quinta-feira, 25 de maio de 2017
quinta-feira, 27 de abril de 2017
CONVITE Escola Sem Partido: A Educação na Perspectiva da Classe Trabalhadora
O Comitê de Base da Educação da Corrente Sindical Unidade Classista Belo Horizonte/MG convida a todos os amigo(a)s, companheiro(a)s e demais interessados para o debate coletivo com o tema Escola Sem Partido: A Educação na Perspectiva da Classe Trabalhadora.
Dia 20/05 14h na
rua Curitiba, 656, sexto andar
Não haverá
palestrante, será um debate aberto. Além deste tema, iremos
discutir também a conjuntura político-econômica e teremos
deliberações e encaminhamentos para a Ação.
quarta-feira, 26 de abril de 2017
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
As prioridades da Unidade Classista para 2017
O ano de 2016 tem sido difícil para a classe trabalhadora. O chamado
“ajuste fiscal” iniciado por Dilma foi acelerado com a ascensão
ilegítima de Temer à Presidência da República. Desde o início do
processo de impeachment alertávamos que este era o verdadeiro
objetivo da coalizão golpista que reuniu desde partidos até então
integrantes da base aliada do PT até os tucanos.
Se alguém ainda acreditava que tal movimentação política visava à moralização do país, os escândalos de corrupção que estouram dia após dia, envolvendo membros do Governo Federal e o próprio Presidente, deixam claro o tamanho da ilusão. Enquanto isso, foi aprovada a PEC 55, determinando, como exigia a burguesia, o congelamento dos gastos públicos pelos próximos vinte anos. Ou seja, o pagamento de juros da “dívida pública” foi blindando, enquanto a garantia de direitos sociais previstos na Constituição, como saúde e educação, foi ainda mais ameaçada. Ao mesmo tempo, começou a ser discutida na Câmara a Contrarreforma da Previdência.
E o que tem feito as direções das maiores centrais sindicais do país frente a todos esses ataques do empresariado e seus representantes? Infelizmente, como esperávamos, a realidade tem mostrado que não podemos contar com elas. Isso não significa que, caso resolvam realizar lutas por nenhum direito a menos, não devamos marchar juntos, em unidade de ação. Significa que não podemos depender das direções da CUT, UGT, CTB, Força Sindical etc e devemos buscar contato direto com as bases.
Sem sombra de dúvida, o ano de 2017 será marcado por grandes desafios ao campo sindical classista e combativo. O empresariado está empenhado em impor um retrocesso que destrua nossas conquistas históricas e imponha à nossa classe a volta a patamares de direitos do início do século passado. Portanto, teremos muitas lutas pela frente e não devemos poupar esforços na defesa dos interesses dos trabalhadores!
Mas não basta disposição. Sem organização e firmeza na linha política não chegaremos longe. Cada militante da Unidade Classista precisa estar plenamente consciente de nossas tarefas diante da atual situação política, econômica e social do Brasil. Crescem as condições objetivas para que cada vez mais trabalhadores rejeitem a conciliação de classes, os pelegos e os burocratas no movimento sindical e popular.
Porém nada garante a adesão automática da classe a uma perspectiva revolucionária. A direita está ativa em campo, se apresentando como alternativa às massas. Logo, a responsabilidade dos militantes classistas nesta disputa torna-se ainda maior.
Precisamos compreender bem nossas prioridades:
• Intensificar as ações de agitação e propaganda junto às categorias estratégicas e bairros operários (utilizando o jornal O Poder Popular, os textos nacionais da Unidade Classista, panfletos locais). Não adianta apenas distribuir materiais: é fundamental dialogar com os trabalhadores, ouvindo-os e explicando nossas avaliações e propostas, como a greve geral contra a Reforma da Previdência, por exemplo;
• A fragmentação do campo sindical classista, contudo, tem inviabilizado uma maior unificação da resistência da classe trabalhadora em nível nacional. Apesar das importantes lutas comuns que tem sido travadas, das quais participamos ativamente, o enfrentamento da ofensiva burguesa exige um bloco alternativo mais organizado e coeso em torno de bandeiras unitárias. Por isso, é fundamental discutirmos com as bases, em cada sindicato e movimento operário, sobre a importância de realizarmos um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora (ENCLAT);
• Organizar Comitês de Base que discutam a realidade, planejem e executem ações concretas: participação em assembleias de base, panfletagens, disputa de eleições sindicais, mobilizações, ações unitárias com setores aliados etc.
• Implementar nossas políticas de finanças;
• Realizar estudos e leituras coletivas dos materiais da Unidade Classista, principalmente o Caderno Nacional nº 1, “Política, Organização e Formação”, disponível no site unidadeclassista.org.br;
Se alguém ainda acreditava que tal movimentação política visava à moralização do país, os escândalos de corrupção que estouram dia após dia, envolvendo membros do Governo Federal e o próprio Presidente, deixam claro o tamanho da ilusão. Enquanto isso, foi aprovada a PEC 55, determinando, como exigia a burguesia, o congelamento dos gastos públicos pelos próximos vinte anos. Ou seja, o pagamento de juros da “dívida pública” foi blindando, enquanto a garantia de direitos sociais previstos na Constituição, como saúde e educação, foi ainda mais ameaçada. Ao mesmo tempo, começou a ser discutida na Câmara a Contrarreforma da Previdência.
E o que tem feito as direções das maiores centrais sindicais do país frente a todos esses ataques do empresariado e seus representantes? Infelizmente, como esperávamos, a realidade tem mostrado que não podemos contar com elas. Isso não significa que, caso resolvam realizar lutas por nenhum direito a menos, não devamos marchar juntos, em unidade de ação. Significa que não podemos depender das direções da CUT, UGT, CTB, Força Sindical etc e devemos buscar contato direto com as bases.
Sem sombra de dúvida, o ano de 2017 será marcado por grandes desafios ao campo sindical classista e combativo. O empresariado está empenhado em impor um retrocesso que destrua nossas conquistas históricas e imponha à nossa classe a volta a patamares de direitos do início do século passado. Portanto, teremos muitas lutas pela frente e não devemos poupar esforços na defesa dos interesses dos trabalhadores!
Mas não basta disposição. Sem organização e firmeza na linha política não chegaremos longe. Cada militante da Unidade Classista precisa estar plenamente consciente de nossas tarefas diante da atual situação política, econômica e social do Brasil. Crescem as condições objetivas para que cada vez mais trabalhadores rejeitem a conciliação de classes, os pelegos e os burocratas no movimento sindical e popular.
Porém nada garante a adesão automática da classe a uma perspectiva revolucionária. A direita está ativa em campo, se apresentando como alternativa às massas. Logo, a responsabilidade dos militantes classistas nesta disputa torna-se ainda maior.
Precisamos compreender bem nossas prioridades:
• Intensificar as ações de agitação e propaganda junto às categorias estratégicas e bairros operários (utilizando o jornal O Poder Popular, os textos nacionais da Unidade Classista, panfletos locais). Não adianta apenas distribuir materiais: é fundamental dialogar com os trabalhadores, ouvindo-os e explicando nossas avaliações e propostas, como a greve geral contra a Reforma da Previdência, por exemplo;
• A fragmentação do campo sindical classista, contudo, tem inviabilizado uma maior unificação da resistência da classe trabalhadora em nível nacional. Apesar das importantes lutas comuns que tem sido travadas, das quais participamos ativamente, o enfrentamento da ofensiva burguesa exige um bloco alternativo mais organizado e coeso em torno de bandeiras unitárias. Por isso, é fundamental discutirmos com as bases, em cada sindicato e movimento operário, sobre a importância de realizarmos um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora (ENCLAT);
• Organizar Comitês de Base que discutam a realidade, planejem e executem ações concretas: participação em assembleias de base, panfletagens, disputa de eleições sindicais, mobilizações, ações unitárias com setores aliados etc.
• Implementar nossas políticas de finanças;
• Realizar estudos e leituras coletivas dos materiais da Unidade Classista, principalmente o Caderno Nacional nº 1, “Política, Organização e Formação”, disponível no site unidadeclassista.org.br;
Estas são as nossas principais tarefas no momento. Nosso esforço em realizá-las faz parte de um objetivo maior:
UNIR OS TRABALHADORES PARA BARRAR OS ATAQUES DO CAPITAL!
UNIR OS TRABALHADORES PARA BARRAR OS ATAQUES DO CAPITAL!
Fonte: https://unidadeclassista.org.br/uc1/2649
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Conferência Estadual de Educação/MG - Nota da Unidade Classista
Os
Trabalhadore(a)s da Educação Básica da corrente sindical UNIDADE
CLASSISTA manifestam o
seu irrestrito apoio às greves e ocupações dos estudantes,
professores e funcionários de escolas secundaristas, institutos
federais e universidades em defesa do ensino público, gratuito,
laico e de qualidade para todos os estudantes. Essa luta que hoje
envolve mais de mil e duzentas escolas, universidades e institutos
federais de ensino é contra o desmonte da educação pública, cujo
objetivo é privatizar o que ainda resta de ensino público no país,
implantar o obscurantismo e o fundamentalismo religioso nas escolas e
universidades, quebrar a liberdade dos docentes e evitar qualquer
formação crítica dos estudantes, instaurando uma política
educacional digna dos tempos do fascismo.
Mas a luta é também
contra a PEC 55, que visa congelar os gastos públicos, especialmente
em saúde e educação por 20 anos, uma medida que se não for
barrada pelo povo nos conduzirá à barbárie social, levando o país
a um retrocesso social brutal, que se torna mais escandaloso se
levarmos em conta que vivemos numa sociedade onde existe uma das
piores distribuições de renda do mundo, com mais de 50 milhões de
pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.
Também nos opomos a
modificação do currículo do ensino médio anunciada pelo MEC. Ela
ocorre em detrimento a diversas reivindicações de entidades de
classe ligadas à Educação, sem o devido diálogo com as mesmas.
Preferiu-se impor a MP, de cima para baixo e em meio a um repertório
de ajustes e reformas neoliberais que restringem direitos e condições
adequadas aos serviços públicos mais essenciais.
Sob a justificativa de
que os Idebs estão estagnados desde 2011 e de que a carga horária
das disciplinas é muito extensa e pouco produtiva, o MEC, de uma só
vez, restringiu no currículo escolar disciplinas como Filosofia e
Sociologia, Educação Física e Artes, além de enquadrar as demais
disciplinas em quatro grandes áreas de conhecimento, facultando à
Base Nacional Comum Curricular o que será ofertado.
Isso significa que
dependendo do novo Parâmetro Pedagógico, essas disciplinas, assim
como outras, poderão ser diluídas e enquadradas em um único
conteúdo, o que reduzirá efetivamente a quantidade de profissionais
por áreas específicas, acoplando-as por áreas comuns, tais como
biologia e química, perdendo-se com isso a devida apreciação do
conteúdo e o desenvolvimento cognitivo dessas matérias.
Por fim, a
discrepância chega ao ponto de se eliminar a exigência mínima de
formação pedagógica para o exercício do magistério, precarizando
mais ainda a qualidade do ensino, através da contratação, sem
concursos públicos, de “profissionais com notório saber” para
cobrir o déficit de professores especializados em algumas áreas,
como química, física e biologia, ao invés de encarar de frente os
motivos dessa realidade; além disso, abre um grande precedente para
o apadrinhamento político nas escolas públicas de pessoas próximas
a Diretores e Secretários Municipais de Educação, usando o espaço
público para fins escusos.
Enquanto isso, a ofensiva do capital sobre o trabalho se
aproveita do caminho aberto por sindicalistas conciliadores, que em
troca de migalhas adotaram a defesa incondicional de governos em
prejuízo da luta autônoma dos trabalhadores. Buscando protegê-los
da turbulência oriunda da adoção de medidas impopulares, foram
aceitando acordos coletivos rebaixados e exaltando políticas
emergenciais-compensatórias como se fossem grandes conquistas para
classe trabalhadora.
Graves são os ataques
impetrados pelos governos contra a educação pelo Brasil afora:
governos que não cumprem a lei do Piso, que iludem a sociedade com
alternativas falaciosas, como o caso de Goiás com a administração
escolar feitas pelas Organizações Sociais (Oss), que na verdade são
organizações privadas, a militarização de escolas (Goiás e
Amazonas), fechamento de escolas em São Paulo, agressões físicas e
psicológicas brutais contra professores em greve como no Paraná, e
o parcelamento de salários em Minas, Rio de Janeiro e no Rio Grande
do Sul.
Em Minas Gerais, o
governo de Pimentel, que se elegeu em decorrência do desgaste dos
governos do PSDB, apresentou à ALMG, depois de várias reuniões com
o sindicato, uma proposta de abono salarial em substituição ao
subsídio. Pior, anunciou e propagandeou que está pagando o Piso (o
que não seria mais do que sua obrigação) em um acordo histórico
com os trabalhadores da educação. E assim, mais uma vez fomos
lubridiados.
O que se vê na
educação pública em MG é que os governos de PT, PSDB, PMDB, etc,
se colocam de forma completamente servil às exigências da classe
dominante, com profundos cortes nos programas sociais para garantir o
pagamento dos juros aos rentistas.
Dessa forma, os
Trabalhadores e Trabalhadoras da
Educação Básica organizados na corrente sindical UNIDADE
CLASSISTA consideramos
que o momento é de concentrar esforços para a mobilização e a
organização da classe trabalhadora em luta por suas demandas e para
construirmos a unidade de ação das forças anticapitalistas, como
condições para o enfrentamento da ofensiva contra os interesses dos
trabalhadores e dos setores populares.
Rumo
ao Encontro da Classe Trabalhadora - ENCLAT
Defender
direitos e na luta ampliar conquistas.
Ousar
lutar pelo Poder Popular
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – ANDES-SN
Mais de 1100 escolas e institutos federais seguem ocupados.
Estado opera com violência e apoio de grupos conservadores para forçar
reintegração de posse e desocupação de escolas
Desde o final de setembro, o Brasil tem testemunhado uma crescente
nas ocupações de escolas, institutos federais e universidades. Iniciado
por estudantes secundaristas no Paraná, em oposição à Medida Provisória
746/2016 – que promove a contrarreforma do ensino médio -, o movimento
de resistência incorporou à pauta a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016 (atual PEC 55),
que congela por 20 anos os gastos da União em áreas sociais, e se
espalhou por todo o país, tanto no ensino básico quanto superior.
Atualmente, já são 60 universidades federais e estaduais ocupadas em
todas as regiões (veja ao final), além de mais de 1100 escolas e
institutos federais. Com a aprovação da PEC 241/16 na Câmara, e seu
envio ao Senado, como PEC 55,
os estudantes universitários intensificaram as ações. Nessa
segunda-feira (31), uma assembleia, com mais de 1 mil presentes,
deliberou pela ocupação da Universidade de Brasília (UnB), espaço
símbolo da resistência estudantil durante a ditadura
empresarial-militar. As ocupações contam com apoio das seções sindicais
do ANDES-SN.
Em diversas instituições, o calendário acadêmico já foi suspenso.
Além das ocupações estudantis, técnico-administrativos já estão em greve
em 39 universidades federais, de acordo com a Fasubra. A paralisação
foi deflagrada na segunda (24), contra a PEC 241 (PEC55) e os ataques à
educação pública. Docentes de duas universidades, Federal de Uberlândia e de Pelotas, também já deflagraram greve.
Neste final de semana, representantes dos setores das Instituições Federais (Ifes) e das Instituições Estaduais e Municipais de Ensino Superior (Iees/Imes) do ANDES-SN irão se reunir em Brasília (DF) para avaliar a conjuntura e definir as ações para as próximas semanas.
Neste final de semana, representantes dos setores das Instituições Federais (Ifes) e das Instituições Estaduais e Municipais de Ensino Superior (Iees/Imes) do ANDES-SN irão se reunir em Brasília (DF) para avaliar a conjuntura e definir as ações para as próximas semanas.
Violência Policial
Para desmobilizar e encerrar as ocupações, os governos têm feito uso da violência policial para intimidar os estudantes.
Além disso, representantes de grupos conservadores têm atacado várias
escolas com o objetivo de forçar a desocupação, principalmente dos
prédios que irão sediar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no
próximo final de semana (5 e 6). As ações desses grupos se
intensificaram desde essa segunda, quando se encerrou o prazo dado pelo Ministério da Educação para liberação dos prédios escolares.
Em Brasília (DF), por exemplo, após uma noite de terror, em que um
grupo tentou invadir o Centro de Ensino Asa Branca de Taguatinga –
Cemab, ocupado por estudantes secundaristas, jogando bombas dentro da
escola, o Ministério Público do Distrito Federal determinou a
desocupação da escola localizada na região administrativa do Distrito
Federal, na manhã desta terça-feira (1). A ofensiva foi comandada pela
Polícia Militar, que expulsou mais de 60 estudantes que ocupavam as
instalações da unidade escolar.
Segundo uma das advogadas que acompanha o caso em defesa dos
estudantes, não há nenhuma fundamentação jurídica no pedido do MPDFT,
por se tratar de uma ação de abandono material, incabível no caso de
desocupação, uma vez que a decisão (de retirar os alunos) não se coaduna
como o pedido.
Mais grave ainda foi o posicionamento do juiz Alex Costa de Oliveira,
no despacho de reintegração de posse. “Autorizo expressamente que a
Polícia Militar utilize meios de restrição à habitabilidade do imóvel,
tal como suspenda o corte do fornecimento de água, energia e gás. Da
mesma forma, autorizo que restrinja o acesso de terceiros, em especial
parentes e conhecidos dos ocupantes, até que a ordem seja cumprida”,
ordenou.
Enem parcialmente adiado
Em nota divulgada na noite dessa terça (1), o MEC anunciou o
adiamento parcial do Enem para mais de 190 mil estudantes para os dias 3
e 4 de dezembro, devido a ocupação de 304 locais onde seriam realizados
os exames. Os estudantes que realizarão a prova em nova data serão
avisados pelo ministério da alteração.
Confira a lista de universidades ocupadas:
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
A reforma de Temer (ou a destruição do ensino médio)
A maioria do povo brasileiro foi surpreendido na última semana com a
imposição de uma reforma no ensino médio. Não que devêssemos esperar o
contrário de um governo oriundo de um golpe parlamentar, mas a ausência
de diálogo assustou a todas as entidades que vinham participando das
mudanças que vem ocorrendo nos últimos anos em todos os níveis da
educação.
Além de uma profunda crítica a Medida Provisória, será necessário
muita organização e luta dos trabalhadores da educação, estudantes e de
toda a classe trabalhadora que tem mais um direito sendo roubado.
A reforma vem escondida em duas medidas que parecem ser positivas: o
ensino em tempo integral e a possibilidade de aprofundamento dos estudos
em áreas de interesse dos estudantes. No entanto, seria muito mais
lógico começar a implantar o tempo integral no ensino fundamental que é o
grande funil do ensino brasileiro, principalmente no final do segundo
segmento. Já o aprofundamento dos estudos em áreas de interesses dos
alunos seria muito bem-vinda sem que isso significasse a retirada dos
conteúdos hoje obrigatórios. São esses conteúdos que são cobrados nas
provas de acesso às universidades e que permitem a alguns jovens da
classe trabalhadora ingressar nas melhores universidades do país.
A MP da reforma coloca um limite de 1200 horas, ou seja, metade da
carga horária atual (2.400h em 3 anos) para a Base Nacional Comum
Curricular (BNCC). Essa limitação implica que mesmo seja implementada o
tempo integral, tudo que hoje é ensinado em 3 anos ou 2400h, será
limitado a, no máximo, 1200h.
A alteração no art. 36 LDB, através da inclusão do inciso 6o:
§ 6º A carga horária destinada ao cumprimento da Base Nacional Comum
Curricular não poderá ser superior a mil e duzentas horas da carga
horária total do ensino médio, de acordo com a definição dos sistemas de
ensinos.
Sobre a BNCC, ainda não há uma definição sobre como será finalizada. O
processo de discussão foi duramente criticado por vários setores da
educação. Foi iniciado durante o governo Dilma e durante o processo foi
paralisado em função do golpe institucional contra a presidente.
Art. 36. O currículo do ensino médio será composto pela Base Nacional
Comum Curricular e por itinerários formativos específicos, a serem
definidos pelos sistemas de ensino, com ênfase nas seguintes áreas de
conhecimento ou de atuação profissional:
I – linguagens;
II – matemática;
III – ciências da natureza;
IV – ciências humanas; e
V – formação técnica e profissional.
O aluno que escolher qualquer um dos itens específicos terá contato
com o conjunto de conhecimentos do ensino médio apenas em metade do
ensino médio, ficando mal preparado para as provas de seleção no ensino
superior das melhores universidades que demandam um conhecimento do
conjunto dos conteúdos do ensino médio. Além disso, é no 3o ano do E.M.
que os estudos são mais determinantes no sucesso dos alunos nas provas
de seleção.
A seguir temos o ponto da reforma que redefine o modelo do ensino
médio. Se durante as três últimas décadas lutamos para construir um
modelo universalista contra aquele da ditadura militar voltado apenas
para o trabalho e formação da força de trabalho.
§ 9º A critério dos sistemas de ensino, a oferta de formação a que se refere o inciso V do caput considerará:
I – a inclusão de experiência prática de trabalho no setor produtivo
ou em ambientes de simulação, estabelecendo parcerias e fazendo uso,
quando aplicável, de instrumentos estabelecidos pela legislação sobre
aprendizagem profissional; e
II – a possibilidade de concessão de certificados intermediários de
qualificação para o trabalho, quando a formação for estruturada e
organizada em etapas com terminalidade.
A possibilidade de integração com o setor produtivo é bem mais
agressiva que a concentração do ensino na formação para o mercado de
trabalho. Pensa-se aqui que a experiência da atividade laboral faça
parte da formação do ensino médio. Assim, trata-se de disponibilização
de força de trabalho a baixo custo para estudantes ainda em formação no
ensino médio. Uma medida de redução de custos para o empresariado.
Considerando o artigo 2o da MP chegamos a questão do financiamento,
ponto que tem passado despercebido pelas análises da reforma.
Art. 2º A Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007, passa a vigorar com as seguintes alterações:
“Art. 10. …………………………………………………………………………………………..
XIV – formação técnica e profissional prevista no inciso V do caput do art. 36 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996;
XV – segunda opção formativa de ensino médio, nos termos do § 10º do caput do art. 36 da Lei nº 9.394, de 1996;
A Lei 11.494/2007 trata do uso dos recursos do FUNDEB (Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação). O FUNDEB foi a principal política
desenvolvidas na última década para o aporte de recursos públicos para a
educação pública. Considerando os pontos XIV e XV que foram incluídos
na destinação de recursos do FUNDEB e que tratam do eixo
profissionalizante proposto como uma das modalidades da parte
diversificada do ensino médio e da “inclusão de experiência prática de
trabalho no setor produtivo”, respectivamente. Concluímos, assim, que os
recursos do FUNDEB podem ser utilizados para o financiamento da parte
da formação do aluno no interior de empresas. Isto é, não apenas força
de trabalho a baixo custo, pois ainda em formação, mas também,
possivelmente remunerada com recursos públicos. O texto da MP não deixa
suficientemente claro como se daria, mas abre a possibilidade de que
empresas recebam recursos do FUNDEB com a justificativa de que estão
incluídas na parte prática do ensino profissionalizante.
Outro ponto a ser destacado são os “certificados intermediários” que,
na verdade, permite que o aluno possa cursar por semestres, como ocorre
na educação de jovens e adultos. Cristaliza-se a formação parcializada
característica de modalidades de ensino semi-presenciais como o famoso
“supletivo”. Além disso, cria insegurança para os professores que podem
perder turmas caso uma quantidade significativa de alunos não opte por
continuar o segundo semestre naquele momento.
§ 14. Além das formas de organização previstas no art. 23, o ensino
médio poderá ser organizado em módulos e adotar o sistema de créditos ou
disciplinas com terminalidade específica, observada a Base Nacional
Comum Curricular, a fim de estimular o prosseguimento dos estudos.
Assim, permite que a lógica da “otimização” ganhe terreno. A escola
não pode ser pensada como uma fábrica em que a as salas devem estar
cheias “aproveitando” ao máximo cada professor.
A ampliação das formas de avaliação no inciso 17 do artigo 1o
permite, na verdade, uma flexibilização do modelo de avaliação,
permitindo, “mediante diferentes formas de comprovação, que o aluno seja
avaliado através de:
I – demonstração prática;
II – experiência de trabalho supervisionado ou outra experiência adquirida fora do ambiente escolar;
III – atividades de educação técnica oferecidas em outras instituições de ensino;
IV – cursos oferecidos por centros ou programas ocupacionais;
V – estudos realizados em instituições de ensino nacionais ou estrangeiras; e
VI – educação a distância ou educação presencial mediada por tecnologias.” (NR)
O ponto VI permite que o estudante é uma aberração em si. Permitir
que se avalie a partir de educação presencial mediada por tecnologias
pode ser qualquer coisa, até mesmo prova através da internet. As
tecnologias são pensadas como mutiladoras da relação
professor-estudante, isto é, do próprio processo pedagógico.
Sobre a possibilidade de contratação de qualquer profissional para
dar aulas no ensino médio, sem ser formado em alguma licenciatura vale
ler o artigo “‘Notório saber’: vire professor em 5 semanas”. A maior
oferta de profissionais, ainda mais em tempos de crise econômica, será
mais um fator a forçar para baixo os salários dos professores, seja do
ensino público ou privado. Além da rotatividade e falta de preparo
adequado, precarizando ainda mais a educação.
Em apenas uma canetada o atual governo quer destruir a luta de uma
geração por uma educação de qualidade, gratuita e universal. Desde o
período final da ditadura empresarial-militar os movimentos organizados
da classe trabalhadora colocaram a educação como um dos pontos centrais
do seu programa para a transição à democracia representativa. Muitas
lutas permitiram chegar a criação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação, em 1996, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Além
dos massacres sobre os movimentos populares que tentaram resistir à onda
de privatizações e a imposição do seu programa de arrocho sobre os
trabalhadores, FHC cortou a LDB pelo cordão umbilical pois impediu que
fossem destinados os 7% do PIB para a educação, como se defendia na
época. Agora, ainda sem garantir os recursos necessário para fazer a
educação funcionar o governo Temer quer desmantelar o que foi
conquistado com aquelas lutas. Ainda que o PT também seja responsável
pelo que está acontecendo em função de ter escolhido governar para e
junto com a burguesia, este é o momento de juntar forças com quem quer
que seja na luta contra a reforma do ensino médio. Os estudantes
secundaristas e profissionais da educação de todo o Brasil, certamente,
terão um protagonismo fundamental nessa luta, sem o qual estamos fadados
a sofrer uma das piores derrotas no âmbito da educação nos últimos 30
anos.
Autor: Anderson Tavares (C.B – U.C -RJ)
Retirado de: https://pcb.org.br/portal2/12348
Fontes:
LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional,
LEI Nº 11.494, DE 20 DE JUNHO DE 2007, regulamenta o uso dos recursos do FUNDEB.
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 746, DE 22 DE SETEMBRO DE 2016.
Artigos consultados:
“‘Notório saber’: vire professor em 5 semanas”, Blog do Freitas. Retirado de:
“Notório saber”: vire professor em 5 semanas
“Notório saber”: vire professor em 5 semanas
“Reforma de ensino médio do (des) governo de turno: decreta-se uma escola para os ricos e outra para os pobres” Retirado de:
http://www.anped.org.br/news/reforma-de-ensino-medio-do-des-governo-de-turno-decreta-se-uma-escola-para-os-ricos-e-outra
http://www.anped.org.br/news/reforma-de-ensino-medio-do-des-governo-de-turno-decreta-se-uma-escola-para-os-ricos-e-outra
http://csunidadeclassista.blogspot.com.br/2016/10/a-reforma-de-temer-ou-destruicao-do.html
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Reforma de ensino médio do (des) governo de turno: decreta-se uma escola para os ricos e outra para os pobres
A reforma de ensino médio proposta pelo bloco de poder que tomou o
Estado brasileiro por um processo golpista, jurídico, parlamentar e
midiático, liquida a dura conquista do ensino médio como educação básica
universal para a grande maioria de jovens e adultos, cerca de 85% dos
que frequentam a escola pública. Uma agressão frontal à constituição de
1988 e a Lei de Diretrizes da Educação Nacional que garantem a
universalidade do ensino médio como etapa final de educação básica.
Os proponentes da reforma, especialistas analfabetos sociais e
doutores em prepotência, autoritarismo e segregação social, são por sua
estreiteza de pensamento e por condição de classe, incapazes de entender
o que significa educação básica. E o que é pior, se entende não a
querem para todos.
Com efeito, por rezarem e serem co-autores da cartilha dos
intelectuais do Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, etc.,
seus compromissos não são com direito universal à educação básica, pois a
consideram um serviço que tem que se ajustar às demandas do mercado.
Este, uma espécie de um deus que define quem merece ser por ele
considerado num tempo histórico de desemprego estrutural. O ajuste ou a
austeridade que se aplica à classe trabalhadora brasileira, da cidade e
do campo, pelas reformas da previdência, reforma trabalhista e
congelamento por vinte anos na ampliação do investimento na educação e
saúde públicas, tem que chegar à escola pública, espaço onde seus filhos
estudam.
A reforma do ensino médio que se quer impor por Medida Provisória
segue figurino da década de 1990 quando MEC era dirigido por Paulo
Renato de Souza no Governo Fernando Henrique Cardoso. Não por acaso
Maria Helena Guimarães é a que de fato toca o barco do MEC. Também não
por acaso que o espaço da mídia empresarial golpista é dado a figuras
desta década.
Uma reforma que retrocede ao obscurantismo de autores como Desttut de
Tracy que defendia, ao final do século XIX, ser da própria natureza e,
portanto, independente da vontade dos homens, a existência de uma escola
rica em conhecimento, cultura, etc., para os que tinham tempo de
estudar e se destinavam a dirigir no futuro e outra escola rápida,
pragmática, para os que não tinham muito tempo para ficar na escola e se
destinavam (por natureza) ao duro ofício do trabalho.
Neste sentido é uma reforma que anula Lei Nº. 1.821 de 12 de março de
1953. Que dispõe sobre o regime de equivalência dos cursos de grau
médio para efeito de matrícula nos curso superiores e cria novamente,
com outra nomenclatura, o direcionamento compulsório à universidade. Um
direcionamento que camufla o fato de que para a maioria da classe
trabalhadora seu destino são as carreiras de menor prestigio social e de
valor econômico.
Também retrocede e torna, e de forma pior, a reforma do ensino médio
da ditadura civil militar que postulava a profissionalização compulsória
do ensino profissional neste nível de ensino. Piora porque aquela
reforma visava a todos e esta só visa os filhos da classe trabalhadora
que estudam na escola pública. Uma reforma que legaliza o apartheid
social na educação no Brasil.
O argumento de que há excesso de disciplinas esconde o que querem
tirar do currículo – filosofia, sociologia e diminuir a carga de
história, geografia, etc. E o medíocre e fetichista argumento que hoje o
aluno é digital e não agüenta uma escola conteudista mascara o que
realmente o aluno desta, uma escola degradada em seus espaços, sem
laboratórios, sem auditórios de arte e cultura, sem espaços de esporte e
lazer e com professores esfacelados em seus tempos trabalhando em duas
ou três escolas em três turnos para comporem um salário que não lhes
permite ter satisfeitas as suas necessidades básicas. Um professorado
que de forma crescente adoece. Os alunos do Movimento Ocupa Escolas não
pediram mais aparelhos digitais, estes eles têm nos seus cotidianos.
Pediram justamente condições dignas para estudar e sentir-se bem no
espaço escolar.
Por fim, uma traição aos alunos filhos dos trabalhadores, ao achar
que deixando que eles escolham parte do currículo vai ajuda-los na vida.
Um abominável descompromisso geracional e um cinismo covarde, pois
seus filhos e netos estudam nas escolas onde, na acepção de Desttut
de Tracy estudam os que estão destinados a dirigir a sociedade. Um
reforma que legaliza a existência de uma escola diferença para cada
classe social. Justo estes intelectuais que em seus escritos negam a
existência das classes sociais.
Quando se junta prepotência do autoritarismo, arrogância,
obscurantismo e desprezo aos direitos da educação básica plena e igual
para todos os jovens, o seu futuro terá como horizonte a insegurança e a
vida em suspenso.
Gaudêncio Frigotto * Filósofo e Educador. Professor do Programa de Pós Graduação em
Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ)
Fonte: https://pcb.org.br/portal2/12283
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
A “Contra-Reforma” do Ensino Médio. A que interesses atende?
A Medida Provisória que modifica o currículo do ensino médio anunciada no dia 22 de setembro pode ser
considerada como um dos maiores retrocessos dos últimos 40 anos à
educação no Brasil. A MP alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(LDB) de 1996 sem diálogo com a sociedade, a não ser com o Conselho de
Secretários Estaduais de Educação, e está na contramão da Conferência
Nacional de Educação na qual participaram dezenas de entidades e
associações ligadas à educação.
Ela ocorre em detrimento a diversas reivindicações de entidades de
classe ligadas à Educação, sem o devido diálogo com as mesmas.
Preferiu-se impor a MP, de cima para baixo e em meio a um repertório de
ajustes e reformas neoliberais que restringem direitos e condições
adequadas aos serviços públicos mais essenciais.
Sob a
justificativa de que os Índices de Desenvolvimento da Educação Básica
(Ideb) estão estagnados desde 2011 e de que a carga horária das
disciplinas é muito extensa e pouco produtiva, o Ministério da Educação,
de uma só vez, restringiu no currículo escolar, disciplinas como
Filosofia e Sociologia, Educação Física e Artes, além de enquadrar as
demais disciplinas em quatro grandes áreas de conhecimento, facultando à
Base Nacional Comum Curricular o que será ofertado.
Isso
significa que dependendo do novo Parâmetro Pedagógico, essas
disciplinas, assim como outras, poderão ser diluídas e enquadradas em um
único conteúdo, o que reduzirá efetivamente a quantidade de
profissionais por áreas específicas, acoplando disciplinas por áreas
comuns, tais como biologia e química, perdendo-se com isso, a devida
apreciação do conteúdo e o desenvolvimento cognitivo dessas matérias.
Além disso, a Medida Provisória possui um duplo sentido conservador. O
primeiro, visa reduzir significativamente o quadro do funcionalismo do
magistério e assim promover os ajustes, entenda-se : “cortes” de
despesas com os servidores públicos; o segundo sentido é o de promover
ataques a disciplinas que sempre incomodaram as elites, tais como a
filosofia e a sociologia, que possibilitam uma reflexão mais crítica e
questionadora sobre a realidade social e o sentido de nossa existência.
Há ainda outra questão que chama a atenção e que deve ser denunciada.
Outra incoerência e confusão proposital é o anúncio da valorização da
“educação integrada”, como sinônimo de educação “educação integral”.
Ora, a educação integrada é um dos princípios defendidos pelo movimento
de educadores há anos e que defende a junção das disciplinas da base
comum com as disciplinas técnicas de modo integrado, possibilitando a
formação de um cidadão apto ao mundo do trabalho mas em condições de dar
prosseguimento aos seus estudos acadêmicos e que possa ter uma base
epistemológica completa, crítica e abrangente. A proposta faz essa
confusão com o ensino de tempo integral (geralmente em dois turnos) que
necessariamente não corresponde ao conceito referido acima e que pode
vir a se tornar mais um paliativo do que uma solução, pois as
contradições em que a educação pública vivencia hoje estão determinadas
mais pela falta de investimentos diretos e valorização dos servidores,
do que pela simples redistribuição de carga horária e ou a redução de
disciplinas nos currículos.
A MP aumenta a carga horária anual de
800h/a para até 1400h/a, sem estabelecer um mínimo de dias letivos- o
que abre um enorme precedente para que as Secretarias Regionais de
Ensino, estabeleçam calendários acima dos atuais 200 dias letivos. Além
disso submete à formulação futura da Base Nacional Comum Curricular
quais os conteúdos que serão incluídos no ensino de cada uma das macro
áreas de ensino (Linguagens, Matemáticas, Ciências da Natureza, Ciências
Humanas e Formação Técnica). Apenas Matemática e Português estariam
garantidas nos três anos do ensino médio, possibilitando que as demais
disciplinas possam ficar de fora do restante do currículo escolar,
retalhando dessa forma a condição de uma aprendizado mais completo e
geral. Por sua vez, a MP também atinge os currículos dos cursos
superiores de formação de docentes; estes deverão seguir como referência
a Base Nacional Comum Curricular (ainda em discussão) determinando
dessa forma mudanças também no ensino superior onde os futuros
profissionais em educação irão se formar. Há a possibilidade de
alterações profundas nesses currículos de modo a levar ao fechamento de
cursos específicos.
Outra grande contradição é a possibilidade do
fim do ensino politécnico nos Institutos Federais, pois a Medida
Provisória condiciona a separação do ensino técnico das demais
disciplinas a partir da metade do ensino médio, reeditando o velho
modelo tecnicista e utilitarista de educação, que reproduz em última
instância a nefasta dicotomia estrutural entre sujeitos que são
condicionados para o mundo do trabalho e outros que são adestrados para o
vestibular. (É importante que se destaque nesse quesito, que por mais
que o atual Governo tente justificar tal Medida Provisória em defesa da
formação de futuros profissionais para o mercado, como um maior
investimento na Formação Técnica e Profissional em detrimento da
formação unitária; isso por si só não garante de fato aumento de
possibilidade de empregabilidade e desenvolvimento. Essas duas
condicionantes só se equacionam conjugadas com um conjunto de outras
ações que façam a economia crescer e de fato, abra condições para a
abertura de postos de trabalho. Caso contrário teremos a reedição da
política tecnicista operada nos anos 1971 a 1979, quando no afã do
milagre econômico, por compulsoriedade, os Governos Militares obrigaram a
implementação da modalidade técnica em todas as escolas do antigo 2º
grau e o que se viu foi um grande contingente de profissionais técnicos
desempregados e que por haver uma grande oferta e baixa demanda, ainda
foram utilizados para pressionar os preços dos salários de profissionais
de nível superior para baixo, aumentando dessa forma a lucratividade
contratual das empresas frente a crise dos anos 70).
Ainda em se
tratando dos IF’s, a MP em seu artigo 36, faculta a possibilidade de
terceirização da modalidade técnica a partir de outras instituições,
imponde dessa forma a eminência de fechamento de diversas unidades de
ensino e o fim do investimento na expansão da rede tecnológica iniciada
em 2008.
Por fim, a discrepância chega ao ponto de se eliminar a
exigência mínima de formação pedagógica para o exercício do magistério,
precarizando mais ainda a qualidade do ensino, através da contratação,
sem concursos públicos, de “profissionais com notório saber” para cobrir
o déficit de professores especializados em algumas áreas, tais como:
química, física e biologia, ao invés de encarar de frente os motivos
dessa realidade; além disso, abre um grande precedente para o
apadrinhamento político nas escolas públicas de pessoas próximas de
Diretores e Secretários Municipais de Educação, usando o espaço público
para fins escusos.
Em nome de uma escola de base integral,
flexível e antenada com os interesses formativos dos estudantes, o que
se pretende é a redução massiva do quadro de servidores com
desligamentos de servidores concursados e fechamentos de vagas, aumento
da carga horária de trabalho, redução sistêmica de diversas disciplinas,
de modo a precarizar seu conteúdo, supervalorizando algumas áreas com
perspectivas utilitaristas em detrimento de outras, além da redução a
médio e longo prazo da possibilidade de condição de alunos de escolas
públicas e vindos da classe trabalhadora, terem condições e equidade de
acesso ao ensino superior.
Há a promessa de “aumento de
investimentos” e “auxílio” às escolas que aderirem ao novo modelo, mas
como acreditar nessa falácia – em tempos de austeridade impostas pelo
Mercado Financeiro e seus agentes monetários -, sendo que nos últimos
anos o MEC foi o ministério que mais teve cortes orçamentário, além de
tramitar no Congresso, PL(s) como a que congela por 20 anos
investimentos na educação!!!!
Dos sofismas discursivos da “Pátria
Educadora” do Governo Dilma, onde foi pensado inicialmente a essência
dessa MP e onde foi chocado o “Ovo da Serpente” com o PL nº 6840/2013 do
Deputado Federal Reginaldo Lopes ( PT-MG), ao repertório do Programa:
“Pinguela para o Passado” do (Des)Governo Temer, o que podemos constatar
inequivocamente é a tentativa de adaptar à fórceps a educação pública
aos interesses e imposições do mercado e seus paladinos de plantão.
Essa MP deve ser entendida como mais uma ação conservadora e retrógrada
em curso no Brasil e que associada a tantas outras em tramitação no
Congresso, irão condicionar menos direitos à classe trabalhadora e
restrições a qualquer possibilidade de mudança estrutural no status quo
dessa sociedade, cada vez mais alienada, instrumentalizada e subordinada
aos ditames neoliberais.
A Educação de modo geral, sempre foi um
campo estratégico em questões políticas, tanto em seus aspectos sociais
e a sua funcionalidade com relação a formação do perfil técnico e
cognitivo dos trabalhadores, quanto em relação à instrumentalização
ideológica do Estado a partir do ensino ou ao condicionamentos de acesso
ao conhecimento. Foi assim em 1759 quando o Marquês de Pombal promoveu a
primeira reforma educacional em Portugal e suas colônias diminuindo a
influência jesuíta no Estado; foi assim ao longo do século XX quando da
aprovação da 1ª LDB em 1961 e quando da resistência do Movimento
Estudantil aos acordos MEC/USAID em 1968, ou as manifestações de rua em
Paris que culminaram com grandes levantes estudantis nesse mesmo
período.
A luta pela Democratização do Ensino, pela ampliação de
investimentos na formação de nosso povo e valorização da escola pública
como espaço legítimo de acesso ao conhecimento e possibilidade de
alteração das determinações estruturais que se impõe à classe
trabalhadora, ganha mais um componente retrógrado, transvestido de
modernidade com todos os penduricalhos reluzentes (flexibilidade,
racionalização, autonomia) que iludem os mais desavisados.
Nesse
momento cabe àqueles que lutam pela Educação Pública, de Qualidade,
Democrática e Popular a tarefa de aprofundar o debate sobre a MP de modo
a revelar suas contradições, limites e incoerências para que se possa
fortalecer a unidade de ação contra mais esse ataque.
Fábio Bezerra é professor e membro do Comitê Central do PCB.
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
PT UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA
Boa
parte da militância de esquerda no Brasil hoje ataca o PT, sejam
ex-petistas organizados em outros partidos de esquerda, militantes de
movimentos sociais e ex-militantes do PT soltos e desiludidos com os
rumos e o caminho traçado pelo PT para chegar ao poder e
administrá-lo para o grande capital.
Para
entender o fenômeno PT é preciso entender a história recente do
Brasil, a luta de classe e como as classes dominantes traçaram os
rumos da ditadura empresarial-militar até a abertura e consolidação
da hegemonia burguesa no fim da ditadura em 1985.
Entre
o fim dos anos de 1970 e início dos anos de 1980, parte da sociedade
brasileira lutava contra a ditadura empresarial-militar instalada em
1964. A
burguesia brasileira tinha como objetivo o processo de abertura com
uma lenta transição democrático-burguesa, que tentou tirar de cena
os setores mais combativos ao regime, “em
especial o Partido Comunista Brasileiro-PCB”.
O
PCB através de suas organizações conseguiu agregar os diversos
setores descontentes com a ditadura, assim, começava o desgaste e o
aumento do prestígio das forças de oposição a ditadura. O PCB se
torna o principal alvo dos órgãos de repressão quando diversas
organizações do partido são atingidas, militantes e dirigentes do
partido são presos, torturados e assassinados e ainda hoje muitos
constam entre os desaparecidos, foi neste cenário tão desfavorável
para os comunistas que começava a movimentação para formar o
Partido dos Trabalhadores (PT).
O
Partido dos Trabalhadores se beneficia diretamente do cerco e
extermínio promovido pela ditadura contra o PCB, as ações do PCB
na articulação das forças políticas contra a ditadura
empresarial-militar foram fundamentais para o crescimento das
manifestações de massa contra o regime.
A
Igreja Católica através da teologia de libertação e diversos
grupos Trotskistas encontraram no PT uma possibilidade de rivalizar
com o PCB no movimento sindical, não foi à toa que um colégio
tradicional como o Sion forneceu espaço para a criação do PT em
1980, neste primeiro encontro, o Partido dos Trabalhadores se quer
falava em socialismo.
Os
partidos de esquerda, principalmente os comunistas sempre tiveram
dificuldades para dialogar com as instituições religiosas por causa
do comportamento conservador de alguns líderes, no entanto o PT
desde sua fundação, sempre contou com o apoio de diversas
instituições religiosas, não só católicos progressistas, mas
também entre os católicos carismáticos e também os protestantes
de onde veio, por exemplo, Benedita da Silva.
O
Partido dos Trabalhadores em seu nascedouro abrigou diversos grupos
de diversas matrizes, militantes que vieram do PCB, PCBR, ALN, MR8,
MDB, PCdoB e outros. Grupos da Igreja Católica e do Novo
Sindicalismo. Ao longo do crescimento do Partido dos Trabalhadores,
as tendências foram se adaptando a máquina partidária, grupos
Trotskistas como a Libelu e a Convergência Socialista que mais tarde
virou o PSTU, eram pequenos partidos dentro do PT. O PT já
surge legalizado e permitido pela ditadura empresarial-militar em
1980 atrelado ao fundo partidário, contribuindo desta maneira para
criar uma militância ligada à legalidade burguesa.
O
apoio ao socialismo é muito vago e esporádico, tanto que até hoje
o Partido dos Trabalhadores e suas diversas correntes não assumiram
que apoiaram o Solidariedade, grupo político apoiado pelo Vaticano,
pela “CIA e por toda direita mundial” que ficou
demonstrado mais tarde que o Solidariedade era anticomunista,
inimigos dos trabalhadores grupo que lutava para restaurar o
capitalismo na Polônia, quando de fato aconteceu a partir do governo
Lech Walece, ambos eram católicos, Walece e Lula foram recebidos
pelo Papa João Paulo II de linha conservadora inimigo declarado do
Socialismo e da Teologia da Libertação.
No
Movimento Sindical o PT quando surgiu se apresentava como o novo, a
grande novidade do movimento operário e sindical no Brasil. Começava
procurando falsificar a história das lutas dos trabalhadores como se
as lutas dos trabalhadores tivessem começado nos anos de 1970 e que
o PT era o primeiro partido operário no Brasil. Em nome do novo, o
Partido dos Trabalhadores procurava não só combater a era Vargas e
a estrutura sindical atrelado ao Estado, com os sindicatos
hegemonizados pelos chamados pelegos, mas procurava também combater
os Comunistas. Estes eram naquela conjuntura seus principais inimigos
a ser combatidos, não só por setores Católicos conservadores
anticomunista de onde veio o Lula como também os ex-PCB e grupos
Trotskistas que precisavam naquele momento combater a velha
capacidade de influência e articulação do PCB no meio sindical.
Até os anos de 1980, era difícil separar radicalmente sindicalistas
do PCB, foram os anos de cerco e perseguição promovida pela
ditadura empresarial-militar, mas os erros táticos do PCB entre o
fim da década de 1970 e início de 1980. Para se ter uma ideia, o
Partido dos Trabalhadores sempre foi um partido legalizado.
O
PCB teve o seu congresso realizado em 1982 na Praça Dom José
Gaspar, invadido pela Polícia Federal que enquadrou o PCB e seus
militantes e dirigentes na famigerada lei de segurança nacional,
isto em 1982. Enquanto os militantes do PT podiam andar livremente
usando suas camisetas do Solidariedade e falar bobagens contra o
Socialismo e os Comunistas.
O
chamado “Novo Sindicalismo” que despontava nas greves do ABC
paulista, surgiu descolados do Marxismo como orientação ideológica
e do Leninismo como orientação político-organizativa, se julgavam
o novo no movimento sindical negando todo passado de luta que o
Partido Comunista construiu.
O
inimigo não era apenas os pelegos da era Vargas, o inimigo a ser
combatido era os Comunistas, o próprio Lula já declarava o grande
empecilho que era a existência do PCB para a criação do Partido
dos Trabalhadores, já que, até aquele período o PCB era a
principal força política no meio sindical. Com acertos e erros
foram os comunistas desde a década de 1920 que apresentam um
programa claro de ruptura com o sistema capitalista. O PT desde o seu
nascimento sempre apresentou um programa difuso, não se assumiram
Sociais-Democratas, o PT desde quando se tornou a principal força
política no meio sindical e popular só tem conduzido as massas
trabalhadoras ao desarme político e ideológico, as ideias como
“cidadania” e “colaboração de classe” invadiram o meio
sindical hegemonizado pelo PT, surgiram criticando o PCB como velho,
terminaram como o que há de pior na traição de classe ao chegar no
Governo em 2002, os Sindicalistas Petistas se abrigaram na máquina
do Estado Burgues, se envolvendo na corrupção, aceitando fazer o
jogo do grande capital, “terminando mais pelego que os
pelegos que diziam combater”, o que acabou respingando em
toda esquerda no Brasil, deixando um Déficit organizativo no
conjunto das classes trabalhadoras brasileiras após treze anos de
Governo do PT.
Um
partido que surgiu como o PT com tamanha diversidade
político-ideológica e regional, só poderia dar nisso que deu, ao
negar o Marxismo como ideologia do proletariado e o Leninismo como
organização de um partido independente e de classe. O Partido dos
Trabalhadores abriu caminho ao pragmatismo político e possível
adaptação a ordem burguesa.
O
processo de degeneração do Partido dos Trabalhadores não começou
com a chegada de Lula a presidência da república em 2002, foi um
processo continuo de acordo com a conjuntura. Essa pluralidade no PT
se reflete com a formação da Associação Brasileira de Empresários
pela Cidadania, que apoiaram a candidatura de Lula em 1994 e 1998,
seja pela articulação de empresários através do grupo ETHOS,
liderado por Lawrence Pih, um importante empresário formado em
Filosofia na University Of Massachussetts nos Estados Unidos. Além
da contribuição e aliança com grandes empresários, o PT foi cada
vez mais um partido da ordem burguesa, quando começou a ganhar
prefeituras pelo país a fora com um Slogan despolitizado para não
afrontar o sistema capitalista, o famoso “o PT faz bem, o PT na
prefeitura só é nota cem”!! O Partido dos Trabalhadores nas
prefeituras ampliou sua relação com diversos empresários locais e
nacionais, viciando dirigentes locais, intermediários e nacionais na
convivência promiscua tão comum na sociedade capitalista. O PT se
apresentava como um gerenciador do capitalismo brasileiro. No governo
o PT e seus aliados dito de esquerda como o PCdoB procuravam
domesticar as massas trabalhadoras através da cooptação dos
movimentos sociais, confirmando uma previsão de Antonio Gramsci que
após 1917 a burguesia criou formas de cooptação das classes
subalternas sem que nem um tiro seja dado, isto é promovido através
da corrupção na máquina partidária e sindical onde funcionários
e militantes vão se adaptando a ordem burguesa. Gramsci apenas
aprofunda uma previsão de Lenin quando o dirigente Bolchevique
denunciava o perigo da formação da aristocracia sindical e operária
criada pelo imperialismo para amortecer a luta de classes. O Partido
dos Trabalhadores aceitou fazer este jogo quando construiu a
governabilidade burguesa.
Nos fóruns internacionais para agradar a burguesia do Brasil e o Imperialismo, o PT aumentou suas críticas as organizações do campo revolucionário, procurou negar a participação das Farcs no Fórum de São Paulo nos anos 1990. O PT passou a fazer alianças até mesmo com o PSDB e o DEM (antigo PFL), partidos que deram sustentação a neoliberalismo nos tempo de Fernando Henrique, mesmo após o impeachment de Dilma Rousseff o PT segue fazendo aliança no Brasil a fora com o mesmos partidos que votaram pelo afastamento da presidente Dilma, como o PMDB do atual presidente Michel Temer.
Com a carta aos brasileiros em 2002, o PT apenas consolida um longo processo iniciado no fim da década de 1970. O PT se beneficia do processo de abertura promovido pela ditadura empresarial-militar, mantendo o pacto conservador com a burguesia do Brasil e o imperialismo, assim foi feito nas negociações de bastidores entre Fernando Henrique e Lula, quando negociaram a viagem de Lula aos Estados Unidos após Lula ser eleito presidente do Brasil em 2002. Nesta negociação Lula e Fernando Henrique e os organismos internacionais decidiram nomear Henrique Meirelles, “homem de confiança dos grandes bancos nacionais e internacionais”. No plano interno para garantir a governabilidade burguesa o PT tratou de ampliar a base parlamentar com os velhos grupos políticos que sempre comandaram o capitalismo brasileiro, com isto o governo petista garantiu grandes lucros as grandes empresas através dos financiamentos do BNDES com as PPP’s, privatizações como as rodadas dos leilões do petróleo, ampliou o agronegócio, enquanto os Índios e os Quilombolas não tiveram suas terras reconhecidas e nem foi realizada a reforma agrária, tudo isso foi feito como o aval dos movimentos sociais hegemonizados pelo PT e seus aliados como: PCdoB, PDT e PSB, através de seus militantes e dirigentes fizeram o serviço sujo de ser a expressão da ideologia burguesa dentro dos movimentos sociais da classe trabalhadora.
Acordos e investimentos foram feitos em Cuba, China, Venezuela e Alguns países da África. Acordos feitos por puro interesse da burguesia brasileira, interessada em diversificar seus investimentos no exterior.
Se o governo do PT tivesse interesse em construir uma alternativa antiimperialista, teria investido na Alba a alternativa bolivariana construída pelo presidente Chaves da Venezuela. Não teria assinado acordos militares com os Estados Unidos, Israel e Colômbia, não teria aceitado a política imperialista de mandar tropas do Brasil para o Haiti, foi o próprio lula que disse em visita na Colômbia que a América Latina não precisava da Espada de Bolivar e sim de mais créditos, defendo na verdade a integração entre as burguesias da América Latina.
Podemos dizer que a burguesia brasileira é uma das mais pragmáticas do mundo. Ela é capaz de dizer que o governo do Brasil é contra o bloqueio a Cuba e ao mesmo tempo ter acordos com os Estados Unidos, diz ser solidária a causa Palestina enquanto tem acordos com Israel na área militar e comercial.
A política Social promovida pelo governo do PT foi muito rebaixada, não se trabalhou a politização das massas trabalhadoras que passaram até acesso ao consumo, apenas se criou uma falsa ideia de que se estava criando uma nova classe média no Brasil. Foi uma caricatura de uma social-democracia tentando aplicar uma política do bem estar em uma época em que os partidos sociais-democratas estão totalmente rendidos a política do grande capital não podendo mais fazer a mediação entre o conflito capital-trabalho.
No governo, o PT escolheu não afrontar a burguesia de plantão, não se tocou nos temas da luta de classes e não se fez o enfrentamento a política neoliberal dos governos anteriores nem procurou engavetar as reformas contra os trabalhadores e foi no governo Lula/Dilma que seguiram dando prosseguimento as reformas trabalhistas, sindical e previdenciária da era Fernando Henrique do PSDB.
Se por um lado o governo petista dava alguns benefícios à população de baixa de renda, do outro lado dava bilhões as grandes empresas através do apoio do Estado brasileiro.
Para chegar ao poder e garantir a governabilidade do grande capital, o PT não precisou romper com o marxismo, porque o PT não foi nem nunca quis ser um partido socialista ou comunista, para buscar alianças com a direita, o campo majoritário soube usar sua influência no interior do PT, enquanto alguns grupos ditos da esquerda do PT não romperam e nem saíram do PT, estes grupos também estavam viciados nas benesses dos mandatos, sendo assessores parlamentares. Quando alguns grupos da dita esquerda do PT saíram, não foi por livre opção, só saíram quando foram expulsos se não teriam ficado colados nas benesses do petismo como sempre fizeram desde a fundação do PT em 1980.
Hoje uma das grandes tarefas das forças políticas anticapitalistas no Brasil é desmascarar as forças políticas reformistas que ainda exercem influência no seio da classe trabalhadora. O Partido dos Trabalhadores cumpriu um desserviço na consciência e na história das lutas dos trabalhadores no Brasil. É hora de se resgatar a identidade de classe, romper com a conciliação e traição de classe promovida pelo petismo e seus aliados nestes treze anos em que estiveram no governo de ampla coalizão dos governos Lula/Dilma.
O petismo em seus treze anos de governo transformou antigos militantes em políticos envolvidos na sujeira comum da tradicional política burguesa, totalmente humilhados e rendidos nas mãos das classes dominantes, implorando participar do clube onde não foram convidados. Foram usados e chutados pela burguesia, porque os petistas foram quem de fato escolheram governar para o grande capital. Não dá para passar uma borracha como se nada tivesse acontecido nestes últimos treze anos. Como estão querendo fazer os militantes e dirigentes do PT e seus aliados com o objetivo de neutralizar e hegemonizar os movimentos sociais para tentar barrar a esquerda classista que não conciliou com os treze anos de governo de traição de classe.
Lembrando Caio Prado Junior, não podemos trabalhar com práticas políticas de alianças que levem ao desarme político e ideológico das classes trabalhadoras, devemos romper com velhas práticas para construir um programa anticapitalista que leve os trabalhadores a se colocar em movimento para manter e ampliar direitos.
Hoje mais do que nunca é necessário manter viva a consciência de classe para criar as condições da unidade de todos os trabalhadores para defender seus interesses legítimos. Romper com o reformismo e a conciliação deixando bem claro que de um lado estão às forças do passado que se aliam com a burguesia e de outro lado as forças políticas com um projeto claro de futuro de transformações radicais da realidade brasileira.
Na composição deste bloco de forças anticapitalista e antiimperialistas não há espaço nem para a conciliação nem para o reformismo. A partir daí poderemos lutar para superar o capitalismo em direção ao socialismo em nosso país.
José Renato André Rodrigues
Professor de Filosofia da Rede Pública Estadual do Estado do Rio de Janeiro
Secretário político do PCB na cidade de Nova Iguaçu - RJ
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Roda de conversa: Terceirização e precarização do trabalho
A terceirização é umas das principais formas de superexploração da mão-de-obra do trabalhador, já que os empregados desse tipo ganham 25 por cento a menos do que os trabalhadores diretos; eles trabalham em média três horas por semana a mais que os não terceirizados e sofrem mais acidentes de trabalho. Para lutarmos contra esse retrocesso é preciso que toda a classe trabalhadora discuta o tema e se organize. Só assim vamos manter o que é nosso por direito, fruto de muita luta, e conquistado com muito suor pela classe trabalhadora brasileira. Defendemos que nenhum direito seja cortado, e que avancemos em novas conquistas.
Por isso a Unidade Classista, corrente sindical da esquerda revolucionária que atua com a perspectiva de ajudar no processo de organização dos trabalhadores para o enfrentamento aos ataques que o sistema capitalista e seus gestores nos impõem, convida todos os trabalhadores e trabalhadoras para a roda de conversa TERCEIRIZAÇÃO E PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO, no dia 13 de Agosto, às 14 horas, no sindados.
Sindados MG- Rua David Campista, 150 - Floresta, Belo Horizonte- MG
A mesa será composta por:
Deise Luiza- Professora do curso de Administração da FACE UFMG.
Emanuel Bonfante- Diretor do SINTAPPI-MG e trabalhador da BHTRans
Túlio Lopes- Professor de História da Educação na UEMG.
PARTICIPE! LUTE! SE ORGANIZE!
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
quarta-feira, 20 de julho de 2016
“Escola sem partido”, escola silenciada
Como surgiram projetos que ameaçam professores até com prisão. Por
que sua proposta, contrária a ideologias é primária, silenciadora de
opiniões divergentes e, no fundo… profundamente ideológica.
O artigo é de Cleomar Manhas, assessora do Inesc e doutora em educação pela PUC/SP, publicado por Outras Palavras, 05-07-2016.
Eis o artigo.
O que seria a tão falada, e pouco explicada “escola sem partido”?
Basicamente, trata-se de uma falsa dicotomia, pois não diz respeito à
não partidarização das escolas, mas sim à retirada do pensamento
crítico, da problematização e da possibilidade de se democratizar a
escola, esse espaço de partilhas e aprendizados ainda tão fechado, que
precisa de abertura e diálogo.
A pauta que precisamos debater é a da qualidade da educação, e não falácias ideológicas sobre a “não ideologização da escola”, algo que se vê até mesmo em alguns diálogos sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
O Plano Nacional de Educação foi aprovado há dois anos. Durante sua
tramitação, uma das polêmicas suscitadas foi acerca da promoção das
equidades de gênero, raça/etnia, regional, orientação sexual, que acabou
excluída do texto do projeto. Por consequência, isso influenciou a
tramitação dos planos estaduais e municipais, que também sucumbiram ao
lobby conservador e refutaram qualquer menção a gênero, por exemplo,
difundindo a falsa tese da aberração intitulada “ideologia de gênero”. Isso causou uma confusão deliberada entre uma categoria teórica e uma pretensa ideologia.
Marivete Gesser, do Laboratório de Psicologia Escolar e
Educacional da Universidade Federal de Santa Catarina, explica que
“gênero pode ser caracterizado como uma construção discursiva sobre
nascer com um corpo com genitália masculina ou feminina” e, por meio de
normas sobre masculinidade e feminilidade, vamos nos construindo como
sujeitos “generificados”. O preconceito vem dos discursos que
naturalizam os lugares sociais de homens e mulheres como únicas
representações, e segregam qualquer outra forma de manifestação. Além
disso, em pesquisa realizada por estudantes do ensino médio em Brasília,
feita no âmbito do projeto Educação de Qualidade(Inesc/Unicef), constatamos que uma das razões do abandono escolar é a discriminação relativa ao público LGBTI. Razões mais do que suficientes para discutirmos gênero nas escolas.
Qual a ligação entre esses dois temas, “escola sem partido” e “ideologia de gênero”,
em momentos tão distintos? O que parece ter diferentes motivações e
origens resulta dos mesmos elementos: os fundamentalismos conservadores
que tentam passar às pessoas suas ideologias e crenças. Afinal de
contas, não são apenas os pensamentos marxistas que são ideológicos,
como tentam fazer crer os defensores da “escola sem partido”. Sendo assim, o que significa ideologia então?
Um dos conceitos mais difundidos é o de Karl Marx em parceria com Friedrich Engels, na obra a Ideologia Alemã,
em que afirmam ser a ideologia uma consciência falsa da realidade,
importante para que determinada classe social exerça poder sobre a
outra, bem como a necessidade de a classe dominante fazer com que a
realidade seja vista a partir de seu enfoque.
O conceito, no entanto, sofreu inúmeras interpretações, como a de Lênin para
a ideologia socialista, como forma de definir o próprio marxismo.
Portanto, há ideologia nas diferentes formas de ver e conceber o mundo.
Não existe neutralidade. Quando defendem a “não ideologização”, em nome
dessa pretensa neutralidade, também estão impregnados de ideologia.
Os teóricos do projeto “escola sem partido” advogam a
neutralidade e se dizem não partidários. No entanto, suas intenções são
claras: a retroação dos avanços que tivemos nos últimos tempos,
especialmente com relação aosdireitos humanos. Por exemplo, quando dizem lutar contra a doutrinação, uma das situações apresentadas no site do movimento da “escola sem partido” é um seminário realizado pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados sobre direitos LGBTI e a política de educação. Eles citam esse caso como uma afronta ao artigo 12 daConvenção Americana sobre Direitos Humanos,
afirmando que pais e seus filhos têm que ter uma educação moral de
acordo com suas convicções. É uma deturpação do citado artigo, que diz
respeito à liberdade religiosa que deve ser respeitada individualmente.
Além disso, manipulam e fazem confusão deliberada com a discussão
realizada no seminário, que reafirmou a importância de se debater
questões de gênero e de sexualidade nas escolas, para que as diferenças
não sejam transformadas em desigualdades.
Em outro momento, dizem que os alunos (a quem chamam de “vítimas”) acabam sofrendo de Síndrome de Estocolmo, ligando-se emocionalmente a seus algozes (“professores doutrinadores”).
Nesse caso, os estudantes se recusariam a admitir que estão sendo
manipulados por seus professores e sairiam furiosos em suas defesas.
Para exemplificar, citam momentos identificados como “monstro
totalitário arreganha os dentes” e chamam os estudantes de soldadinhos
da guarda vermelha.
Em um dos livros desse movimento, é passada a noção de que o
professor não é um educador, separando assim o ato de ensinar (passar
conteúdos) e educar. O/A professor(a) deveria estar ali apenas para
passar conteúdo sem crítica, problematização ou contextualização, em um
ato mecânico. Paulo Freire é demonizado como o grande doutrinador – justo ele, que construiu uma obra toda para combater doutrinações.
Esse movimento da “escola sem partido” nasceu em 2004 e não
gerou muitas preocupações, porque parecia muito absurdo e coisa pequena.
No entanto, tem tomado corpo e crescido, na mesma toada de movimentos fascistas tais como ‘revoltados online’, responsável por apresentar recentemente a proposta da “escola sem partido”
ao ministro da Educação do governo ilegítimo. Aliás, é bom dizer que
foi a primeira audiência concedida pela pasta da Educação nesta gestão
ilegítima. E em vídeo, os criadores da “escola sem partido” e do “revoltados online’
explicam que criaram tais coisas a partir de motivações pessoais. Ou
seja, eles tentam impingir ao país projeto com base em impressões e
vivências individuais.
A proposta foi apresentada em forma de projeto pela primeira vez no Estado do Rio de Janeiro, pelo deputado Flávio Bolsonaro. A segunda vez foi no Município do Rio de Janeiro, pelo vereador Carlos Bolsonaro – ambos filhos do deputado federal Jair Bolsonaro. E tal proposta já se espalhou por diversas câmaras municipais e assembleias legislativas. Em âmbito nacional, o deputado Izalci (PSDB/DF) apresentou o PL 867/2015 à Câmara Federal, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
Dentre várias questões, o artigo 3º do referido projeto diz o seguinte:
“Art. 3º. São vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação
política e ideológica bem como a veiculação de conteúdos ou a realização
de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas
ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes.” O que viola tais
convicções provavelmente será julgado de acordo com o que e com quem
quiserem criminalizar. O projeto ainda levanta uma polêmica do século
XIX quando se discutia a dicotomia família e escola, o que deveria estar
superado no século XXI.
Há vários projetos tramitando apensados a esse, ainda mais perversos. Um deles, do deputado Victório Galli, doPSC/MT, proíbe a distribuição de livros didáticos que falem de diversidade sexual. E há ainda o projeto de lei 1411/2015, do deputado Rogério Marinho PSDB/RN, cujo relator é o mesmo deputado Izalci.
Esse projeto tipifica o crime de assédio ideológico, que, de acordo com
o projeto, significa: “toda prática que condicione o aluno a adotar
determinado posicionamento político, partidário, ideológico ou qualquer
tipo de constrangimento causado por outrem ao aluno por adotar
posicionamento diverso do seu, independente de quem seja o agente.” E
diz ainda que o professor, orientador, coordenador que o praticar dentro
do estabelecimento de ensino terá a pena acrescida de um terço. Ou
seja, a s opiniões fora da escola, tais como nas redes sociais, poderão
penalizar o profissional da educação também.
O movimento criou recentemente uma “associação escola sem partido”
para ter uma entidade com a qual pudesse recorrer à Justiça em casos
que julgasse relevantes. E a primeira ação por eles promovida foi contra
o INEP, devido ao tema da redação do Enem de 2015, que tratava de violência contra as mulheres,
tema que julgaram doutrinador e partidário. A violência contra as
mulheres é reconhecida como grave problema em diversos tratados
internacionais dedireitos humanos, como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), aprovada pela ONU em 1979, e outros que a seguiram. No Brasil, a cada 4 minutos uma mulher dá entrada no SUS por
ter sofrido violência física, e 13 mulheres são assassinadas a cada dia
– uma a cada 1 hora e 50 minutos. A violência está inclusive nas
próprias escolas, como demonstrou a iniciativa “Meu professor abusador”.
Há vários ovos de serpente chocando no momento, em diversos
locais, seja no âmbito dos legislativos municipais, estaduais ou
nacional, e mesmo nos Executivos, e não temos garantias de que o
Judiciário irá barrar tais aberrações. Portanto, nossa única arma é a
manifestação, a nossa presença nas ruas e a disseminação de informações a
um público maior possível, já que é na internet e em redes como whatsapp que
esses grupos têm angariado seguidores, muitos deles muito jovens. É
preciso promover debates que esclareçam essas situações que estão
amadurecendo na surdina, com pessoas que não nos representam, mas estão
em cadeiras que permitem tais movimentos.
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/557389-escola-sem-partido-escola-silenciada
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