesia para descartar o
PT estão interesses bastante concretos para acelerar e aprofundar a
pauta contra os trabalhadores que os governos petistas já vinham levando
a efeito, como a contrarreforma da previdência, a flexibilização dos
direitos trabalhistas, a entrega do pré-sal às multinacionais e as
privatizações. Sabemos que para implantar uma pauta dessa ordem, o
estado burguês tende a aumentar a criminalização e a repressão contra as
lutas populares, bastando aplicar a lei antiterrorista já em vigor,
proposta e sancionada pelo governo petista. Portanto, a luta de classes
se tornará mais acirrada. Em contrapartida, estarão reduzidas as
possibilidades de conciliação e ilusão de classes, o que poderá levar a
resistência dos trabalhadores e setores populares a um novo patamar,
colocando na ordem do dia a necessidade da construção do Poder Popular, rumo ao Socialismo.
O PCB conclama sua militância, simpatizantes e aliados a somar esforços pela realização de um Primeiro de Maio Unitário Classista
em todas as cidades onde for possível, para alcançarmos o máximo de
unidade na ação contra a ofensiva do capital. Essa unidade é um dos
primeiros passos na construção de um Bloco de Lutas de todas as forças anticapitalistas e condição para a realização, no primeiro semestre do próximo ano, de um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora e dos Movimentos Populares.
PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional – 20/04/2016
terça-feira, 19 de abril de 2016
Unidade Classista nas lutas dos trabalhadores
(Manifestação de servidores do Rio de Janeiro contra o corte de salários dos inativos)
A crise e a saída para a Classe Trabalhadora
O
cenário político e econômico é preocupante. Apesar de grave, a crise é também
uma oportunidade para a burguesia monopolista realizar contrarreformas que em
outros momentos seriam mais difíceis. O estado mínimo com serviços
privatizados, acordos sendo firmado diretamente entre patrões e empregados no
âmbito das empresas, retirada de direitos trabalhistas, entre outros, são sonhos de consumo do empresariado brasileiro
já anunciados para o próximo período, independentemente do resultado do
processo de impeachment.
Essas
medidas já vinham sendo colocadas pelo governo do PT. Vide a Contrarreforma da
Previdência, as Parcerias Público-Privadas, etc. Mas o patronato quer mais
rapidez, sendo essa uma das razões para o engajamento da FIESP no atual o
pedido de impeachment da Presidente Dilma.
O
apetite burguês não para por aí. Como existe muito capital acumulado nos cofres
do sistema financeiro, e dinheiro parado é prejuízo, a bola da vez é a
mercantilização dos serviços públicos. Nesse sentido, a precarização deliberada
da saúde e da educação, por exemplo, visa abrir as portas para as
privatizações.
A
ofensiva do capital sobre o trabalho se aproveita do caminho aberto por
sindicalistas conciliadores, que em troca de migalhas adotaram a defesa
incondicional do governo em prejuízo da luta autônoma dos trabalhadores.
Buscando proteger Dilma da turbulência oriunda da adoção de medidas
impopulares, foram aceitando acordos coletivos rebaixados e exaltando políticas
emergenciais-compensatórias como grandes conquistas para classe trabalhadora.
Com
essa política de amoldamento à ordem, os sindicalistas de parceria conflitiva,
como se autointitulam os burocratas sindicais, foram trocando ganhos reais por
participação em lucros e resultados (PLR). Em vez de colocar a classe em
movimento para defender seus direitos e conquistas históricas, capitularam à
lógica desavergonhada das demissões voluntárias, redução de salários, além da
perda de outras importantes cláusulas sociais obtidas em acordos anteriores,
através de muita luta.
Ainda
que a atual conjuntura seja adversa à classe trabalhadora em função da
trajetória de passividade estimulada pelo sindicalismo chapa branca e da
submissão inerente à conciliação governista, também surgem possibilidades de
contraofensiva para a militância classista dialogar com as bases de todas as
categorias profissionais, numa perspectiva de reorganização de resistência e
autodefesa de seus direitos a partir dos seus locais de trabalho e moradia.
Assim
sendo, a UNIDADE CLASSISTA propõe a
construção de um bloco de forças sindicais e populares que assumam a tarefa de
organizar a classe para coletivamente: exigir investimentos públicos em saúde,
educação, saneamento básico, moradias populares, mobilidade urbana; mais
empregos e melhores salários; enfrentar as demissões imotivadas; ocupar as
plantas das unidades de produção falidas e complexos habitacionais erguidos com
as reservas do FGTS para servir à especulação imobiliária, construindo espaços
de autonomia e exigindo a injeção de fundos orçamentários do Estado, cuja maior
fatia (73%) tem sua origem nos impostos pagos por quem ganha até 3
salários-mínimos.
Com
esta perspectiva a UNIDADE CLASSISTA
conclama as organizações classistas consequentes a se unirem na construção de
um 1º DE MAIO de massa, convocado
desde locais de trabalho e moradia para manifestações nas capitais dos estados,
dando uma demonstração da disposição da classe trabalhadora para enfrentar o
projeto de desmonte do estado e retirada de seus direitos.
Rumo ao Encontro da Classe
Trabalhadora - ENCLAT
Defender direitos e na luta ampliar
conquistas.
Ousar lutar pelo Poder Popular
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