Boa
parte da militância de esquerda no Brasil hoje ataca o PT, sejam
ex-petistas organizados em outros partidos de esquerda, militantes de
movimentos sociais e ex-militantes do PT soltos e desiludidos com os
rumos e o caminho traçado pelo PT para chegar ao poder e
administrá-lo para o grande capital.
Para
entender o fenômeno PT é preciso entender a história recente do
Brasil, a luta de classe e como as classes dominantes traçaram os
rumos da ditadura empresarial-militar até a abertura e consolidação
da hegemonia burguesa no fim da ditadura em 1985.
Entre
o fim dos anos de 1970 e início dos anos de 1980, parte da sociedade
brasileira lutava contra a ditadura empresarial-militar instalada em
1964. A
burguesia brasileira tinha como objetivo o processo de abertura com
uma lenta transição democrático-burguesa, que tentou tirar de cena
os setores mais combativos ao regime, “em
especial o Partido Comunista Brasileiro-PCB”.
O
PCB através de suas organizações conseguiu agregar os diversos
setores descontentes com a ditadura, assim, começava o desgaste e o
aumento do prestígio das forças de oposição a ditadura. O PCB se
torna o principal alvo dos órgãos de repressão quando diversas
organizações do partido são atingidas, militantes e dirigentes do
partido são presos, torturados e assassinados e ainda hoje muitos
constam entre os desaparecidos, foi neste cenário tão desfavorável
para os comunistas que começava a movimentação para formar o
Partido dos Trabalhadores (PT).
O
Partido dos Trabalhadores se beneficia diretamente do cerco e
extermínio promovido pela ditadura contra o PCB, as ações do PCB
na articulação das forças políticas contra a ditadura
empresarial-militar foram fundamentais para o crescimento das
manifestações de massa contra o regime.
A
Igreja Católica através da teologia de libertação e diversos
grupos Trotskistas encontraram no PT uma possibilidade de rivalizar
com o PCB no movimento sindical, não foi à toa que um colégio
tradicional como o Sion forneceu espaço para a criação do PT em
1980, neste primeiro encontro, o Partido dos Trabalhadores se quer
falava em socialismo.
Os
partidos de esquerda, principalmente os comunistas sempre tiveram
dificuldades para dialogar com as instituições religiosas por causa
do comportamento conservador de alguns líderes, no entanto o PT
desde sua fundação, sempre contou com o apoio de diversas
instituições religiosas, não só católicos progressistas, mas
também entre os católicos carismáticos e também os protestantes
de onde veio, por exemplo, Benedita da Silva.
O
Partido dos Trabalhadores em seu nascedouro abrigou diversos grupos
de diversas matrizes, militantes que vieram do PCB, PCBR, ALN, MR8,
MDB, PCdoB e outros. Grupos da Igreja Católica e do Novo
Sindicalismo. Ao longo do crescimento do Partido dos Trabalhadores,
as tendências foram se adaptando a máquina partidária, grupos
Trotskistas como a Libelu e a Convergência Socialista que mais tarde
virou o PSTU, eram pequenos partidos dentro do PT. O PT já
surge legalizado e permitido pela ditadura empresarial-militar em
1980 atrelado ao fundo partidário, contribuindo desta maneira para
criar uma militância ligada à legalidade burguesa.
O
apoio ao socialismo é muito vago e esporádico, tanto que até hoje
o Partido dos Trabalhadores e suas diversas correntes não assumiram
que apoiaram o Solidariedade, grupo político apoiado pelo Vaticano,
pela “CIA e por toda direita mundial” que ficou
demonstrado mais tarde que o Solidariedade era anticomunista,
inimigos dos trabalhadores grupo que lutava para restaurar o
capitalismo na Polônia, quando de fato aconteceu a partir do governo
Lech Walece, ambos eram católicos, Walece e Lula foram recebidos
pelo Papa João Paulo II de linha conservadora inimigo declarado do
Socialismo e da Teologia da Libertação.
No
Movimento Sindical o PT quando surgiu se apresentava como o novo, a
grande novidade do movimento operário e sindical no Brasil. Começava
procurando falsificar a história das lutas dos trabalhadores como se
as lutas dos trabalhadores tivessem começado nos anos de 1970 e que
o PT era o primeiro partido operário no Brasil. Em nome do novo, o
Partido dos Trabalhadores procurava não só combater a era Vargas e
a estrutura sindical atrelado ao Estado, com os sindicatos
hegemonizados pelos chamados pelegos, mas procurava também combater
os Comunistas. Estes eram naquela conjuntura seus principais inimigos
a ser combatidos, não só por setores Católicos conservadores
anticomunista de onde veio o Lula como também os ex-PCB e grupos
Trotskistas que precisavam naquele momento combater a velha
capacidade de influência e articulação do PCB no meio sindical.
Até os anos de 1980, era difícil separar radicalmente sindicalistas
do PCB, foram os anos de cerco e perseguição promovida pela
ditadura empresarial-militar, mas os erros táticos do PCB entre o
fim da década de 1970 e início de 1980. Para se ter uma ideia, o
Partido dos Trabalhadores sempre foi um partido legalizado.
O
PCB teve o seu congresso realizado em 1982 na Praça Dom José
Gaspar, invadido pela Polícia Federal que enquadrou o PCB e seus
militantes e dirigentes na famigerada lei de segurança nacional,
isto em 1982. Enquanto os militantes do PT podiam andar livremente
usando suas camisetas do Solidariedade e falar bobagens contra o
Socialismo e os Comunistas.
O
chamado “Novo Sindicalismo” que despontava nas greves do ABC
paulista, surgiu descolados do Marxismo como orientação ideológica
e do Leninismo como orientação político-organizativa, se julgavam
o novo no movimento sindical negando todo passado de luta que o
Partido Comunista construiu.
O
inimigo não era apenas os pelegos da era Vargas, o inimigo a ser
combatido era os Comunistas, o próprio Lula já declarava o grande
empecilho que era a existência do PCB para a criação do Partido
dos Trabalhadores, já que, até aquele período o PCB era a
principal força política no meio sindical. Com acertos e erros
foram os comunistas desde a década de 1920 que apresentam um
programa claro de ruptura com o sistema capitalista. O PT desde o seu
nascimento sempre apresentou um programa difuso, não se assumiram
Sociais-Democratas, o PT desde quando se tornou a principal força
política no meio sindical e popular só tem conduzido as massas
trabalhadoras ao desarme político e ideológico, as ideias como
“cidadania” e “colaboração de classe” invadiram o meio
sindical hegemonizado pelo PT, surgiram criticando o PCB como velho,
terminaram como o que há de pior na traição de classe ao chegar no
Governo em 2002, os Sindicalistas Petistas se abrigaram na máquina
do Estado Burgues, se envolvendo na corrupção, aceitando fazer o
jogo do grande capital, “terminando mais pelego que os
pelegos que diziam combater”, o que acabou respingando em
toda esquerda no Brasil, deixando um Déficit organizativo no
conjunto das classes trabalhadoras brasileiras após treze anos de
Governo do PT.
Um
partido que surgiu como o PT com tamanha diversidade
político-ideológica e regional, só poderia dar nisso que deu, ao
negar o Marxismo como ideologia do proletariado e o Leninismo como
organização de um partido independente e de classe. O Partido dos
Trabalhadores abriu caminho ao pragmatismo político e possível
adaptação a ordem burguesa.
O
processo de degeneração do Partido dos Trabalhadores não começou
com a chegada de Lula a presidência da república em 2002, foi um
processo continuo de acordo com a conjuntura. Essa pluralidade no PT
se reflete com a formação da Associação Brasileira de Empresários
pela Cidadania, que apoiaram a candidatura de Lula em 1994 e 1998,
seja pela articulação de empresários através do grupo ETHOS,
liderado por Lawrence Pih, um importante empresário formado em
Filosofia na University Of Massachussetts nos Estados Unidos. Além
da contribuição e aliança com grandes empresários, o PT foi cada
vez mais um partido da ordem burguesa, quando começou a ganhar
prefeituras pelo país a fora com um Slogan despolitizado para não
afrontar o sistema capitalista, o famoso “o PT faz bem, o PT na
prefeitura só é nota cem”!! O Partido dos Trabalhadores nas
prefeituras ampliou sua relação com diversos empresários locais e
nacionais, viciando dirigentes locais, intermediários e nacionais na
convivência promiscua tão comum na sociedade capitalista. O PT se
apresentava como um gerenciador do capitalismo brasileiro. No governo
o PT e seus aliados dito de esquerda como o PCdoB procuravam
domesticar as massas trabalhadoras através da cooptação dos
movimentos sociais, confirmando uma previsão de Antonio Gramsci que
após 1917 a burguesia criou formas de cooptação das classes
subalternas sem que nem um tiro seja dado, isto é promovido através
da corrupção na máquina partidária e sindical onde funcionários
e militantes vão se adaptando a ordem burguesa. Gramsci apenas
aprofunda uma previsão de Lenin quando o dirigente Bolchevique
denunciava o perigo da formação da aristocracia sindical e operária
criada pelo imperialismo para amortecer a luta de classes. O Partido
dos Trabalhadores aceitou fazer este jogo quando construiu a
governabilidade burguesa.
Um comentário:
Parabéns pelo texto que conta como o PT sempre foi um partido burguês e com tendências corruptas.
So esqueceste que o PT foi resultado de conversas do Golbery e o Lula
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