quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A crise é grave. A resposta é a luta!


A atual crise econômica do capitalismo, que vem se desenhando desde os anos 90, tem caráter sistêmico e estrutural. É uma crise de superacumulação e de realização de mercadorias.
Um dos principais fatores responsáveis por esta crise é a tendência dos grandes grupos econômicos em investir em papéis, para compensar a tendência de queda nas taxas de lucro, criando assim as chamadas "bolhas" financeiras.
É, sem dúvida, uma crise profunda, que se estende por todo o mundo, dado o elevado grau de internacionalização do capitalismo. Já há uma forte recessão na economia mundial, que pode arrastar-se por muitos anos, já tendo produzido efeitos devastadores em diversos países.
Esta crise mostra claramente a fragilidade e a decadência do sistema capitalista, pondo por terra seus pressupostos econômicos e ideológicos. Muitas empresas já promoveram um elevado número de demissões e outras, inclusive, já fecharam suas portas.
No entanto, não se pode afirmar que se trate da crise final do capitalismo: antes da sua ruína final, este sistema tentará buscar alternativas. Além do mais, o capitalismo não cairá de podre. Terá que ser enfrentado e superado.
O desenrolar da crise dependerá da sua condução política, mas sobretudo da correlação de forças no conflito entre o capital e o trabalho, em âmbito mundial, e que tende a se acirrar.
Assim, cabe às forças revolucionárias lutar para que as classes trabalhadoras assumam, organizadamente, o protagonismo do processo de luta, garantindo soluções que, ao mesmo tempo que combatam os efeitos imediatos da crise, criem as condições para que se acumule - na contestação da ordem burguesa, na defesa de seus direitos e na obtenção de novas conquistas, na organização e na consciência dos trabalhadores - a força necessária para assumir a direção política da sociedade no caminho da superação revolucionária do capitalismo. Mais do que nunca, está na ordem do dia a questão do socialismo.
Fundamentalmente, a crise é resultante do acirramento das contradições do capitalismo, agravadas ainda mais pelas políticas neoliberais que prevaleceram, na maior parte do mundo, nos últimos 20 anos.
O capitalismo ainda pode buscar fôlego para se recuperar, mesmo em meio às suas contradições estruturais, como a tendência à concentração e à centralização do capital em grandes conglomerados mundiais, à financeirização e ao encolhimento relativo dos mercados consumidores.
Mas esta tentativa de recuperação certamente deverá agravar as contradições e a luta de classes, na medida em que o capital terá que recorrer ao aumento da expropriação de mais-valia dos trabalhadores, da repressão e criminalização dos movimentos sociais e da agressividade das guerras imperialistas.
A burguesia toma iniciativas para defender seus interesses, utilizando-se dos aparelhos de Estado. Os governos de muitos países com peso na economia mundial, inclusive do Brasil, têm anunciado medidas de intervenção dos Estados para salvar empresas industriais e bancos à beira da insolvência e para incentivar o consumo. Obama e Sarkozy falam até em uma reestruturação, um “Capitalismo do Século XXI”, tentando separar o capitalismo “bom” do “ruim”. Vários países vêm anunciando, também, medidas de natureza protecionista, visando garantir o nível de produção, manter e aumentar o nível de emprego interno, potencializando conflitos de interesses inter-burgueses.
A adoção destas medidas põe por terra a onda neoliberal que prevaleceu no mundo nas últimas décadas. Sabemos, entretanto, à luz de Marx, que todas estas medidas são limitadas, voltadas para a defesa dos interesses do capital e não terão condições de retomar um alto padrão de acumulação.
Os efeitos da crise foram sentidos no Brasil de forma mais rápida do que desejava o governo Lula, que chegou a trombetear a imunidade da economia brasileira à crise global. Houve forte retração econômica, principalmente quanto à produção industrial, com destaque para o Estado de São Paulo. Os índices econômicos apontam queda na produção no principal parque industrial do país. Tal quadro confirma a relação de dependência da economia brasileira em relação aos grupos exportadores que ganharam com a globalização e que, juntamente com o setor financeiro, compõem uma parte fundamental da base de sustentação do governo Lula.
Frações destacadas da burguesia brasileira, tais como o setor financeiro, o empresariado exportador e o agronegócio, acumularam lucros significativos no período histórico mais recente e consolidaram sua posição hegemônica no Estado brasileiro. O governo Lula completou o ciclo, iniciado nos governos Collor e FHC, da retomada da democracia burguesa e da integração do Brasil ao mercado mundial, mantendo a política neoliberal que prevaleceu ao longo de todo este período.
A burguesia brasileira está tentando tirar proveito da crise, para consolidar a sua integração ao capitalismo internacionalizado e aumentar a taxa de exploração da força de trabalho. Grandes empresas brasileiras já promoveram demissões em massa e redução de jornada com corte de salários, demonstrando a intenção clara de tentar sair da crise rebaixando salários, direitos e garantias dos trabalhadores.
O movimento dos trabalhadores defronta-se com a necessidade premente de reorganizar-se para a resistência aos efeitos imediatos da crise econômica e para avançar na luta contra o sistema capitalista, enfrentando o temor da perda do emprego e uma certa descrença com a possibilidade concreta de conquistar mudanças a seu favor – herança, ainda, do quadro de desmobilização popular provocado pela ascensão do PT ao governo e das políticas compensatórias, de corte populista, de Lula.
Portanto, estamos diante de um momento especial para a luta de classes em nosso país. Os trabalhadores devem se preparar da melhor maneira possível para os embates que virão pela frente. O Partido Comunista Brasileiro conclama os trabalhadores à organização e à luta. Em todos os sindicatos da cidade e do campo, nas organizações da juventude, nos organismos de bairro, nos movimentos sociais, nas bases e núcleos dos partidos políticos, enfim, onde houver condições de organizar a população, todos os militantes têm o dever de realizar um intenso trabalho político visando à construção de uma frente de esquerda anticapitalista, permanente, de partidos, sindicatos e outras organizações, voltada, primordialmente, a desenvolver um calendário de lutas populares e um programa político capaz de promover uma ofensiva ideológica de denúncia do capitalismo e em prol da construção do socialismo.


CONSTRUIR O DIA NACIONAL DE LUTA CONTRA AS DEMISSÕES E A SAÍDA BURGUESA PARA A CRISE!


TODO APOIO À MOBILIZAÇÃO DE 1° DE ABRIL!


RUMO AO 1° DE MAIO DE UNIDADE E DE LUTA!


Pela reestatização da Petrobras e de todas as demais empresas públicas que foram PRIVATIZADAS!


Nenhum direito a menos. Avançar rumo a novas conquistas para os trabalhadores!


CORRENTE SINDICAL UNIDADE CLASSISTA


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Tribunal internacional declara Israel culpado por crimes de genocídio


O Tribunal Internacional sobre a Infância declarou, no dia 12 defevereiro, o Estado de Israel culpado de crimes de lesa humanidade e genocídio contra a infância palestina da Faixa de Gaza, durante os ataques que iniciaram no dia 27 de dezembro de 2008 e duraram 22 dias, matando mais de 450 crianças. Na sentença, o tribunal, formado por promotores internacionais de 11 países do mundo, sendo nove da América Latina, um da África e um da Ásia, denuncia os crimes aberrantes e o avanço sistemático do infanticídio contra as crianças da Faixa de Gaza por parte do exército israelense.

Segundo o tribunal, Israel violou todas as Convenções Humanitárias de Genebra, todas as declarações internacionais de Direitos Humanos e apresentou como método de guerra o ataque à população civil. A sentença é constituída de provas dos ataques à população infantil palestina e da violação das leis internacionais e do estatuto de Roma, com testemunhos de crianças e mães da Faixa de Gaza, junto a assinaturas e petições de milhares de pessoas da América Latina, Europa, África e Ásia.

O organismo destaca ainda que a infância palestina tem vivido sob o genocídio das bombas, das metralhadoras, e da utilização como escudos humanos das crianças por parte do exército israelense. Afirma que 700 milcrianças da região foram submetidas a massacres, assassinatos, a crimescontra a humanidade, ao genocídio, ao bloqueio humanitário, sequestro e à destruição de suas escolas, de seus lares, de suas famílias e de suas casas."É a Sentença Moral e Ética em memória das crianças palestinas que morrem emGaza, pelo menos para devolve-lhes a dignidade que lhes roubaram com esses crimes da barbárie humana, acompanhada por mais de 2.000 assinaturas epetições de organizações e cidadãos de mais de 50 países do mundo que apóiam este Tribunal Internacional de Consciência e solicitam à Corte Penal Internacional e aos organismos internacionais de justiça e direitos humanos da União Européia e da América Latina a abertura de causa e investigação e condenação dos culpados dos crimes", afirma o documento.

Ainda de acordo com a sentença, as violações do direito internacional humanitário devem ser perseguidas e investigadas pelos Estados, em especialpelos Estados parte dos Convênios de Genebra de 1949. O tribunal lembra que Israel é parte desde 1950 do IV Convênio, aplicável à proteção da populaçãocivil, mas não investiga nem persegue os atos que são denunciados ante seus tribunais militares e penais.

O mais adequado para a realização do julgamento desses crimes seria aatuação da Corte Penal Internacional, de acordo com a sentença. No entanto,o Estado de Israel não parte do Estatuto dessa Corte, permitindo que oscrimes de guerra perpetrados em seu território ou por seus nacionais fiquem impunes.

A sentença na íntegra pode ser acessada em:www.calameo.com/viewer.swf?bkcode=00001604142f6507ebaac&langid=en

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Escolas de trabalhadores sem terra são fechadas no Rio Grande do Sul


O Ministério Público Estadual e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul voltaram a criminalizar o Movimento Sem Terra e iniciaram o fechamento de todas as escolas itinerantes em acampamentos gaúchos. No dia 10 de fevereiro, a escola do acampamento de Sarandi, que atendia 130 crianças, foi fechada por determinação do MPE e do Governo do Estado. Segundo o Ministério Público, a decisão foi tomada com base em um Termo de Ajuste de Conduta – TAC, assinado pela instituição e pelo Governo do Estado.

O Termo de Ajuste de Conduta foi assinado sem conhecimento ou a participação dos outros entes interessados: pais, educandos e a escola-base, onde as crianças estão matriculadas. O TAC também ignora e desrespeita as Diretrizes Operacionais para Escolas do Campo, aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação em 2002, baseada na Lei de Diretrizes Básicas da Educação/LDB de 1996.

O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado do Brasil a reconhecer e regulamentar as Escolas Itinerantes, através de parecer do Conselho Estadual de Educação em 19 de novembro de 1996. A experiência gaúcha permitiu a instalação de escolas em acampamentos em diversos estados, como Sergipe, Paraná, Bahia, entre outros.

A decisão do MPE e da Governadora Yeda Crusius retoma a decisão do Ministério Público, publicada em ata em dezembro de 2007, em "extinguir" o MST. O fechamento das escolas era uma das medidas previstas pela ata do MPE. No ano passado, com a denúncia pública da ata, o MPE alterou duas vezes o conteúdo da decisão e declararam rever a decisão. O MST teme que o Governo do Estado e o MPE reiniciem as ações ilegais de criminalização elaboradas pelas duas instituições, tais como impedir que os trabalhadores rurais possuam título de eleitor, que sejam impedidos de realizarem reuniões ou manifestações.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Todos pela Educação: Ideologia e Lucros sobre a Escola Pública


A Secretaria da Educação de São Paulo está comprando revistas "Nova Escola" da Editora Abril, uma revista panfletária do PSDB, (pura propaganda política na área educacional,) e está enviando para casa de alguns professores do Estado, sem solicitação nenhuma destes mesmos. A Revista deste mês tem uma reportagem falando dos 50 anos da Revolução Cubana, onde exalta o imperialismo dos EUA na história cubana, critica os revolucionarios e faz questão de minimizar os avanços educacionais do socialismo cubano.
Dinheiro da Educação no Bolso do Grupo Abril
Essa propaganda do PSDB está sendo feita com o dinheiro público que está indo direto para o bolso de um dos maiores conglomerados e monopólios midiáticos do hemisfério sul, o Grupo Abril, empresa que faz parte do grupo "Todos pela Educação".Essa mesma Editora Abril já vinha embolsando o dinheiro público da educação paulista com oa produção do material didático para a discplina "Apoio Curricular", esse buraco negro, criado pela gestão Serra, na grade curricular do Ensino Médio de São Paulo. A criação desta disciplina tirou um monte de aulas de várias áreas, promoveu conflitos entre professores, que em um primeiro momento sem reflexão, culparam a Sociologia e a Filosofia pela diminuição de aulas de História, Geografia, Artes e Educação física, quando na verdade a culpa é das 6 aulas de Apoio Curricular, que encherá os bolsos dos Civittas. A atitude de Maria Helena e José Serra em contratar a editora Abril para produzir o material para o Estado, não se justifica, já que existe uma gráfica oficial do Estado de São Paulo que serve exatamente para esse tipo de coisa.
Assim, os megas empresários paulistas, do grupo Todos pela Educação, fazem a propaganda de seu partido e seu candidato à presidencia, o PSDB e o senhor "futuro sombrio" José Serra, e ainda ganham muito dinheiro com isso as nossas custas. Imaginem quantas escolas e professores , no estado inteiro, não receberão estes cadernos e revistas produzidos pelo grupo abril ? É muita coisa, muita grana rolando nessa história!
Educação Pública contra o Público
O grupo "Todos pela Educação" (além de ganhar uma grana ferrada), quer impor uma ideologia competitiva para os alunos de São Paulo. Essa ideologia capitalista e individualista da "competição", cria um ambiente escolar insuportável, onde um quer passar por cima do outro, promovendo uma Escola onde não se valoriza a formação para a cooperação e para se fazer parte da coletividade.Eu, como professor de sociologia, mas ministrando, como substituto, aulas de história (já que a sociologia foi excluída do Ensino Médio em 2008, por não interessar a este modelo educacional), fui testemunha em minha escola de uma fato curioso, onde a equipe gestora tentou estimular com a "competição" as classes de alunos a montarem os enfeites de natal, a melhor classe seria premiada com quilos de sorvete! resultado ? As classes do ensino fundamental começaram a brigar entre si e a destruirem uns os efeites dos outros, e questiono, este não é o retrato caótico desta soci edade mediocre onde vivemos hoje ? O projeto educacional do governo José Serra só faz perpetuar o "um por si e Deus contra todos" da sociedade brasileira. Educação sem estímulo para a transformação social não serve para nada, principalmente no país do "jeitinho" e do "se dar bem a qualquer custo".
Todos Pela Educação: A lógica do absurdo nas Escolas
Esta é a ideologia educacional do governo José Serra, e defendida pelo grupo "Todos pela Educação", uma ideologia que se espelha no falido modelo educacional norte-americano e que o resultado e eficiência o mundo inteiro conhece desde abril de 1999, na chacina da escola de Columbine, quando alunos frustrados, surgidos, criados e educados numa sociedade extremamente competitiva, onde o pódio de chegada e o paraíso são só para poucos, criando e justificando uma desigualdade aberrante entre indivíduos, compraram armas e explosivos para exterminar do mapa, seus odiados colegas "concorrentes". Se não concorda, então lembre-se e tente contar nos dedos quantos casos como este ocorreram nesses últimos 10 anos nos EUA.
Paulo Freire ou Ayrton Senna ?
A Rede Record, outra mega empresa do grupo "Todos pela Educação", vem passando uma propaganda onde diz que Ayrton Senna foi o maior professor do Brasil, que lotava salas de aula e ensinava para o Brasil todos os domingos! Estão querendo colocar um esportista filho da burguesia latifundiária, que só buscava o pódio e a competição, como referência para nós educadores e alunos latino-americanos? A boa intenção é reconhecida, mas filantropia não muda um país.
Pedimos, como professores e educadores reais do dia-a-dia das escolas públicas, (não ícones midiáticos inventados): chega do "Game Superação", projeto do Instituto Ayrton Senna, nas escolas públicas ! Chega dessa ideologia destrutiva da competição! Vamos aprender e ensinar o valor da cooperação, da coletividade, da igualdade, da liberdade e esquecer um pouco o Ayrton Senna e nos lembrar mais do grande educador brasileiro, reconhecido no mundo inteiro, por seu método de alfabetização revolucionário e eficiente, o grande Paulo Freire.
Saibamos identificar nossos inimigos
Professores de São Paulo, tenham certeza que os grandes ataques que os professores vem sofrendo na mídia escrita e falada nos últimos tempos, desde antes da greve, sendo culpados diariamente pelo caos na educação, vem sendo formulados e pensados de forma objetiva dentro dos editoriais da grande imprensa de São Paulo. Estes jornalistas e comentaristas são ligados, ao PSDB e a este grupo tenebroso chamado "Todos pela Educação". Professores pensem direito sobre isso, e saibamos associar da onde vem a ignorância, o "mais do mesmo" e o descaso pelo ser humano que está colocando a escola paulista entre as piores da América do Sul
URL:: http://grevedosprofessores-sjc.blogspot.com/

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Agora é com @s Auxiliares de Biblioteca, Secretaria e Escola!!

Objetivo é demonstrar força e levar pauta à Assembléia Geral dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação da Rede BH dia 11 de Março.
Será no dia 18 de fevereiro, quarta-feira, a reunião d@s Auxiliares da rede pública de educação de BH. É muito importante a participação de todos. Durante todo esse tempo a comissão esteve organizando, articulando, divulgando os interesses d@s auxiliares de biblioteca.
A missão urgente é demonstrar união em torno dos interesses da classe e "mostrar a cara" na reunião e, principalmente, na grande Assembléia de 11 de março.
Não se pode esquecer que as reivindicações só serão compreendidas pela categoria se auxiliares de biblioteca fizerem-se presentes e visíveis em todas as manifestações do Sind-Rede/BH.
Vamos por as reivindicações na pauta de negociação da categoria, vamos ocupar o lugar que nos pertence: é direito e dever de tod@s.
Fique por dentro dasreivindicações da categoria,clique AQUI e leia o manifestod@s Auxiliares de Biblioteca.
O QUÊ: REUNIÃO COM AUXILIARES DE BIBLIOTECA, SECRETARIA, DE ESCOLA E TSE


QUANDO: DIA 18 DE FEVEREIRO, QUARTA-FEIRA


HORÁRIO: 14.00 h


ONDE: SIND-REDE/BH, Avenida Amazonas, 491 - 10º andar - centro

A categoria é uma só


O Coletivo Lima Barreto esteve na reunião d@s Auxiliares contratad@s pelo Caixa Escolar organizada pelo Sind-Rede/BH, realizada no sábado, dia 14 de fevereiro, na sede do sindicato. Aproximadamente 40 auxiliares (algumas escolas com até seis representates) estiveram presentes - sem medo de lobo mau e sem pinta de chapeuzinho vermelho - para tirar dúvidas, trocar experiências e levantar uma pauta com algumas das muitas reivindicações presentes no dia-a-dia: da humilhação à segurança; do desrespeito às leis trabalhistas mais básicas ao desejo de reconhecimento e visibilidade.
Estar presente foi a forma encontrada pelo Coletivo Lima Barreto para apoiar @s colegas e ao mesmo tempo mostrar para toda a classe que somos apenas um corpo que deve ser promovido e defendido por todos. Professor@s, Auxiliares de escola, biblioteca, serviços e contratados formam a voz desse corpo e unem-se para defendê-lo.Na reunião, auxiliares puderam tirar dúvidas e esclarecer vários detalhes junto à direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte e compreender melhor a estranha situação sindical que enfrentam: por um lado são afiliados à Federação, e por outro el@s têm a articulação política e representação à cargo do Sind-Rede/BH.
A PBH, num primeiro momento, achou confortável impor um sindicato na tentativa de esvaziar o então novíssimo Sind-Rede/BH. Não deu certo... Enquanto a situação de filiação começa a ser repensada e examinada por trabalhador@s, Federação e Sind-Rede/BH buscam cooperação para articular as situações de defesa dos interesses da classe.
Parodiando o teatrólogo alemão Bertold Brecht, pode-se dizer que mesmo contra a vontade do patrão, o gado sabe conversar e por isso não vai - mesmo - mansamente para o matadouro. Trabalhador conhece sua força e seu poder. Foi o que demonstraram @s Auxiliares contratados pelo Caixa Escolar. A categoria elegeu uma comissão para elaborar um manifesto a fim de levar seus interesses para a Assembléia de 11 de março.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

BH: Protesto na capital nacional do desemprego


Sempre soubemos; para lutar contra a enganação do capital, a Classe Trabalhadora deve estar organizada. Neste dia 12/02/2009, um grande ato aconteceu na capital mineira. Belo Horizonte foi um dos palcos da indignação dos trabalhadores de diversas categorias, contra demissões e péssimas condições de sobrevivência que o modo de produção capitalista nos transmite.

Estavámos presentes, INTERSINDICAL e INTERJOVEM, como sempre estivemos, onde existe a chama da esperança, lutamos, como trabalhadores, somos trabalhadores, exigimos direitos, direito a trabalho, direito a boas condições de sobrevivência, direito a vida.

De passo em passo seguimos, até que nossos esforços se transformem em igualdade de condições entre todos e todas.

Por isso lutamos!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

EM DEFESA DO EMPREGO E DOS DIREITOS


O mundo vive sob uma grave crise econômica. No início, governos e economistas famosos insistiram que se tratava de uma crise no mercado imobiliário norte-americano. Porém, com a falência de bancos e de grandes empresas, queda das bolsas de vários países, a recessão nos Estados Unidos, Europa e Japão, não há como negar a profundidade da crise e de que sua duração será de longo prazo.

Diante desta crise os governos do mundo inteiro têm utilizado o dinheiro público para socorrer os donos dos bancos e das grandes empresas. Parece até que os banqueiros e os grandes empresários são pessoas miseráveis e que se não receberem esses bilhões dos governos vão morrer de fome ou pedir esmolas nas ruas.

Por outro lado, cresce o número de desempregados no mundo e em particular no Brasil (foram mais de 1,5 milhão até janeiro). Os empresários receberam dinheiro público e o utilizaram para demitir. Esse dinheiro público vai faltar na saúde, educação, Reforma Agrária, e moradia, neste sentido já houve o corte de 37 bilhões de reais pelo governo Lula. A CRI$E CHEGA FORTE EM MINAS GERAISCapital Nacional do Desemprego. Este é o título dado à região metropolitana de Belo Horizonte pela grande imprensa, comentando as 64.246 demissões ocorridas em Dezembro, o que em termos relativos é a maior do país. Descontando as contratações, BH perdeu 21.059 postos de trabalho, ou 1,64% do total. (O Estado de SP, 25/01)

Em Minas Gerais a queda da produção industrial e o rebaixamento dos índices de crescimento econômico são fatos inegáveis. O aumento das taxas de desemprego e as medidas propostas pelas grandes empresas e indústrias de redução de salários e direitos atormentam a vida dos trabalhadores e do povo em geral. Esta crise não tem limites, ou seja, não é de curta duração e não se restringe a setores específicos da economia.

No estado a situação é grave. Cerca de 200.000 trabalhadores foram demitidos somente em Dezembro, totalizando uma perda de 88.062 postos de trabalho. As empresas siderúrgicas, metalúrgicas e mineradoras são as que mais estão demitindo e a indústria mineira já teve uma retração de 25% de seu PIB.

Ou seja, na época das "vacas gordas", os empresários tiveram lucros recordes, sem que isso se revertesse em benefícios para os seus trabalhadores. Agora com a crise, querem fazer com que os trabalhadores paguem a conta, através de suspensão de contrato de trabalho, redução de salários e de direitos, banco de horas e etc, com a desculpa de amenizar o volume de demissões.

A Vale, por exemplo, segunda maior mineradora do mundo, que lucrou 25 bilhões de dólares em 2008 e tem 15 bilhões de dólares em caixa, está demitindo, cancelando contratos com terceirizadas e agora propõe uma "licença remunerada" que vai reduzir pela metade o salário de seus funcionários, enquanto quer remunerar seus acionistas (61% deles estrangeiros) em 2,5 bilhões de dólares! (Fonte: http://www.vale.com.br/)A FIAT de Betim, maior unidade industrial de Minas, já demitiu cerca de 8 mil trabalhadores diretos e em suas empresas terceirizadas, gerando uma crise em todo o setor de autopeças.

A Belgo Bekaert, do grupo Arcelor-Mittal, uma gigante do setor siderúrgico, demitiu 200 e aprovou a suspensão do contrato de trabalho de 1.300 funcionários por 1 ano, pagando 55% do salário, enquanto o governo federal injeta dinheiro para cobrir o restante.

CONTRA A CRI$E, O CAMINHO É A UNIDADE NA LUTA!

Não podemos aceitar que esta situação continue. É preciso que o governo federal, estadual e as prefeituras tomem medidas no sentido de garantir os empregos e os direitos dos trabalhadores.

Acreditamos que apenas uma luta forte, tenaz e unificada pode fazer ouvir e valer os nossos direitos. Vamos apoiar e dar continuidade à luta dos trabalhadores da Vale de Itabira e Congonhas; dos metalúrgicos do ABC e de São José dos Campos; de todos os trabalhadores que lutam contra as demissões e em defesa de seus direitos.

Por isso, chamamos todos os trabalhadores de Minas Gerais, a sociedade civil organizada, entidades e lideranças políticas, sindicais e comunitárias, igrejas, associações de moradores e movimentos sociais a juntar-se a nós na luta por:

1. Nenhuma demissão. Reintegração de todos os trabalhadores demitidos;

2. Pela manutenção dos direitos conquistados pelos trabalhadores em décadas de luta;

3. Redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução de salário, para que todos possam trabalhar;

4. Que os governos federal, estadual e as prefeituras tomem medidas que garantam a estabilidade no emprego por 2 anos; Mudança do modelo econômico neoliberal.

5. Isenção de tarifas da CEMIG, COPASA e passe livre para os desempregados;

6. Extensão do seguro desemprego para 2 anos;

7. Pela reestatização da Vale e estatização das empresas que demitirem massivamente;

8. Nenhum corte no Orçamento Público de Minas e dos Municípios em 2009;

CONLUTAS, INTERSINDICAL, MLC, MST, Via Campesina Minas Gerais, FSDMMG, BRIGADAS POPULARES, MLB, Ocupação Camilo Torres, SJPMG – Sindicato dos Jornalistas, SINDIFISPMG, SINDEESS, STIGMG, SINDREDE-BH, SINTAPPIMG, SINDUTE-Subsede Contagem, DCE UFMG, AMES-BH, UJC, UJR, PSTU, PCB, PSOL, PCR

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

INTERJOVEM


Nós, jovens trabalhadores, nos indignamos com a “socialização das perdas” promovida pelo capital nestes tempos de crise. Os trabalhadores, além de produzir riqueza para os patrões em tempos de bonança a troco de míseros salários, se vêem agora obrigados a carregar “a cruz” do desemprego para reduzir a queda nas taxas de lucro.

Saudamos iniciativas como a de 260 trabalhadores de Chicago – EUA, que para defenderem seus empregos assumiram o controle de uma fábrica de janelas e portas em dezembro de 2008. Assim como saudamos o movimento de ocupação de fábricas brasileiro, que reivindica a estatização de fábricas sobre o controle operário.

Repudiamos o governo brasileiro, que ao invés de ajudar nas iniciativas dos trabalhadores, faz operações obscuras como a compra pelo Banco do Brasil de 49,99% do Banco Votorantim por 4,2 bilhões de reais, deixando o controle do banco nas mãos da família Ermírio de Moraes.

Exigimos que o Estado direcione nossos recursos para os interesses do povo, e conclamamos a classe trabalhadora a assumir seu devido papel de protagonista no processo produtivo, pois é só assim que poderemos avançar nas contradições e misérias que o capitalismo nos oferece em troca de nosso sangue e suor.

OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!


domingo, 8 de fevereiro de 2009

A crise mundial do capitalismo e as perspectivas dos trabalhadores


A crise que envolve o conjunto do sistema capitalista e, especialmente os países centrais, é devastadora, profunda e de longa duração. Estamos apenas no início de um processo que envolverá a derrocada do sistema financeiro internacional tal como conhecemos hoje, queda brusca no comércio mundial, uma grande recessão, desemprego generalizado, e graves tensões sociais no centro e na periferia. Por suas dimensões econômicas e financeiras, esta crise é muito maior que a de 1929, com o agravante de que atinge de maneira sincronizada o coração do sistema capitalista e torna praticamente sem efeito as tentativas de coordenação ensaiadas pelos líderes das principais economias mundiais. A crise reflete ainda um conjunto de contradições que o capitalismo vem acumulando desde a segunda metade da década de 60 (superacumulação de capitais, financeirização da riqueza e frenesi especulativo) e que agora se expressam com rudeza explícita em toda a vida social contemporânea das nações que fazem parte do processo de acumulação mundial. Ao contrário do que os meios de comunicação procuram difundir, esta não é uma crise do setor imobiliário, do crédito, da falta de liquidez, ou de regulação, ou ainda um fenômeno oriundo da ganância dos especuladores inescrupulosos que colocaram em risco o capitalismo. Esta é uma crise do conjunto do capitalismo: o sistema todo está doente e seus fundamentos estão sendo questionados pela crise. Além disso, essa crise não é administrável com os instrumentos clássicos de política monetária ou intervenções tópicas para recuperar a credibilidade do sistema. Por isso, as tentativas de coordenação dos governos e Bancos Centrais não conseguem resolver o problema. A crise vai seguir objetivamente seu curso durante alguns anos, independentemente da vontade dos dirigentes dos países centrais, com repercussões em todas as esferas da vida social - na economia, na geopolítica e entre as classes sociais. Ressalte-se ainda que a forma particular como a crise se apresenta atualmente (financeira, imobiliária, etc.) representa apenas a ponta do iceberg de um problema mais de fundo, que é a superacumulação de capitais e a impossibilidade de valorizá-los na esfera da produção. Mas a crise também tem suas particularidades, como todas as crises do sistema capitalista, uma vez que cada crise traz consigo um conteúdo novo (Campos, 2001: 21) [1] . Esta crise fecha um longo ciclo de 30 anos da hegemonia do pensamento único e encerra uma forma particular de acumulação, baseada na hegemonia das altas finanças, mecanismo através do qual o grande capital capturava a mais-valia mundial, mediante uma infinidade de mecanismos de punção, que envolvia desde o aprisionamento do orçamento do Estado até recursos das empresas produtivas e dos diversos fundos mútuos ou dos trabalhadores. Nada será como antes após o 15 de setembro. Podemos constatar com ferina ironia o desespero dos fundamentalistas neoliberais sendo obrigamos pelas leis objetivas da vida social a fazer o contrário de tudo que pregavam anteriormente e a desmoralizarem-se perante o mundo: abandonaram o discurso do livre mercado, chamaram de volta o Estado para socorrer a economia e praticamente "estatizaram" todo o sistema financeiro dos países centrais para salvar seus especuladores e agiotas. Como conseqüência, em poucas semanas, a crise também quebrou todos os mitos neoliberais: o mercado como regulador da vida social e espécie de semi-deus com sua mão invisível a harmonizar interesses de produtores e assalariados; a retirada do Estado da economia, as privatizações e a desregulamentação , como forma de desobstruir os canais do livre mercado e transferir as empresas públicas para o capital privado; a iniciativa privada, como operadora do sistema econômico, racional e eficiente, ao contrário das empresas estatais, ineficientes, esbanjadoras de recursos públicos; a credibilidade das agências de risco, cujas instituições funcionavam como palmatória do mundo, a dar notas a países e empresas de acordo com os critérios e interesses do grande capital; o pensamento único e o fim da história: a ideologia neoliberal era considerada o estágio mais avançado do pensamento e o capitalismo neoliberal o sistema modelar de organização da economia, cujo funcionamento desregulado tornaria impossível qualquer tentativa de mudança no modo de produção capitalista. Tudo isso desmanchou-se no ar em poucos dias como uma cortina de fumaça. Em menos de um mês desapareceram do cenário econômico os cinco maiores bancos de investimentos dos Estados Unidos (o vértice da pirâmide do capital financeiro), as duas maiores empresas hipotecárias do planeta, bem como a maior empresa seguradora do mundo. Se alguém tivesse previsto uma conjuntura desse porte um mês antes, com certeza seria motivo de piada. Portanto, esta crise significa não só o dobre de finados do neoliberalismo, mas também a derrota moral do capitalismo e do bloco de forças mais reacionário e mais parasitário do grande capital, que amealhou o poder nos países capitalistas centrais no final dos anos 70 e subordinou todos os outros setores à lógica da especulação financeira. Além disso, representa ainda grande possibilidade de um ascenso de massas de caráter mundial que irá dar combate a um sistema ferido. A crise revelou também de forma cristalina o caráter de classe do Estado e do governo: quando a economia estava bem, os lucros eram apropriados pela burguesia; agora que a economia vai mal, o Estado socializa os prejuízos com os trabalhadores. Realmente, os governos dos países centrais já injetaram até agora mais de US$ 7,0 x 10 12 na economia para salvar os especuladores. No entanto, por incrível que pareça, essas mesmas autoridades pouco fizeram para resolver os problemas de milhões de pessoas que perderam suas casas e estão vivendo na rua, em barracas de lonas nos parques, em trailers, além dos outros milhões de insolventes das dívidas com cartões de crédito e outras dívidas pessoais. Esse escândalo de classe, em algum momento da conjuntura, vai cobrar seu preço, pois cada vez mais ficará mais claro para a população a opção dos governantes pelos ricos. É necessário ressaltar ainda que, nos períodos de crise, o grande capital busca se entrincheirar no Estado e nos organismos institucionais, como os Bancos Centrais e organismos de coordenação internacionais, a fim de tentar salvar suas posições e recuperar o que perderam com a crise. Procuram assim jogar todo o ônus da crise na conta dos trabalhadores. Primeiro, tentam vender a ilusão de que na crise cada um deve dar sua contribuição para que todos possam se salvar, mesmo sabendo-se que quem quer se salvar é a burguesia e seu sistema de exploração. Quando este método não funciona, o capital marcha unido contra os trabalhadores buscando ampliar o raio de exploração e retirar-lhes direitos e garantias. Portanto, esta conjuntura deverá acirrar as lutas sociais e as disputas entre as classes fundamentais da sociedade: trata-se de um momento especial da luta de classe em caráter mundial, em que a burguesia vai utilizar todos os meios possíveis para sair vitoriosa da crise e o proletariado também deve estruturar seu projeto de sociedade para superar o capitalismo. Antecedentes da crise Como já enfatizara Marx, os capitais se movimentam permanentemente na busca de valorização e da maximização do lucro . "O capital tem como único impulso vital, o impulso de valorizar-se, de criar mais-valia, de absorver com sua parte constante, os meios de produção, a maior massa possível de mais-trabalho (Marx, 1983:188-189) (...) O motivo que impulsiona e o objetivo que determina o processo de produção capitalista é a maior autovalorização possível do capital (Marx, 1983: 263) [2] (...) Antes de mais nada, o objetivo da produção capitalista não é apossar-se de outros bens, e sim apropriar-se de valor, de dinheiro, de riqueza abstrata" (Marx, 1983: 939) [3] . Portanto, quando esse objetivo está sendo contrariado, ou seja, quando as taxas de lucro estão caindo, o capital procura novas formas para restabelecer seu patamar de rentabilidade. Foi exatamente o que aconteceu a partir da segunda metade da década de 60, quando as taxas de lucro começaram a decrescer nos países centrais, especialmente nos Estados Unidos, onde concentraremos nossa análise. Diante dessa conjuntura, o grande capital realizou um movimento estratégico para recuperar as taxas de lucro, baseado em três eixos fundamentais: a) Parte expressiva dos setores industriais do EUA foi deslocada para a Ásia, México, América Latina e América Central em busca de mão-de-obra barata e um conjunto de outras vantagens econômicas e institucionais que possibilitassem ao capital operar de maneira mais vantajosa, de forma a elevar as taxas de lucro. O grande capital imaginava compensar, do ponto de vista econômico, uma possível fragilidade manufatureira nos Estados Unidos com as remessas de lucros e os preços de transferência de suas transnacionais para o interior dos EUA, além do controle do comércio mundial e, do ponto de vista político, através da maior influência norte-americana nas várias regiões do mundo. b) Os setores mais parasitários do capital que assumiram o poder nos Estados Unidos e Inglaterra no final da década de 70 buscaram reconfigurar o mundo a partir da criação de uma nova ordem econômica internacional, tendo como pilares a implantação do monetarismo como forma de organizar a economia e o neoliberalismo como o gestor político do sistema sócio-econômico. Transformaram em política de Estado a ideologia neoliberal: o mercado como regulador da economia, a desregulamentação, a liberalização bancária, a livre mobilidade dos capitais pelo mundo, a retirada do Estado da economia e uma agressiva política de transferência de bens do Estado para o setor privado, através das privatizações. c) Além dessas mudanças de fundo, o grande capital norte-americano realizou na década de 80 e 90 uma espécie de fuga para frente, buscando estruturar uma economia de serviços, baseada na criação da riqueza mediante o extraordinário desenvolvimento do capital fictício. O objetivo era desenvolver um sistema financeiro sofisticado e hierarquizado a partir das instituições norte-americanas, capaz de capturar parte da mais valia mundial, e estruturar as relações sócio-econômicas mundiais a partir dos interesses dos Estados Unidos. Inovações financeiras e finanças estruturadas, endividamento generalizado das famílias e expansão da dívida pública, além de aumento dos gastos na área do complexo industrial militar, de forma a permitir o desenvolvimento da política guerreira norte-americana, especialmente após a queda da União Soviética, foram a tônica da estratégia nos Estados Unidos. Essa reestruturação estratégica do grande capital norte-americano, ao contrário do que seus idealizadores imaginavam, fragilizou de maneira acentuada a economia dos Estados Unidos, uma vez que as três variáveis implementadas para resgatar as taxas de lucro e controlar o sistema financeiro mundial resultaram num conjunto de problemas estruturais que viriam emergir dramaticamente com a crise atual, tais como um déficit fiscal, um déficit na balança comercial, elevação exponencial da dívida externa, da dívida das famílias e corporações, além da constituição de um sistema financeiro tão especulativo, que construiu as próprias bases de sua desagregação. Em outras palavras, a reestruturação neoliberal cobrou um enorme preço aos Estados Unidos, tanto do ponto de vista econômico, quanto social e político. Senão vejamos: A deslocalização de grande parte das indústrias para outras regiões gerou um déficit permanente na balança comercial, uma vez que os produtos elaborados no exterior entravam nos Estados Unidos como mercadorias importadas, ressaltando-se que mais de 30% dos alimentos consumidos nos EUA, além de um volume expressivo do petróleo, são importados. O deslocamento das indústrias ocorreu no ambiente da internacionalização da produção e da introdução de novas tecnologias nas plantas industriais, que se expressaram na globalização da produção mundial, processo que elevou composição orgânica do capital (a relação entre o capital social geral e a extração da mais-valia). Essas modificações, por sua vez, geraram dialeticamente novas contradições: apesar da do barateamento da mão-de-obra, o incremento da ciência na produção estreitou, numa ponta, a base de extração da mais-valia, ao reduzir o número de trabalhadores por hora-máquina; ao mesmo tempo, esse novo patamar de acumulação reduziu também o mercado para a realização das mercadorias. Os dois fatores levariam inevitavelmente no médio prazo à crise de superacumulação. Como já assinalara Marx, o modo de produção capitalista cria barreiras para si mesmo, uma vez que a acumulação promove a queda na taxa de lucro. "Queda da taxa de lucro e acumulação acelerada são, nesse medida, apenas expressões diferentes do mesmo processo, já que ambas expressam o desenvolvimento da força produtiva. A acumulação, por sua vez, acelera a queda da taxa de lucro, à medida que com ela está dada a concentração dos trabalhos em larga escala e, com isso, uma composição mais elevada do capital (...) sua queda retarda a formação de novos capitais autônomos e assim aparece como ameaça para o desenvolvimento da produção capitalista; ela promove superprodução, especulação, crises, capital supérfluo, ao lado de população supérflua (...) Esse modo de produção cria uma barreira para si mesmo (...) e essa barreira popular testemunha a limitação e o caráter tão somente histórico e transitório do modo de produção capitalista" (Marx, 1984, 183-184).
Fragmento do texto de Edmilson Costa
Edmilson Costa é Doutor em Economia pela Universidade de Campinas (Unicamp), com pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma Instituição. É autor de O imperialismo (Global, 1987), A Política Salarial no Brasil (Boitempo, 1997), Um Projeto Para o Brasil (Tecno-Científica, 1998) e A Globalização e o Capitalismo Contemporâneo (Expressão Popular, 2008). É diretor de pesquisa do Instituto Caio Prado Jr. e membro do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Trabalho apresentado no Seminário Nacional sobre A Crise Mundial e os Trabalhadores, realizado em 01 de novembro em São Paulo, promovido pelo Instituto Caio Prado Jr. e o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Este artigo encontra-se na íntegra em http://resistir.info/

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Atividades Sindicais: A Rede BH em movimento


Agenda de atividades do Sind-Rede/BH (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação da Rede Municipal de Belo Horizonte)


10/02/2009 Reunião de Representantes 8h /14h /18h


14/02/2009 Reunião Auxiliares contratados pelo caixa-escolar (a confirmar)


17/02/2009 Reunião com os diretores de escola e vice-diretores de UMEIS 9h


18/02/2009 Reunião com os auxiliares de biblioteca, secretaria, de escola e TSE 14h


19/02/2009 Reunião com os Readaptados - 14h


Coletivo da Educação Infantil - 18h30


05 e 06/03/2009 Seminário da Campanha Salarial


11/03/2009 Assembléia

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

SOBRE O SIMAVE


Reafirmar a ética utilitarista e individualista, massificar a idéia de que os ''vencedores'' ou incluidos são os que se esforçam no mundo competitivo, e, os excluidos ou derrotados deverão pagar pelas suas incopetências e escolhas é o que propõe o SIMAVE.

Criado em 2000, em parceria com a UFJF, seguindo orientações de orgãos internacionais como Banco Mundial e BIRD e implementado pela SEE-MG, o SIMAVE, é a grande bandeira na politica educacional do governo neoliberal de Aécio Neves. Tal politica propõe em termos gerais, ''premiar'', em dinheiro, os professores (e a escola) cujos alunos melhor se sairem nas provas de avaliação de desempenho. O chamado ''bonus'' ou ''décimo quarto salário'' beneficiará uma parcela dos docentes, deixando de fora todos os trabalhadores ''efetivados'' e designados, que compõe a maioria do atual quadro de trabalhadores em atividade, bem como, todos os aposentados.

O SIMAVE não representa um ganho real para a categoria, podendo tal ''bônus ser retirado quando o governo bem entender, além de jogar trabalhador contra trabalhador, num mundo onde a noção de ''empregabilidade'' é sinônimo de sobrevivência. Despreza-se valores como o da colaboração e cooperação não havendo, contudo, melhorias efetivas na educação, no que diz respeito a estruta fisica das escolas, formação e qualificação dos trabalhadores em parãmetros educacionais amplos humanos e democráticos, assim como desconsidera-se as condições psicológicas e sociais dos estudantes e suas familias.

A SEE-MG, através da secretária Vanessa Guimarães, busca se adequar ao famigerado ''choque de gestão'' (ou indigestão) do governo, piorando as já precárias condições nas escolas, que são tratadas como empresas deficitárias, apesar das repetidas mentiras ''tornadas verdades'' em ricas propagandas em horário nobre. A aposta é na formação de analfabetos funcionais e ''votantes'' despolitizados e alienados.

Hallisson Nunes Gomes
Professor da REE/MG

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A Vale é Nossa!! A Crise Não!!


A atual crise econômica, a pior dos últimos 80 anos, que assola a economia mundial e já afeta gravemente o Brasil demonstra a falência deste sistema econômico que além de não permitir uma vida digna à grande maioria, gera de tempos em tempos as crises que aumentam ainda mais as desigualdades. Ao contrário do que afirmam a mídia e os governos as crises não são obra do acaso ou responsabilidade de apenas alguns investidores. As crises são conseqüência do próprio desenrolar do sistema capitalista. Ou seja, o próprio capitalismo é responsável pelas crises que se apresentam ao final de cada ciclo de expansão econômica. Depois de lucrar muito nos períodos de crescimento, as empresas querem, nos momentos de crise, penalizar os trabalhadores com desemprego e perda de direitos. Não produzimos essa crise e não devemos pagar por ela. Não podemos permitir as demissões, as perdas de direitos e precisamos cobrar do Estado uma posição que favoreça os trabalhadores e não os banqueiros e empresários.

Um dos exemplos mais marcantes do absurdo que significa cobrar a conta da crise dos trabalhadores é o da ex-estatal Vale. A empresa lucrou nos últimos 6 anos 40 bilhões de dólares (cerca de 80 bilhões de reais), o lucro registrado pela empresa em 2008 é o 3° maior da história do país. Apesar dos anos dourados tamanha riqueza não foi repartida com os verdadeiros produtores, nos últimos 10 anos o que se viu foram irrisórios reajustes salariais e perda de direitos pelos trabalhadores, além de aumento do ritmo de trabalho. Nos últimos 12 anos a Vale reduziu os custos da mão de obra de 16% para 2,8 % . A Vale divulgou que possui reserva de 15 bilhões de dólares, esse dinheiro é suficiente para pagar o salário de todos s trabalhadores da empresa por 10 anos. Porque então os trabalhadores precisam pagar a fatura da crise?

O setor de mineração em Minas Gerais , que tem como maior representante a Vale, foi e continua sendo símbolo do saque das riquezas de nosso país e é o melhor retrato do quão nefasto é este modelo econômico, que neste momento de crise revela sua verdadeira cara. O ouro extraído aqui no período colonial foi enviado para a Europa sem nenhum retorno concreto ao Brasil. Da mesma forma nossos minérios têm sido enviados hoje ao exterior deixando aqui apenas a devastação ambiental. Minas Gerais é líder do setor no Brasil, com 44% de participação. Quase 50% da produção nacional de ouro têm origem em Minas, que é responsável por aproximadamente 53% da produção brasileira de minerais metálicos e 71% de minério de ferro. A cadeia produtiva mineral representa 30% do PIB estadual. A maior parte de toda essa riqueza é produzida e exportada sob o controle de grandes empresas transacionais, cujos lucros são destinados ao exterior. Essas empresas são beneficiadas de isenções tributárias como a garantida pela lei Kandir que determina que as atividades primário-exportadora s sejam isentas de pagamento de ICMS(18%). Além disso, os royalties pagos pelo setor são irrisórios. Em 2007 quando as exportações do setor somaram R$ 16 bilhões foram pagos apenas R$ 153 milhões em royalties, ou seja, menos de 1%.

A Juventude está mobilizada junto aos Movimentos Populares e Sindicais para conclamar o povo brasileiro a neste momento de crise se levantar e Lutar! Nossa luta é para construir uma sociedade melhor, onde a riqueza seja repartida para os que realmente a produzem: os trabalhadores e as trabalhadoras do campo e da cidade.

Denunciamos:

1- As respostas à crise que penalizam os trabalhadores: Por todo o país as empresas anunciam férias coletivas, suspensão de contratos e acenam aos trabalhadores com propostas que sugerem redução de salários, flexibilização dos contratos de trabalho com perda de direitos, planos de demissões “voluntárias” e demissões em massa. O exemplo da Vale é simbólico, 7.300 trabalhadores da empresa estão em férias coletivas e as demissões podem chegar a 9 mil entre trabalhadores diretos e terceirizado.

2- A crise em Minas: Em Minas as grandes empresas situadas no estado como a Vale, V&M, Fiat, Acelor Mittal, Usiminas, Gerdau entre outras anunciaram férias coletivas da maior parte dos seus funcionários e acenam aos sindicatos com a “necessidade” de demissões. As demissões no estado já totalizam 6,7 mil. Denunciamos a grave situação de Itabira onde já foram demitidos 1, 8 mil trabalhadores. Gravíssima, também, é a situação de Sete Lagoas, onde os cortes realizados nos últimos dois meses somam 3,6 mil, em uma base que antes era de 11 mil trabalhadores. Na Grande BH as filas do seguro desemprego aumentaram assustadoramente, o crescimento foi de 57% em Belo Horizonte , números parecidos são encontrados em Betim e Contagem. As respostas dadas pelo governo estadual são insatisfatórias e auxiliam apenas aos grandes empresários.

3- A Privatização da Vale: Neste momento de crise, no qual anuncia demissões e retirada dos direitos dos trabalhadores, a Vale mostra mais uma vez que não está a serviço dos interesses dos trabalhadores e do país, é preciso mais do que nunca denunciar a vergonhosa doação da empresa. A Privatização da então Companhia Vale do Rio Doce foi cercada de questões ilícitas e vem sendo questionada por inúmeras ações judiciais. Apontamos algumas irregularidades na privatização: o BRADESCO participou do consórcio de avaliação da venda da CVRD, montou o edital de venda da companhia e mais tarde tornou-se um de seus controladores (o que é proibido por lei). O atual presidente da empresa, Roger Agnelli, dirigiu o Bradesco por 20 anos. Foram demitidos 11 mil trabalhadores no processo de privatização. Além disso, a CVRD foi vendida por um preço irrisório de R$ 3,3 bilhões perto do patrimônio da empresa e do seu valor estratégico para o país. A VALE é um complexo econômico de 64 empresas. É a 2°maior mineradora do mundo, 1° produtora de ferro do mundo, maior do mundo em variedades minerais, está presente em 13 estados brasileiros e uma área de 23 milhões de hec, sob esse domínio territorial estão incalculável riqueza em minérios, biodiversidade e água. Podemos mensurar o quão criminoso foi a privatização apontando que hoje a VALE lucra ,em média, por ano 6 vezes seu valor de venda. Atualmente 60% do controle acionário da empresa está nas mãos do capital internacional.

4- A ausência de uma política efetiva de Reforma Agrária no país: Estamos indignados com a situação da Reforma Agrária no Brasil. Dados consolidados apontaram 2007 como o pior ano da Reforma Agrária na história do país. Os dados de 2008 são absurdos e tendem a ser ainda pior , em MG foram assentadas apenas 50 famílias!!! Neste momento de crise é um verdadeiro crime privilegiar o agronegócio em detrimento de uma política séria de Reforma Agrária, que gera muito mais empregos.

5- Questão Energética: Durante os últimos anos o discurso do “Estado mínimo” permitiu a privatização de empresas estatais entre elas as fornecedoras de energia. Os preços pagos pelas famílias desde então elevou-se enormemente, nos últimos 10 anos o aumento chega a 600%. A VALE é a maior consumidora de energia do Brasil, consome 5% de toda a energia produzida pelo país. Possui inúmeras hidrelétricas e algumas distribuidoras de energia. Acaba de fechar um contrato com empresas Estatais para pagar R$ 3,3 por cada 100kwatt/h, 20 vezes menos do que pagamos em nossas casas.

Sairemos em Marcha por Belo Horizonte para demonstrar nossa disposição em Lutar e Resistir pelos interesses dos Trabalhadores.Marchamos!

Contra as demissões e perdas de direitos pelos trabalhadores! As empresas lucraram muito nos últimos anos e não repartiram com os trabalhadores, pelo contrário o que vimos foram ataques aos direitos trabalhistas. Não é justo que no momento de crise elas penalizem os trabalhadores.

Pela redução da jornada de Trabalho! Sem redução de salários e perda de Direitos ! Essa medida seria efetiva na manutenção e criação de postos de trabalho.

Pela anulação do leilão da Companhia Vale do Rio Doce! Doada em 1997 ao capital internacional! O vergonhoso leilão precisa ser anulado como forma de devolver ao povo brasileiro uma empresa de caráter estratégico para a economia e soberania nacional.

Pelo fortalecimento da Reforma Agrária! Neste momento de crise uma medida essencial é o fortalecimento de uma política incisiva de Reforma agrária no seu sentido pleno, não restrito à entrega de lotes. Exigimos o assentamento das 150 mil famílias acampadas em todo o Brasil. Exigimos a imediata atualização dos índices de produtividade ora utilizados, que ainda são de 1975, de acordo com a proposta do MDA de 2005. Confiamos que esta medida contribui enormemente para agilizar o processo das desapropriações em diversos estados brasileiros e é um ponto central da luta pela Reforma Agrária.

Pela Soberania Alimentar! Não comemos eucalipto! Este momento de crise econômica coincide com uma crise dos alimentos. O que vemos é uma alta absurda dos preços dos alimentos. Um dos motivos dessa crise é a destinação das terras para o plantio de agrocombustiveis e para as monoculturas de exportação. Que o governo estadual construa uma política de reforma agrária a partir das terras devolutas no estado e que não renove o contrato com as empresas plantadoras de eucalipto, como a Votorantin, Acesita, V&M, Cenibra, e outras.

Pela imediata desapropriação da fazenda Nova Alegria de propriedade do Sr. Adriano Chafik Luedy, mandante e executor do massacre de Felizburgo, em 20 de novembro de 2004, em Minas Gerais. O processo já percorreu todos os trâmites burocráticos e encontra-se há mais 1 ano na mesa do Presidente da República aguardando somente sua assinatura.Pela desapropriação imediata da Usina Ariadinópolis, no Sul de MG, que é um símbolo de uma estrutura agrária atrasada que excluiu milhões de camponeses ao longo da história do Brasil. As dívidas da usina ultrapassam os 180 milhões de reais para com a União, o que a obrigou a abrir falência em 1993. Há 11 anos cerca de 400 famílias Sem Terra estão acampadas e produzindo nos mais de 6000 ha de terras de Ariadnópolis antes vazias. Já sofreram 6 reintegrações de posse. Não há justificativas para a não destinação de Ariadnópolis para a Reforma Agrária.


6° EIV- Estágio Interdisciplinar de Vivência de MGABEEF - Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal FEAB - Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil ENEB - Executiva Nacional dos Estudantes de Biologia ENEV- Executiva Nacional dos Estudantes de Veterinária REPED – Rede Popular dos Estudantes de Direito FEMEH – Federação do Movimento Estudantil de História ABEF – Associação Brasileira dos Estudantes de Filosofia DCE /UFJF - Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Juiz de Fora- MG DCE /UFJM - Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri-MG DCE /UFU - Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal Uberlândia-MG DCE /UFV - Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal Viçosa-MG DCE- UNEMAT/- Diretório Central dos Estudantes da Universidade do Estado do Mato Grosso DAMAR – Diretório Acadêmico Marina Andrade Resende /UFMG DA-ICB/Diretó rio Acadêmico do Instituto de Ciências Biológicas/UFMG DATEM/Diretório Acadêmico de Enfermagem/PUC- Betim DATO/ Diretório Acadêmico de Terapia Ocupacional/ UFMG DA FAFICH - UFMG DA Geografia UFJFCA Química UFLA CA Livre Geografia UFES CA de Historia UECE CA ENQ UFVCA Bio UFSCar São Carlos CAFil UFOP Coletivo Amar e Mudar as Coisas UFOP CA Ed Fisica UFVCA Economia UFVCALE Centro Acad. Livre de Economia UFSJDA Bio UESB DA Veterinária UFMG DA Geografia UFJF CA Psi UFSJ CA de Cooperativismo UFV DA Serviço Social UFJF DA Medicina UFU CACOM - UFV CAFIL – UFSJ DA- Engenharia Elétrica da UFMG CAFIL – UFOP CAPMMOL - Fisioterapia UFVJM Campo Reconquistar a UNE - Oposição Espaço Saúde - UFMG Coletivo Ciranda Liberdade - UFMG Contra Mola - UFLA Fé e Politica UFSJ GAASC Coletivo Piracema Coletivo Aroeira ICA/UFMG RED de Comercio Justo - MCC (Mov Campesino de Córdoba) Yanapaqui (Corporacion Trabajo con comunidades en Colombia Assembléia Popular-MG Intersindical Conlutas-MG CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil SINPRO-MG MTD-Movimento dos Trabalhadores Desempregados CPT-Comissão Pastoral da Terra Movimento das Serras e Águas de Minas UJC- União da Juventude Comunista Movimento dos Sem Universidade - MSUBP - Brigadas Populares MMM -Marcha Mundial de Mulheres MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra MAB- Movimento dos Atingidos por Barragens Via Campesina Corrente Sindical Unidade Classista


Juventude Trabalhadora em Marcha


Saimos em marcha, como tantos antes de nós já fizeram. E em nossas fileiras, entre nossas bandeiras e nossa força, seguimos pelas ruas de Belo Horizonte. Desesseis quilômetros foram cortados pelos pés firmes dos jovens, denunciando a navalha da crise e lutando pela soberania brasileira. Desenhava-se em nossa marcha a indignação das trabalhadoras e dos trabalhadores. Os olhos que ela via traziam esperança e coragem. Partimos do bairro operário, Barreiro. Partimos da frente da transnacional Vallourec & Manesman. Nossas gargantas lembravam as demissões e férias impostas pela empresa, e jamais esqueceram sua milícia assassina, tampouco seus latifúndios de eucalipto. Nossos braços se erguiam em frente ao Bradesco. Ali se encontrava a imagem de uma das irregularidades jurídicas do leilão da Companhia Vale do Rio Doce. Em 1997, arrancaram de forma escusa uma parte da soberania do povo brasileiro.
E nossa voz não se cala frente ao Batalhão de Choque. Não treme ao encenar o papel repressor da polícia, não se cansa de mostrar a criminalização da luta dos movimentos sociais. Assiste a nossa representação àqueles que tanto nos reprimem. Exatamente os mesmo que disseram que não conseguiríamos chegar ao fim de nosso objetivo. Na avenida Amazonas, diante de toda sua grande circulação diária, a chuva recebe a juventude. E a anima, dando inspiração para vencer o cansaço. Ainda faltam muitos quilômetros para chegar à Ferrovia Centro Atlântica, no centro de Belo Horizonte, empresa pertencente ao grupo da Vale.
No caminho, os agitadores que conversavam com o povo percebiam nele a mesma indignação e a esperança simbolizadas na marcha, e nela se identificava. O exemplo de sacrifício desta pedagógica marcha convoca os trabalhadores a somar numa grande luta que realmente marque o fim do neoliberalismo, apontando para um projeto popular democrático para o país. Marchamos negando os privilégios e poder da burguesia, almejando que a necessária unidade da esquerda marche em luta nesse momento de crise. Por cima do viaduto Santa Tereza, as mãos são dadas. O passo acelerado sabe que está perto do fim da marcha. Em frente à Vale, a mesma Vale que prendera 120 jovens em 2007 em um ato pela anulação do leilão, os jovens se reuniram novamente. Se outrora a radicalidade estivesse expressa nas algemas que prendiam, agora o laço abraçava a Vale, dizendo que não vamos abandonar a luta. E venceremos.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

OS TRABALHADORES NÃO PODEM PAGAR A CRISE DO CAPITAL


O capitalismo vive uma crise no mundo inteiro e os donos do capital tentam resolver essa crise às custas dos trabalhadores. As taxas de lucro caem, os capitalistas paralisam investimentos, freando a expansão do capital. O que ocorre nos momentos de crise é uma grande destruição do capital, seja ele na forma financeira - dinheiro, títulos, ações - seja na forma de mercadoria - máquinas, estoques, empresas. Com isso, o desemprego cresce e os capitalistas tentam rebaixar os salários, reduzindo os custos da força de trabalho.
Em nosso país, que vive a crise já há algum tempo, os capitalistas intensificam os ataques contra os trabalhadores. Diversos setores da economia estão demitindo, como a construção civil e o setor automotivo. Investimentos estão sendo cancelados, em função das restrições do crédito e da redução da demanda. Em dezembro, 650.000 empregos foram destruídos no Brasil. Depois de cerca de três anos de aumento, já é visível a redução da massa salarial, sinal dos efeitos da diminuição de postos de trabalho.
O desemprego é intrínseco ao sistema capitalista. Os capitalistas precisam manter, permanentemente, uma parcela dos trabalhadores desempregados, o chamado exército industrial de reserva. Isto é necessário para que aumente a concorrência entre os trabalhadores e os capitalistas possam pagar salários menores. Marx chamou este movimento de lei geral da acumulação capitalista. Em períodos de crise, os capitalistas demitem mais, por ruína econômica, mas também para disciplinar a classe trabalhadora em níveis maiores de exploração.
O caso da GM é exemplar. No ano passado a GM impôs aos metalúrgicos uma quantidade de horas extras obrigatórias e a contratação temporária. Os contratados temporários estão sendo demitidos - já foram 800, podendo chegar a 2000 - com um custo mínimo para GM, que, neste caso, não precisa pagar multa de 40%. A Volks lançou um programa de demissão voluntária, voltado para os portadores de doenças profissionais e trabalhadores em idade de aposentadoria. As empresas aproveitam o ambiente de crise para realizar os seus ajustes.
Os capitalistas têm deixado claro qual é a solução para a crise: redução de direitos e demissões. O presidente da Fiesp resolveu inovar, exigindo redução de jornada, com redução de salário e sem garantia de emprego. Colunistas da grande imprensa conclamam o governo a retomar a reforma trabalhista, aproveitando o momento de crise. Pior, a Força Sindical, central do campo governista, topou negociar. As medidas anti-crise do governo foram todas para beneficiar o capital, nenhuma a favor dos trabalhadores.
Governo e patrões, com o apoio das centrais governistas, sinalizam com um pacto social, que significa a retirada de direitos e redução de salários. Este pacto seria negociado por patrões, governo e sindicatos, onde todos teriam a sua cota de "sacrifício" em nome de um objetivo maior, a saída da crise. Mas os "sacrifícios" não seriam distribuídos de maneira igual. Para os patrões, incentivos, reduções de impostos e crédito subsidiado. Para os trabalhadores, a reforma trabalhista, o desemprego e a redução de salários. O sacrifício de todos, para resolver a crise, é na verdade o sacrifício dos que trabalham.
A crise pegou os trabalhadores em um momento de reorganização das suas forças, após a onda da reestruturação produtiva e a capitulação das suas organizações, notadamente a CUT. Após um semestre de ganhos nas principais campanhas salariais, a classe assiste á intensificação dos ataques. A reação do conjunto dos trabalhadores tem sido insuficiente. A Amsted-Maxion demitiu metade dos empregados nas unidades de Osasco, Campinas e Cruzeiro e os trabalhadores não ocuparam as fábricas. As demissões têm ocorrido diariamente sem que os sindicatos consigam fazer mais do que manifestações nas portas das empresas e editar notas, atividades necessárias, mas claramente insuficientes.
A experiência da terceirização e as demissões na reestruturação dos anos 90 marcaram profundamente a ação da classe. O conjunto dos trabalhadores tem consciência dos seus direitos e sabe o significado da crise para aqueles que tem o trabalho como meio de vida. O medo do desemprego atinge cada trabalhador individualmente. A única garantia dos trabalhadores é a sua luta. O capital aproveita a crise, que é real e profunda, para reduzir os direitos e aumentar exploração. A unidade dos trabalhadores é sua arma, sua defesa e garantia. Só com a unidade é possível barrar a ofensiva do capital. O capital pode derrotar cada trabalhador individualmente, mas terá muita dificuldade de se impor perante a frente unida dos trabalhadores.
Portanto, temos de dizer não às demissões, com a ocupação das empresas que demitem. Não podemos aceitar abrir mão de nenhum direito, pois isso significa aceitar mais exploração. Redução de jornada sem redução de salário, estabilidade no emprego, recomposição salarial devem ser as nossas bandeiras. E a nossa unidade é maior do que os operários de uma única empresa. Ela envolve toda a classe, empregados e desempregados, terceiros e precarizados. A nossa unidade é para lutar; não a unidade para conciliar e imobilizar a classe, daqueles que julgam falar em nome dos trabalhadores.
Não podemos embarcar no canto de sereia do pacto social e da conciliação de classe. À luta!

Igor Grabois - Coordenador Nacional da Corrente Sindical Unidade Classista e da Intersindical

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A Intersindical e a Classe Trabalhadora


A classe trabalhadora segue sob constante ataque do capital, nas guerras promovidas pelo imperialismo e maior concentração econômica para manter o lucro dos capitalistas. No Brasil, isso se expressa na continuidade da política econômica, no predomínio do agronegócio e das monoculturas e na retirada de direitos, seja por MPs e normas internas ou pela ameaça de reformas regressivas.
A redução do valor da força de trabalho é a exigência do capital. Por isso, vemos no setor privado o deslocamento das plantas produtivas, a terceirização e o banco de horas. No setor público, além da terceirização, os servidores sofrem com a introdução dos critérios de produtividade. O resultado nos locais de trabalho é a ampliação do adoecimento. Todas essas medidas são adotadas mediante uma duríssima criminalização das lutas e dos movimentos sociais, com ação violenta das polícias, além do ataque ao direito de greve e de organização.
Essa situação exige combatividade e independência das organizações da classe. Na América Latina, em muitos momentos, a luta dos povos e da classe consegue arrancar dos governos medidas que concretizam importantes reivindicações. No Brasil, para fortalecermos nossa organização e luta, temos que construir novas ferramentas, pois as construídas nas décadas anteriores se adaptaram à ordem.
A Intersindical é parte importantíssima desse processo de reorganização em curso, que deve ser feito com autonomia, democracia, unidade através da participação direta dos trabalhadores.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Gaza: alunos voltam às aulas e encontram cenário desolador



"Fiquei muito triste quando, esta manhã, voltei para a escola e descobri que minha amiga Cristina al-Torok foi assassinada durante o conflito", disse à Agência Efe Dona Matta, uma cristã palestina de 16 anos que voltou, pela primeira vez em um mês, ao colégio da Sagrada Família em Cidade de Gaza. Segundo a adolescente, apesar de os confrontos terem terminado, a "situação psicológica das pessoas é muito ruim, vamos precisar de tratamento por muito tempo".

"Pode-se ver as marcas das bombas nas paredes do colégio", afirma Mohammed Abu Jalala, de 15 anos. Na semana passada, 55 palestinos que haviam se refugiado na escola onde ele estuda, a Al-Fakhoura, morreram após um bombardeio israelense.

"É muito difícil para todos voltar a este cenário. Em minha sala, há quatro crianças que foram assassinadas, e mais dez de outras turmas estão feridas nos hospitais", diz Mohammed, que afirmou estar triste, irritado e "cheio de ódio contra Israel pelo que nos fez". "Ninguém perdoará Israel pelos crimes que cometeu contra nós", assegura.

Os alunos contam uns para os outros como passaram as últimas semanas, onde se refugiaram, as coisas terríveis que viram, como encontraram suas casas, os parentes que perderam, a ajuda que receberam ou não. A casa de Amal Baker, de 17 anos, fica ao lado do hospital de Shifa, o maior de Gaza, e os sons das ambulâncias, das bombas e dos aviões fizeram com que ficasse sem dormir direito durante quase um mês. "Estava morta de medo, não sabia se meus amigos sobreviveriam", explica.

Segundo o Ministério da Educação em Gaza, controlado pelo Hamas, cerca de 200 mil crianças voltaram às aulas, menos de uma semana após o fim das hostilidades. Mas foi preciso fazer um grande esforço para encontrar um lugar para acomodar todos. Das cerca de 400 escolas de Gaza, 35 foram destruídas pelas bombas israelenses e o mesmo número ainda está sendo usado como refúgio pelas mais de quatro mil famílias que perderam as casas.

Muitos alunos tiveram que ser mandados para outros colégios, que foram obrigados a abrir turnos noturnos e a juntar duas ou três turmas em uma só, com casos de até 120 estudantes em uma sala, para poder atender a todos. As autoridades educacionais e da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) pediram aos colégios que dediquem esta primeira semana a dar apoio psicológico aos jovens para ajudá-los a se recuperar do trauma. Os professores foram instruídos a estimulá-los a falar sobre o que vivenciaram.

No entanto, o conflito não será facilmente esquecido por esses estudantes. Por três semanas, muitos ficaram trancados em casa, tendo como único contato com o mundo externo a televisão, o rádio e as ligações telefônicas aos parentes. Alguns precisaram fugir de casa e ir morar com conhecidos em uma área mais segura, ou acabaram nos refúgios da ONU. Quase todos vivenciaram a escassez de alimentos e cortes constantes de luz e água.

A maioria está feliz em voltar às aulas, em recuperar, pouco a pouco, sua vida, mas carrega consigo as más notícias e o cansaço de semanas de horror. Falta esperança nas palavras de Lara Abu Ramadan, uma adolescente de 17 anos do instituto Ahmed Shawqi. "Isto não foi o final. Israel continua existindo, Gaza continua existindo, e o cessar-fogo não vai acabar com o conflito. Só terminará quando houver um acordo de paz entre Israel e nós", afirmou.

Por outro lado, o movimento islâmico Hamas aproveitou a trégua para criticar recentes declarações do presidente americano, Barack Obama, nas quais pedia que o grupo aceitasse as condições do Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia), que incluem o abandono da luta armada e o reconhecimento de Israel. Em Gaza, o Hamas afirmou que Obama começou seu mandato "com um passo ruim".

"O apelo de Obama para aceitar as injustas condições do Quarteto é um passo ruim em direção à tradicional política americana, que é a razão do sofrimento dos palestinos", disse à Agência Efe o porta-voz do Hamas na Faixa, Fawzi Barhoum. "Obama deve apoiar a legitimidade da causa palestina, deter os crimes da ocupação (israelense) e reconhecer o direito dos palestinos à autodefesa", acrescentou Barhoum, para quem a postura do presidente americano "pode ser usada por Israel para prosseguir seu assassinato e cerco aos palestinos".

Khaled al-Batsh, líder do outro principal grupo armado palestino, a Jihad Islâmica, também criticou Obama. "A declaração de Obama não é para nós nenhuma surpresa, porque a política americana está controlada pelos grupos de pressão judeus”, afirmou Batsh. “A todos os que pensam que os Estados Unidos vão ajudar agora os palestinos, digo que estão enganados e perdem o tempo.”
Fonte: EFE

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Ato unificado contra as demissões, dia 24, em São José dos Campos


Entidades sindicais, partidos e movimentos sociais definiram na noite desta quarta-feira, dia 14, ações unificadas para combater as demissões no Vale do Paraíba e reverter os cortes anunciados esta semana pela General Motors. Um grande ato já está marcado para o dia 24, sábado, às 10h, na Praça Afonso Pena, em São José dos Campos.
Na próxima semana, serão intensificadas as mobilizações em empresas de diferentes segmentos. As ações terão como bandeiras a readmissão dos 802 trabalhadores da GM, estabilidade no emprego para todos os trabalhadores, não à flexibilização ou redução de direitos e repúdio à Fiesp, que defende redução salarial como forma de combate à crise.

Participaram da reunião, realizada na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, representantes da entidade e também do Sindicato dos Químicos, Petroleiros, Correios, Condutores e Alimentação, Admap (Associação Democrática dos Metalúrgicos Aposentados), CMP, Conlutas e Intersindical.

A luta tem de ser de todos os trabalhadores. Vamos chamar todas as categorias para participar das mobilizações e lutar contra a vergonhosa tentativa dos empresários em retirar nossos direitos e empregos. Não aceitamos pagar pela crise criada pelos patrões ou discutir qualquer possibilidade de flexibilização. Nenhum direito a menos. Avançar em novas conquistas!


terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Trabalhadores em Educação de BH: O que esperar do governo Márcio Lacerda?


O governador Aécio Neves, do PSDB, e o prefeito Fernando Pimentel, do PT, escolheram Márcio Lacerda, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais, como um nome de consenso para disputar a Prefeitura de Belo Horizonte. Homem de confiança de Aécio Neves, Lacerda, convenientemente não é filiado ao PSDB (e sim ao ''socialista'' PSB). Não é um nome conhecido, mas após um processo que terminou no segundo turno, venceu as eleições e se tornou prefeito de BH. Porém, pelas recentes ações do seu secretariado, infelizmente já sabemos o que virá do seu choque de gestão, ou melhor, indigestão.
Alardeando a importância da educação em vistosas propagandas no horário nobre durante a campanha eleitoral, Márcio Lacerda apresentou um programa semelhante a outros governos tucanos, como o de Serra e Aécio Neves. Enquanto o primeiro cortou aulas de História, Geografia, Educação Física e Artes por causa de uma disciplina estranha, chamada "Apoio Curricular", com cadernos fabricados não pela gráfica oficial do Estado, mas por ninguém menos que a Editora Abril e pelo grupo Rede Globo, interessados em pegar um vasto mercado, o segundo, desde o início de sua gestão, ataca os trabalhadores da educação, impondo uma lógica neoliberal na prestação do serviço público. O fim da estabilidade do emprego, seguido de medidas como avaliação de desempenho, avaliações externas como parâmetro de produtividade, redução de disciplinas no ensino médio, efetivação sem garantia de plenos direitos, enfim, toda essa série de medidas caminha no sentido de dividir e espoliar os trabalhadores da educação.
A SMED-BH, não importando quem seja a secretária de educação, já busca copiar o famigerado ''choque de gestão'' do governo estadual, piorando as já precárias condições nas escolas. Que o diga os Professores readaptados, que tiveram suas férias, os recessos escolares e o tempo de aposentadoria especial retirados de forma arbitrária, tendo a carreira destes profissionais separada dos outros professores; a não publicação da lei que regulamenta os critérios para aceitar os diplomas da pós-graduação para fins de progressão na carreira; a ausência da validação da regra de transição; desconto previdenciário sobre 1/3 de férias indevido, e o não ressarcimento do mesmo nos últimos cincos anos, mesmo após determinação judicial.

Dias após a posse de Lacerda, Auxiliares de Biblioteca Escolar, de Secretaria, e da Administração da PBH que têm férias em janeiro não receberam o valor correspondente ao terço de férias, que não foi lançado e conseqüentemente não foi depositado. A PBH informou que o caso será passado para a gerência que fará uma reunião para decidir como fazer a fim de ressarcir a "turma", mas não disse quando será reposto o valor, e se será corrigido.
Seu outro mentor, Pimentel, promoveu um retrocesso sem precedentes para a educação de Belo Horizonte, primando pela ausência de um projeto capaz de dar conta dos impasses do ensino e investiu para acabar com uma das maiores conquistas da escola pública de BH no âmbito da participação popular. Destaca-se a questão democrática em que as assembléias escolares foram sistematicamente desrespeitadas, o fim das reuniões pedagógicas, bem como o controle sobre o Conselho Municipal de Educação, reduzindo o seu papel em apenas referendar as políticas oficiais, e, por fim, as investidas contra as eleições de Diretoras, nas Umeis e demais escolas com educação infantil. Além disso, impôs uma falsa avaliação, burocrática e divisionista.
A Corrente Sindical Unidade Classista (UC) compreende que tal situação decorre, entre outras coisas, da total exclusão do direito de participação política através de espaços democráticos, nos quais as classes populares tenham voz e possam interferir de maneira direta na elaboração, aplicação e fiscalização das políticas públicas. Entendemos que somente dessa forma os interesses do conjunto da sociedade, e em especial a Classe Trabalhadora, podem ser priorizados. Esses ataques serão intensificados durante a gestão Lacerda e somente a unidade e a resistência organizada de todos os trabalhadores em educação poderá garantir uma efetiva contra-ofensiva. Chega de agressão! Por uma educação pública, gratuita, laica, democrática e de qualidade. Nenhum direito a menos. Avançar em novas conquistas!
Corrente Sindical Unidade Classista/Intersindical
Coletivo de trabalhadores em educação Armando Ziller
Belo Horizonte/MG

domingo, 18 de janeiro de 2009

Eduardo Galeano: "Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?"


Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.

Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.

Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.

E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

(*) Eduardo Galeano. Jornalista, escritor e revolucionário uruguaio.
Texto publicado originalmente no jornal Brecha. (Tradução: Katarina Peixoto)