segunda-feira, 13 de abril de 2009

CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DA REDE/BH - 23, 25 e 27 DE ABRIL


Nos dias 23, 25 e 27 de abril realizaremos a fase final da nossa Conferência de Educação. A Conferência é um importante momento de reflexão da Rede sobre as políticas educacionais encaminhadas pela PBH, bem como um espaço coletivo de construção de alternativas à política neoliberal da SMED. O atual objetivo da SMED e do governo Aécio Neves é destruir a escola pública municipal através da redução do processo ensino/aprendizagem ao treinamento cotidiano para as avaliações sistêmicas.
Em junho acontecerá a Conferência Municipal de Educação e até o final do ano a Conferência Estadual de Educação. Todas elas são preparatórias para a Conferência Nacional de Educação que acontecerá em 2010.
Por isso, a Conferência da Rede é um momento importantíssimo de preparação para as demais conferências que definirão as políticas educacionais no próximo período.
Garanta a presença da sua escola! Participe!

domingo, 12 de abril de 2009

[BH-MG] REUNIÕES DE REPRESENTANTES DE ESCOLAS DECIDEM POR ASSEMBLEIA COM INDICATIVO DE GREVE PARA O DIA 24 DE ABRIL

Na última assembleia da categoria, realizada no dia 11 de março, foi votado o indicativo de greve para ser discutido nas escolas e definido na reunião de representantes do dia 07 de abril.
Nas reuniões realizadas em três turnos, manhã/tarde/noite, após várias reflexões e votações, foi
definido pela greve no dia 24 de abril com uma assembleia às 08 horas da manhã com indicativo de greve.
O dia 24 de abril foi convocado por diversas entidades nacionais como o DIA NACIONAL DE LUTA PELA VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO.
Parte do movimento da educação estará nas ruas em defesa da implementação do piso nacional, outra parte também estará nas ruas em defesa de um piso nacional tendo como base o salário mínimo do DIEESE para uma jornada de 20 horas semanais.
REUNIÕES DE REPRESENTANTES DECIDEM POR ASSEMBLEIA COM INDICATIVO DE GREVE PARA O DIA 24 DE ABRIL
Um consenso entre os diferentes movimentos é a defesa da implantação imediata de 1/3 do tempo de trabalho para as atividades de planejamento e avaliação. Esse ponto é motivo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada por 5 governadores, que contaram com o apoio do
Governador Aécio Neves, atual cabo eleitoral do prefeito Márcio Lacerda. Portanto, o ataque que a SMED está fazendo ao nosso tempo de ACPATE faz parte do ataque que o Aécio Neves faz às escolas estaduais. O mais grave é os ocupantes da SMED, que até outro dia se dizia “Escola Plural”, comungar do mesmo projeto educacional neoliberal da Secretaria Estadual de Educação.
ASSEMBLEIA DIA 24 DE ABRIL – 08 HORAS NA PRAÇA DA ESTAÇÃO
ATO EM SEGUIDA ATÉ A PORTA DA PBH

sexta-feira, 10 de abril de 2009

UNIDADE PARA AVANÇAR NA LUTA: FORTALECER A INTERSINDICAL!


(Nota da Unidade Classista) Em função da crise econômica mundial, as classes dominantes realizam uma violenta ofensiva contra os trabalhadores através de demissões em massa, rebaixamento dos salários, retirada de direitos e criminalização das lutas e dos movimentos sociais. No Brasil, a situação não é diferente: o governo Lula realiza a política da burguesia, colocando recursos públicos para salvar bancos e empresas privadas, enquanto as demissões ocorrem diariamente, mesmo naquelas empresas que receberam créditos do governo.
Diante dessa conjuntura, a Unidade Classista reafirma a necessidade da unidade dos trabalhadores e trabalhadoras, no sentido de construir uma alternativa global à ofensiva da burguesia, que tenha como eixo a centralidade do trabalho, a resistência contra as demissões e o rebaixamento dos salários e um programa alternativo capaz de colocar os trabalhadores em movimento, em busca de sua emancipação.
Nesse sentido, entendemos de fundamental importância neste momento o fortalecimento da Intersindical como instrumento de luta e organização da classe trabalhadora, no sentido de "defender os direitos e avançar rumo a novas conquistas", construindo um sindicalismo classista, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos.
Por esse motivo chamamos todos os companheiros que reivindicam a Intersindical à unidade. Uma unidade que resgate os princípios fundadores da Intersindical em 2006, quais sejam: uma coordenação aberta a todas as correntes que a reivindicam, com suas decisões sendo tomadas por consenso e que aponte ainda nesse momento não para a formação de uma central sindical, mas para o fortalecimento de um campo que aglutine o movimento sindical de luta, classista e combativo.
Achamos prematura e incorreta a fusão burocrática da Intersindical com a Conlutas. Entendemos que os companheiros da Conlutas estão no campo classista, tem disposição de luta e, por isso mesmo, valorizamos a unidade de ação com os companheiros. Mas temos divergência de fundo com relação à concepção de central, pois temos a centralidade do trabalho como norte de nossa ação. O processo de unidade do movimento operário deve passar inevitavelmente pela unidade de ação e não pode ser atropelado pelo voluntarismo, pelo imediatismo, por razões partidárias e, muito menos, pelo calendário eleitoral nacional.
É na unidade de ação que forjaremos as ferramentas para a futura unidade orgânica dos trabalhadores. É na unidade de ação que criaremos as condições para a realização, no momento oportuno, de um ENCLAT - Encontro Nacional da Classe Trabalhadora, que crie as condições para a criação de uma central unitária, classista e anti-capitalista.
São Paulo, abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Informes SindREDE BH



· A manifestação do dia 30 de março foi muito positiva. Nela conseguimos agendar finalmente uma reunião de negociação que aconteceu no dia 02 de abril na SMARD/RH. O secretário adjunto de recursos humanos agora é o Márcio Serrano que se apresentou enquanto biólogo, pedagogo, psiquiatra e médico do trabalho. Disse estar preocupado com a saúde do servidor e que fará uma reforma da Perícia Médica.
· Colocamos nossos pontos mais urgentes para negociação e ficou acertado que a pauta de reivindicação seria discutida posteriormente pois eles ainda não conheciam nossa pauta. É bom lembrar que apenas o secretário é novo, todos seus assessores são antigos.
· Sobre a pós, tudo continua como antes, a regulamentação ainda não está pronta e deverá ser encaminhada à câmara. Pedimos para ter acesso à regulamentação antes que ela vá para a câmara, mas Flavio não gostou da idéia, mesmo assim ficou nossa solicitação para apreciação do Marcio Serrano.
· A averbação também continua como antes, solicitamos que a prefeitura aceite o formulario antigo para quem pediu antes da mudança estabelecida no decreto do ministério do trabalho, já que o estado dará o formulário novo apenas para quem pediu depois da mudança do decreto.
· Em relação às extensões de jornada da educação infantil, eles afirmaram que vão pagar, mas ainda não sabem como, pois as autorizações para as extensões foram ilegais e podem até caracterizar crime eleitoral. Mas que farão um esforço para que o pagamento seja breve.
· Já os vales refeições não deveriam ter sido suspenso em lugal algum e todos os servidores, segundo Maria José, que fazem 8 horas de trabalho ou mais seja em jornada complementar ou dois BMS tem direito ao vale. Por isso peço que todas as pessoas que tiveram o vale negado por alguma razão solicite novamente e se caso a regional negar novamente entre em contato conosco crissindicato@yahoo.com.br informado seu nome e a sua regional. Independente de ter 2 BMs na educação infantil ou 1BM na educação infantil e outro no ensino fundamental.

No dia 23 de abril haverá outra reunião para negociarmos outros pontos pendentes e entrar na pauta de reivindicação.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O fechamento de escolas itinerantes


Em entrevista, o professor Roberto Leher da Universidade Federal do Rio de Janeiro afirmou que a medida é um ataque à liberdade teórica e de crítica

19/03/2009
Vinicius Mansur
De São Paulo, da Radioagência NP
Recentemente, um conjunto de educadores lançou um manifesto exigindo a reabertura das escolas itinerantes ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul(RS), fechadas a pedido do Ministério Público. O escritor uruguaio Eduardo Galeano, os professores de universidades públicas do Rio de Janeiro, como Emir Sader, Roberto Leher, Virgínia Fontes, entre outros, afirmam que a medida faz parte do processo de perseguição política ao MST no estado.
Segundo o poder público no Rio Grande do Sul, o funcionamento das escolas itinerantes não está adequado às normas brasileiras. A governadora do estado, Yeda Crucius (PSDB), reproduziu uma informação da revista Veja, para afirmar que estas escolas estão formando “revolucionários”.
A Radioagência NP foi ouvir a posição dos signatários do manifesto, que consideram o fechamento das escolas inconstitucional. Durante a entrevista, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Leher , afirmou que a medida é um ataque à liberdade teórica e de crítica. Uma tentativa de silenciar uma das experiências que alimenta a esperança da melhoria da educação pública brasileira.
Radioagência NP: Roberto, o conteúdo da educação das escolas itinerantes é inadequado às diretrizes educacionais brasileiras?
Roberto Leher: A organização curricular é fundamentalmente a mesma das escolas públicas. O MST compreende que é necessária uma base educacional comum para todo o povo. O que o MST inova é dar vibração da vida aos conteúdos que estão sendo trabalhados. A base curricular não é profundamente distinta, mas a forma como são abordados os conteúdos, dentro de uma perspectiva distinta da escola pública em geral, na medida em que a pedagogia do MST recupera elementos da pedagogia de Paulo Freire que, justamente, estão defendendo que o conteúdo, a ciência, deve ser uma ferramenta para a gente pensar criticamente o mundo. E essa é uma contribuição magistral para a educação brasileira.
Por que?
Muitos ensinamentos são feitos para as crianças de uma forma puramente mecânica e essas informações não permitem as crianças raciocinarem valendo-se do conhecimento científico. A escola pública brasileira vive uma crise muito profunda. A escola pública está com dificuldade de interagir com as crianças e com o jovem e eu creio que a experiência do MST nos ajuda a reconciliar a escola pública, o trabalho docente, com a vida social dinâmica, como um pensamento educacional para aproximar a escola pública da vida real das pessoas, para que as pessoas se reconheçam naquela escola pública.
Mas o poder público gaúcho chama isso de apropriação indevida da escola pública pelo MST.
O maior equívoco é não compreenderem que uma escola, se ela é de fato pública, ou seja, do povo, ela tem que ser uma escola que dialogue e interaja com o protagonismo social. Isto não é uma idéia que é necessariamente da esquerda, porque é um ideal que está no pensamento liberal do século 18 para o século 19. Eles estão impedindo que os cidadãos possam expressar o seu ponto de vista e possam ser sujeitos e protagonistas da organização do público. Eles estão impedindo a existência de uma reflexão própria e de contribuições originais que são importantes para escola pública, para um conceito moderno de público.
Então, qual seria a justificativa educacional para o fechamento das escolas itinerantes?
Uma pessoa que tem formação ampla e universal é capaz de se indignar diante das injustiças porque ela compreende a raiz social dessas injustiças e é isso que incomoda na pedagogia do MST. Os governos federal e estaduais estão deslocando a responsabilidade do pensamento pedagógico para os empresários, ONGs ligadas aos empresários. São essas pessoas que estão definindo o que é o caráter da escola. O curioso é que o Ministério Público deveria se posicionar, porque eles estão adotando uma postura particularista, não estão buscando uma perspectiva universal, eles querem formar as crianças em uma perspectiva unilateral, da escola vinculada à visão de mundo dos empresários. Contra isso, o Ministério Público não se insurgiu.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Movimento de Oposição Muda SindUTE/MG agora também tem blog


O movimento de oposição Muda Sind-ute
agora tem um blog para divulgar sua luta e sua política
junto aos trabalhadores em educação mineiros.
Acesse nossa página:

quarta-feira, 1 de abril de 2009

20 anos de eleições direta para direção de escola na rede municipal de BH


No processo de constituição da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte ocorre, a partir de 1982, no contexto de transição do Estado autoritário para o Estado de direito, um movimento de abertura da escola à participação popular com a criação do Colegiado Escolar e da Assembléia Escolar nas unidades de ensino[1] e de inversão da lógica de análise do fracasso do aluno, que passa a ser compreendida como um fracasso da escola na relação com as camadas populares.
Diante da efevercência do movimento social em defesa da escola pública de qualidade aconteceram dois importantes eventos em Minas Gerais nesse período: o Congresso Mineiro em Educação, em 1983, e o I Congresso Político-Pedagógico da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte, em 1990. Os temas pautados nos dois congressos, que contou com a participação de pais/mães, estudantes e trabalhadores/as da educação, envolveram a reflexão sobre a função social da escola pública, o direito de acesso e permanência, o direito à aprendizagem, a gestão democrática, a valorização dos/s profissionais. Além disso, foram debatidos diversos aspectos da vida escolar, entre eles o número de estudantes; o número de estudantes por sala de aula; tempo coletivo de estudo; critérios para distribuição de aula, entre outros.
O I Congresso Político-Pedagógico definiu diversos eixos da política educacional, como a gestão democrática, as condições de trabalho (materialidade, quadro de pessoal, número de estudantes por turma/série) e a formação continuada e em serviço, que originou a criação do Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (CAPE), em 1991. A maioria das resoluções desse I Congresso foi incorporada no capítulo referente à educação da Lei Orgânica do Município, votada no final de 1990. Entre elas destacamos o quantitativo de estudantes por turma, a prioridade da educação em tempo integral, a gestão democrática com eleição para direção das escolas e as Assembléias Escolares como instâncias máximas de deliberação das escolas municipais.
Esse período ficou conhecido como movimento de renovação pedagógica e coincidiu com a reorganização da organização sindical no país. Durante o período de 1982 a 1992, foram construídas inúmeras propostas de trabalho nas escolas municipais. Algumas dessas experiências expressas em documentos governamentais e/ou explicitadas nas escolhas políticas encaminhadas pelas administrações, e repercutiram nas políticas governamentais e nas reivindicações profissionais, no período de 1993 e 2007. A Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte participou ativamente desse processo. Várias experiências pedagógicas inovadoras foram gestadas. A participação popular paulatinamente foi sendo implementada através da constituição dos Colegiados e Assembléias Escolares e da realização, em algumas unidades, de eleições para direção de escolas.
A luta pela democratização das escolas iniciou-se sob a concepção de direção colegiada, com a participação de todos os segmentos, com instâncias como: as Assembléias Escolares e os Colegiados Escolares e a escolha das direções através da eleição realizada pela comunidade, pois as direções, até então, eram indicadas por políticos majoritários das regiões da cidade.. A concepção de gestão democrática compreendia a participação da comunidade na elaboração do Projeto Pedagógico da Escola, a consolidação dos Colegiados Escolares, a ampliação das dotações das Caixas Escolares, e as Assembléias Escolares, com poder de deliberar sobre um grande número de assuntos, ampliando a participação da comunidade na gestão escolar (CASTRO, 2000).
As escolas municipais Levindo Coelho, Isaura Santos, Luiz Gatti, Pedro Guerra e Geteco, à revelia da legislação, elegeram em 1985, as suas direções escolares, fruto desse movimento no interior das escolas.
Como represália ao movimento grevista, realizado pelos/as profissionais da Rede em 1988, o prefeito Sérgio Ferrara destituiu a direção de algumas escolas, indicou interventores e demitiu professores/as. A categoria resistiu aos ataques, conseguiu reverter as demissões e as intervenções nas direções de escola e, negociou com os candidatos a prefeito, Pimenta da Veiga e Virgílio Guimarães[1], o compromisso de anistiarem as punições impostas aos grevistas, tais como o corte de pagamento e processos administrativos.
Em 1989, a nova gestão eleita comprometeu-se em reforçar os Colegiados e as Assembléias Escolares[2], consolidar a eleição para direção das escolas e incentivar a construção coletiva dos projetos político-pedagógicos, como instrumentos de gestão democrática e participação popular. A escola é vista, sobretudo, pelas suas potencialidades e não pelos seus déficits.
A grande polêmica naquele momento e, certamente, permanece ainda hoje, refere-se aos critérios das candidaturas para as eleições de direção de escola e de quem pode votar. Desde a primeira Conferência Municipal de Educação, realizada em 1998, a Rede defende o voto universal e o direito de todos/as os/as funcionários/as das escolas, pais e mães candidatarem-se ao cargo de diretor/a e vice-diretor/a. Esta proposta foi aprovada na conferência de 2004, mas como o relatório final do evento ficou sob a responsabilidade da SMED, o governo alegou a existência de polêmica sobre o resultado da votação e determinou que permanecesse a definição da I Conferência.

A partir de 2003, enfrentamos duas novas alterações. A primeira compreende a polêmica da alteração da duração do mandato. Em 2004, o CME enviou à Câmara Municipal uma proposta de alteração da Lei Orgânica do Município, passando o mandato das direções escolares para três anos, com direito a uma recondução. O governo aproveitou o fato para tentar prorrogar o mandato das direções vigentes, sob a alegação de que a coincidência com a eleição para prefeito e vereadores poderia “politizar” as eleições escolares. A categoria pressionou os vereadores e impediu a prorrogação dos mandatos, mantendo a realização das eleições. Mas, o governo mudou a legislação, ampliando para três anos o mandato das direções de escola, sem nenhum debate público, no início de 2007, durante o período de recesso da categoria[3].
A segunda, envolve a criação do cargo de educador infantil, cujas/os profissionais passam a ter tratamento diferenciado com o impedimento, por parte do governo, de candidatarem-se ao cargo de direção de UMEI e escolas; e a subordinação e dependência das UMEI’s, que permite que as “escolas núcleo” indiquem a coordenação pedagógica e a vice-direção das mesmas, sem a participação das educadoras.
Após diversas lutas desse segmento, com o apoio da categoria, foi garantido em lei o direito de concorrem ao cargo de vice-direção de UMEI. Entretanto, apesar de a Lei Municipal 9.154/2006 oficializar o direito de participação das educadoras no pleito, o próprio governo impediu que elas concorressem às eleições em 2006 e, inclusive, não deu posse àquelas que ousaram entrar na justiça para participaram do pleito, e foram eleitas pelo voto direto da comunidade escolar[4].
Em 2008, a partir da apresentação de projeto de lei que incluía as/os ocupantes do cargo de educador infantil com direito de participar das eleições de escolas e UMEIs, de várias mobilizações, abaixo-assinados e pressões, o governo cedeu, e elas/as puderam participar das eleições e tomar posse. Hoje temos XX atuando como vice-direções de UMEIs.
[1] As instâncias democráticas da escola como o Colegiado Escolar e a Assembléia Escolar foram criadas pela Portaria n.01 de 28 de dezembro de 1983.
[2] A Lei Orgânica do Município de Belo Horizonte definiu em seu artigo 158 os Colegiados e as Assembléias Escolares como instâncias máximas de deliberação das escolas municipais.
[3] A alteração ocorreu através da aprovação da Emenda 20 à Lei Orgânica Municipal, em 1º de fevereiro de 2007.
[4] Após o reconhecimento da Justiça e diversas mobilizações da categoria, inclusive com apresentação de projeto de lei na Câmara Municipal, a portaria das eleições para direção das escolas municipais de 2008 incorporou as educadoras com direito de disputar a vice-direção das UMEIS.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Da escola plural à política de meta e resultados: O que muda na rede municipal?

O coletivo TRAVESSIA convida VOCÊ para a “RODA DE CONVERSA”,
que acontecerá no dia DIA 1º DE ABRIL, 18:30 HORAS, no SINDREDE/BH.
EM DEBATE: “DA ESCOLA PLURAL À POLÍTICA DE METAS E RESULTADOS: O QUE MUDA NA REDE MUNICIPAL?
NOSSAS CONVIDADAS:
MARIA CLEMÊNCIA – PROFESSORA E DIRETORA DA
E.M. AURÉLIO PIRES
STEFÂNIA PADILHA – PROFESSORA DA E.M.
CRISTOVAM COLOMBO
VENHA DEBATER SOBRE A REDE E O FUTURO
visite nosso site - http://br.geocities.com/coletivo.travessia
SindREDE/BH
Av. Amazonas 491 sala 1001
Centro - BH

sexta-feira, 27 de março de 2009

Os Trabalhadores e as trabalhadoras não pagarão pela crise


O Brasil vai às ruas na próxima segunda-feira, 30 de março. Os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade estarão unidos contra a crise e as demissões, por emprego e salário, pela manutenção e ampliação de direitos, pela redução dos juros e da jornada de trabalho sem redução de salários, pela reforma agrária e em defesa dos investimentos em políticas sociais.
A crise da especulação e dos monopólios estourou no centro do sistema capitalista, os Estados Unidos, e atinge as economias menos desenvolvidas. Lá fora - e também no Brasil -, estão sendo torrados trilhões de dólares para cobrir o rombo das multinacionais, em um poço sem fim, mas o desemprego continua se alastrando, podendo atingir mais 50 milhões de pessoas.
No Brasil, a ação nefasta e oportunista das multinacionais do setor automotivo e de empresas como a Vale do Rio Doce, CSN e Embraer, levaram à demissão de mais de 800 mil trabalhadores nos últimos cinco meses.
O povo não é o culpado pela crise. Ela é resultante de um sistema que entra em crise periodicamente e transformou o planeta em um imenso cassino financeiro, com regras ditadas pelo "deus mercado". Diante do fracasso desta lógica excludente, querem que a classe trabalhadora pague a fatura em forma de demissões, redução de salários e de direitos, injeção de recursos do BNDES nas empresas que estão demitindo e criminalização dos movimentos sociais. Basta!
A precarização, o arrocho salarial e o desemprego enfraquecem o mercado interno, deixando o país vulnerável e à mercê da crise, prejudicando fundamentalmente os mais pobres, nas favelas e periferias. É preciso cortar drasticamente os juros, reduzir a jornada sem reduzir os salários, acelerar a reforma agrária, ampliar as políticas públicas em habitação, saneamento, educação e saúde, e medidas concretas dos governos para impedir as demissões, garantir o emprego e a renda dos trabalhadores.
Manifestamos nosso apoio a todos os que sofreram demissões, em particular aos 4.270 funcionários da Embraer, ressaltando que estamos na luta pela readmissão.
O dia 30 também é simbólico, pois nesta data se lembra a defesa da terra Palestina, a solidariedade contra a política imperialista do Estado de Israel, pela soberania e auto-determinação dos povos.
Com este espírito de unidade e luta, vamos construir em todo o país grandes mobilizações. O dia 30 de março será o primeiro passo da jornada. Some-se conosco, participe!
NÃO ÀS DEMISSÕES!
REDUÇÃO DOS JUROS!
REDUÇÃO DA JORNADA SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS E DIREITOS!
REFORMA AGRÁRIA, JÁ!
POR SAÚDE, EDUCAÇÃO E MORADIA!
EM DEFESA DOS SERVIÇOS E SERVIDORES PÚBLICOS!
SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO!
Ato Internacional Unificado Contra a Crise
Organizadores:
ASSEMBLÉIA POPULAR, CEBRAPAZ, CGTB, CMB-FDIM, CMS, CONAM, CONLUTAS, CONLUTE, CTB, CUT, FORÇA SINDICAL, INTERSINDICAL, MARCHA MUNDIAL DE MULHERES, MST, MTL, MTST, NCST, OCLAE, UBES, UBM, UGT, UNE, UNEGRO/COMEN, VIA CAMPESINA

quinta-feira, 26 de março de 2009

A CRISE É GRAVE E A UNIDADE DOS TRABALHADORES É A RESPOSTA! CRIADO O FÓRUM MINEIRO DE LUTA


A Grave Crise econômica que se abateu sobre o mundo nos últimos meses, deve ser entendida como uma crise de super acumulação capitalista, motivada entre outros fatores, pela grande concentração de riquezas nas mãos de grandes especuladores internacionais e pelo aumento vertiginoso da exploração sobre toda a força de trabalho mundial, que proporcionou recursos para alimentar a especulação capitalista.
Os efeitos dessa crise foram sentidos no Brasil de forma mais rápida e mais grave do que anunciado pelo Governo e os órgãos da imprensa.
Houve uma forte retração econômica, principalmente quanto à produção industrial, com destaque para os Estados de São Paulo e Minas onde os maiores cortes foram nos setores da mineração e metalurgia. Os índices econômicos apontam queda na produção em todos os setores produtivos, confirmados com a divulgação de queda no PIB de 3,6% nesse trimestre. Tal quadro confirma a relação de dependência da economia brasileira e o nível de recessão que se aprofunda e de possíveis cortes de investimentos do Estado nas áreas sociais, além da piora na qualidade de vida do trabalhador e a consecutiva precarização da força de trabalho.
A burguesia brasileira por sua vez está tentando tirar proveito da crise, aumentando a taxa de exploração da força de trabalho promovendo demissões em massa e impondo a redução de jornada com corte de salários em muitas “negociações”, isso demonstra a intenção clara de tentativa de sair da crise rebaixando salários, direitos e garantias dos trabalhadores, aumentando a deterioração sobre as riquezas naturais alem da tentativa de criminalização dos movimentos sociais que ousarem resistir contra as ofensivas do capital sobre o trabalho.
Em todo o mundo, diversas entidades de classe estão organizando frentes unitárias de ação contra os ataques que o Capital através dos patrões e dos governos vem operando sobre os trabalhadores. Entendemos que é de fundamental importância que todos os setores do movimento sindical, popular e estudantil que possuam o compromisso com a resistência ao capitalismo e a luta por uma nova sociedade, unam forças em uma grande frente de massas que possa lutar para que a classe trabalhadora se organize e assuma o papel de protagonista do processo de luta no combate aos efeitos da crise, criando as condições para que se acumulem forças no sentido de se obter novas conquistas além da instauração de uma nova mentalidade política que rompa com os patamares da sociedade capitalista.
Mais do que nunca, está na ordem do dia a questão do socialismo.
Portanto, estamos diante de um momento especial para a luta de classes em nosso país. Os trabalhadores devem se preparar da melhor maneira possível para os embates que virão pela frente.
Nesse momento a organização de um amplo FÓRUM MINEIRO DE LUTA deverá ser a nossa principal meta como a resposta necessária e precisa à crise do capitalismo, ORGANIZANDO, CONSCINTIZANDO E AGINDO para a contra ofensiva popular.

1-Contra o desemprego e pela estabilidade no emprego;
2- Redução da jornada de trabalho sem redução de salários;
3- Pela reforma tributaria que penalize as grandes fortunas;
4- Isenção de taxas e tarifas públicas para os/as desempregados/as: IPTU, conta de energia elétrica e água, gratuidade no transporte coletivo e outros;
5- Estatização e reestatização das empresas que demitirem em massa;
6- Em defesa dos servidores e por serviços públicos de qualidade;
7- Pela reforma agrária popular e massiva;
8-Suspensão dos subsídios às empresas.
9- Construir um dia nacional de luta contra as demissões.
10- Apoiar a integração e a autonomia latino-americana frente ao imperialismo.
11- Contra a PEC 233 que acaba com o orçamento da seguridade social.
12- Nenhum direito a menos!
TODO APOIO À MOBILIZAÇÃO DE 30 de MARÇO E 1° DE ABRIL!
RUMO AO 1° DE MAIO DE UNIDADE E DE LUTA!

Assinam:

CASA DA AMÉRICA LATINA, CONLUTAS, CTB, INTERSINDICAL, MST, VIA CAMPESINA, MAB, CONSULTA POPULAR, PCB, PCR, PSTU, PSOL, JORNAL A VERDADE, MLB (MOVIMENTO DE VILAS BAIRROS E FAVELAS), AMES- BH, UJC, UJR, FÓRUM SOCIAL MUNDIAL SESSÃO MINAS GERAIS.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Leia o Brasil de Fato!


Estimados amigos e amigas,
Fui incumbido pelo conselho editorial do Jornal Brasil de fato, que reúne 25 companheiros e companheiras representando diversos setores de nossa sociedade e dos movimentos sociais, a lhes escrever.
Vocês têm acompanhado o esforço de centenas de militantes, dos mais diferentes movimentos sociais, para construir o jornal Brasil de Fato, que já completa seis anos de imprensa popular comprometida com os interesses de nosso povo (2003-2009).
Fizemos em janeiro passado um belo ato celebrativo durante o Fórum Social Mundial em Belém.
Além de resistir num contexto tão adverso de crise - de projeto, de ideologia da esquerda, dos movimentos populares e descenso do movimento de massas - foi possível dar passos e avançar na construção de um jornal de esquerda.
Breve balanço
Conseguimos superar muitas dificuldades relacionadas com boicote da entrega (que agora está normalizada pelo serviço de correios), da freqüência da entrega, da qualidade do jornal, de sua cobertura nacional.
Mantivemos o jornal impresso semanal, que circula às quartas-feiras, sem faltar nenhuma edição. O jornal se destina a militantes sociais e interessados em conhecer a realidade das lutas com uma visão diferente daquela construída pela mídia corporativa. Também temos feito edições massivas, destinadas à população em geral, quando se trata de temas importantes da luta conjuntural. E já chegamos a atingir a tiragem de um milhão de exemplares.
Recentemente, editamos um jornal especial para denunciar as falcatruas da oligarquia Sarney, que quer desrespeitar a vontade popular e retomar o comando do governo do Maranhão.
Mantemos também uma página na internet que é referência para os movimentos sociais, com milhares de acessos mensais: http://www.brasildefato.com.br/.
Enviamos um boletim eletrônico semanal, com resumo das notícias e artigos, para 84 mil militantes de movimentos sociais. Se você ainda não recebe o boletim, se cadastre enviando um correio para: agencia@brasildefato.com.br.
Estamos articulados com uma agência de rádio que faz programas diários de áudio, enviando gratuitamente a centenas de rádios comunitárias e comerciais. E edita também programas em espanhol no intercâmbio com rádios co-irmãs da América Latina.
Se você tiver contato com alguma rádio comunitária ou programa que considera interessante, nossa agência pode enviar programas gratuitamente.
Mantemos um intercâmbio cultural com dezenas de publicações populares de todo o país e da América Latina.
Estamos fazendo um esforço, para que logo, logo, o jornal possa também distribuir vídeos e material audiovisual para serem utilizados pelos canais de televisão comunitária e educativa, espalhados pelo país.
Temos correspondentes jornalistas brasileiros, exclusivos, morando em Caracas, La Paz, Asunción, Paris e Estados Unidos, que nos ajudam com seu trabalho militante.
Como vêem, temos muita coisa boa sendo feita.
Todo esse esforço somente terá futuro e autonomia caso se sustente no apoio militante das assinaturas. Temos recebido apoio publicitário de diversas empresas e administrações públicas progressistas, que consideram nosso esforço importante para a democratização dos meios de comunicação no Brasil. Isso é importante. Mas o fundamental são as assinaturas.
Por isso, estamos entrando em contato com todos os militantes, amigos, simpatizantes. Nos ajudem a construir a imprensa popular brasileira. Faça sua assinatura. Renove. Motive um amigo a também fazê-la. Faça um presente para um/a amigo/a. Fique por dentro das principais informações da classe trabalhadora.
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Um forte abraço, em nome do conselho editorial.
João Pedro Stedile

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sexta-feira, 20 de março de 2009

A SUBMISSÃO AO PODER: ESTE É O LEMA DA “NOVA GESTÃO” DA SMED/BH


A SMED (Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte) foi ocupada, nos últimos anos, por antigas e novas pessoas que se dizem “militantes”, com um único lema: a submissão ao poder. Essa turma faz qualquer coisa para garantir-se no governo e usufruir das mordomias do poder. Se antes, realizam calorosas discussões políticas nas escolas, hoje se limitam a construir argumentos para justificar e sustentar a linha do governo. Não há uma preocupação com a construção de alternativas para melhorar a educação municipal.
Em outros espaços da cidade, antigos/as e verdadeiros/as militantes estão perplexos/as diante desses fatos. A Secretária de Educação, a Sra. Macaé, é a primeira a abrir mão da crítica ao modelo neoliberal que vem sendo implementado na educação mundial. Prova disso foi o seu discurso na posse das direções de escola ao solicitar a adesão da Rede ao movimento empresarial “Todos pela Educação”. Certamente, a senhora secretária, representante do PT no governo, sabe que o “Compromisso Todos pela Educação” é organizado e liderado pelo PSDB e os maiores grupos financeiros e empresariais paulistas. É um movimento que não tem preocupação efetiva com a educação pública, mas com o aumento de seus lucros.
Já vimos antes o que acontece quando a SMED adere aos dogmas neoliberais, a exemplo da Sra. Maria do Pilar quando assumiu a direção da UNDIME. E é preciso lembrar que Macaé, Afonso e Pilar, têm fortes relações políticas, e apesar de terem iniciado a militância nas lutas sociais são fiéis porta-vozes de uma política educacional privatista e neoliberal.
A aplicação de uma política educacional quantitativa, que desconsidera discussões construídas na rede durante décadas, representa um grande retrocesso na qualidade da educação municipal. As novas medidas anunciadas são velhas conhecidas no debate educacional: a “bomba”, o controle do boletim, a recuperação paralela durante o horário de aula da criança. Inclusive, a política de proibição dos/as professores/as com formação específica lecionarem nas 5ª séries, está em contradição com a discussão da ampliação para nove anos do ensino fundamental.
É uma política educacional ruim, encaminhada por um governo ruim, que deseja produzir uma escola também ruim. Situação que nos faz relembrar a conhecida frase “o poder não corrompe, apenas revela o caráter das pessoas”. Portanto, cabe a nós, que mantemos o nosso compromisso com a escola pública, resistir às investidas da SMED e garantir a qualidade da educação que acreditamos.

Coletivo Travessia

terça-feira, 17 de março de 2009

O regresso à economia da depressão - Reflexões sobre a crise do sistema capitalista


por Pedro Carvalho


“A questão é que não podemos compreender as causas da actual crise se não tivermos em conta a sua natureza sistémica. Que a crise é inerente ao modo de produção capitalista, germina dos seus limites e contradições. Que a crise é a súmula de uma acumulação de crises. Que a estagnação económica é tendencial ao sistema capitalista, entre interrupções cíclicas no processo de acumulação de capital. Que a concentração e a financeirização do capital são resultado e resposta à estagnação. Que a questão central para a acumulação capitalista é a taxa de lucro e que esta está na génese da crise. Que o desemprego é seu reflexo e variável estratégica na exploração do trabalho.”

Hoje é evidente para todos que a actual crise não é meramente financeira ou localizada num grupo de países. A crise financeira chegou à economia real. As principais potências imperialistas vão entrando em recessão. As últimas previsões do FMI e da OCDE apontam para uma contracção do produto em 2009 para os países capitalistas mais desenvolvidos no seu conjunto, pela primeira vez desde a segunda guerra mundial. Apontam para uma forte desaceleração do crescimento da economia mundial e, a CNUCED, aponta mesmo para um recuo do produto mundial por habitante. A crise é global e emana do centro do sistema capitalista mundial, sobretudo da sua potência central – os Estados Unidos.

Após o regresso da «estagflação» em 2007 e no primeiro semestre de 2008 e o aprofundamento da crise financeira no Outono de 2008, o fantasma da deflação e da depressão estão cada vez mais presentes. Os governos e os bancos centrais utilizam todos os instrumentos para estabilizar o sistema financeiro, estimular o «motor» do crédito do qual depende o sistema capitalista. Mas apesar das massivas doses de liquidez injectadas no mercado, das reduções das taxas de juro e de volumosos pacotes de investimento de influência keynesiana, a crise continua a aprofundar-se, evidenciando a aparente ineficácia das respostas clássicas de política monetária e orçamental. Vejamos alguns exemplos.

Tenta-se estimular o crédito. Mas esquece-se do já excessivo endividamento das empresas e famílias na Tríade (Estados Unidos, União Europeia e Japão) e os crescentes riscos de incumprimento dos créditos contraídos. Esquece-se que num contexto de restrições ao consumo e de sobreprodução, as empresas não irão contrair empréstimos para expandir a produção daquilo que não conseguem vender. Os bancos centrais reduzem as taxas de juro de referência (com as taxas de juro reais a ficarem mesmo negativas), o que tendo impacto no serviço da dívida das empresas e das famílias face aos créditos existentes, não o terá da mesma forma na concessão de novos créditos, cujo prémio de risco será traduzido num maior spread. Por outro lado, as empresas contraem empréstimos para investir quando estão a ser lucrativas, ou seja, quando estão a realizar as taxas de lucro esperadas.

O aumento dos investimentos públicos previsto nos pacotes de estímulo orçamental contribui para compensar a «falta» de investimento de privado, mas este está limitado pela sustentabilidade orçamental das «operações de salvamento» do sector financeiro em curso e a capacidade dos Estados colocarem dívida pública. Um exemplo. O total de activos detidos pelos cinco maiores bancos ingleses equivale a quase cinco vezes o PIB da Inglaterra, ou seja, uma operação de injecção de capital de 1% custaria ao governo britânico quase 5% do seu PIB, por via do aumento da dívida pública. Então se forem necessárias operações de injecção de capitais de 5% ou 20%?

O cenário da «armadilha da liquidez» keynesiana parece cada vez mais real, o que nos faz lembrar, não só o exemplo actual do Japão, em deflação e estagnação continuada após o crash bolsista de 1987, como o exemplo mais «longínquo» da Grande Depressão. É o regresso à economia da depressão. Muitos economistas continuam a tentar justificar a crise com erros de política económica, com falhas na regulação dos mercados ou com a falta de ética ou comportamentos fraudulentos de alguns agentes económicos. Como aliás aconteceu na análise da Grande Depressão dos anos 30. Alguns estavam mesmo crentes que o ciclo económico tinha sido domado e que as crises podiam ser contidas pela mera injecção de liquidez por parte dos bancos centrais. Outros acreditavam que estávamos numa «nova economia». Mas a verdade é que o ciclo económico sempre esteve bem vivo, em 2000 já se tinha visto que a «nova economia» padecia dos mesmos males da «velha» e, agora, a fase recessiva do ciclo voltou com uma força imparável.

A questão é que não podemos compreender as causas da actual crise se não tivermos em conta a sua natureza sistémica. Que a crise é inerente ao modo de produção capitalista, germina dos seus limites e contradições. Que a crise é a súmula de uma acumulação de crises. Que a estagnação económica é tendencial ao sistema capitalista, entre interrupções cíclicas no processo de acumulação de capital. Que a concentração e a financeirização do capital são resultado e resposta à estagnação. Que a questão central para a acumulação capitalista é a taxa de lucro e que esta está na génese da crise. Que o desemprego é seu reflexo e variável estratégica na exploração do trabalho.

O actual momento de crise tem semelhanças com a primeira grande crise estrutural do sistema capitalista mundial – a Grande Depressão dos anos 30. E entre esta crise e a actual importa fazer uma breve resenha histórica.

O início do século XX fica marcado pela forte concorrência intercapitalista, por uma elevada concentração e centralização do capital, por um excesso crescente de capacidade industrial instalada e as consequentes pressões sobre a taxa de lucro, ou seja, uma crise de rentabilidade. A financeirização foi também então a resposta à crise. As crises financeiras aumentaram de intensidade neste período, entre os crashs bolsistas, como o de 1907 em Wall Street, e os booms devidos à formação «bolhas» inflacionárias dos preços dos activos financeiros. Estávamos no culminar de uma crise de sobreprodução e sobre-acumulação, a que se juntava uma crise energética relacionada com o motor energético de então – o carvão. «E como triunfa a burguesia nas crises?», «pela aniquilação forçada de uma massa das forças produtivas», afirmava Marx, no Manifesto Comunista, a fim de restabelecer as condições de valorização do capital e encetar um novo ciclo de acumulação de capital. O que aconteceu com a primeira guerra mundial.

A primeira guerra mundial permitiu um período de euforia e exuberância dos anos 20, apoiado também numa nascente indústria automóvel, numa fonte de energia mais barata – o petróleo e na reconstrução do pós-guerra. O presidente dos Estados Unidos, Calvin Coolidge, ao deixar o cargo no final de 1928, também falava da prosperidade visível e de uma «nova economia» que despontava. Mas por detrás da euforia, eram já evidentes, na segunda metade dos anos 20, os sintomas da crise de sobreprodução existente e o grau de sobre-acumulação de capital, com as fortes quebras na produção industrial nos Estados Unidos e a crise do sector imobiliário na Florida, enquanto o capital fictício explodia numa enorme bolha especulativa que se auto-alimentava, com a expectativa de lucros esperados inexistentes e o aumento do stock de dívida. O crash bolsista de 29 de Outubro de 1929, seguido da crise bancária de 1930-31, marca o início da Grande Depressão, que apesar da ampla destruição de forças produtivas, só veio a ser superada pela segunda guerra mundial – na reconversão para uma economia de guerra, e pelas condições criadas no pós-guerra. Estas condições permitiram relançar um novo ciclo longo de acumulação de capital, que permitiu a manutenção de taxas de crescimento do produto elevadas nos anos 50 e 60. A guerra provocou uma forte destruição das forças produtivas, sobretudo na Europa e no Japão. Os planos Marshall e Dodge permitiram o escoamento da produção excedentária dos Estados Unidos para a Europa e o Japão. Por sua vez, as poupanças acumuladas durante a guerra podiam ser dispendidas e o crescimento do poder aquisitivo dos salários permitia a manutenção de níveis elevados de procura, devida à correlação de forças favorável ao trabalho saída do pós-guerra.


Amigos: Não deixem de ler este excelente texto de Pedro Carvalho na íntegra, publicado em odiario.info, uma das melhores análises recentes sobre a crise, a partir de uma visão marxista.



domingo, 15 de março de 2009

NOVELA MALDITA


Há quem adore na mesma proporção dos que detestam. E todos têm suas razões, sejam políticas, artísticas ou estéticas. Entretanto uma coisa é certa: as novelas sempre oferecem duas ótimas metáforas: pelos temas que abordam e pela própria estrutura folhetinesca. Qual o sucesso de audiência que não tem seus núcleos (pobres, ricos, subúrbios, zona sul, cultos, iletrados) ? Qual delas não tem aquela estrutura narrativa padrão e linear (apresentação, desenvolvimento, conflito, desenlace), com suas ações e intrigas, entrelaçamento de núcleos e outros artifícios que fazem a alegria imensa dos que gostam e provocam o ódio dos opositores ?

Acostumamo-nos tanto com as novelas, que passamos a idealizar a vida naquele formato. Sobretudo a linearidade, que evita os sobressaltos nos corações mais sensíveis. Porém a vida não é assim, não é mesmo ? Das idealizações sobrevivem apenas... as metáforas, mitificação do ideal.


Melhores e piores... Top of mind...

Então vamos nos valer exatamente disso. Auxiliares – pela infeliz definição gerada pela nomenclatura no imaginário de alguns – têm a característica do secundarismo. Não são os protagonistas. Muito longe dos Chicos Cuocos, Tarcísios e Glórias, cabe-lhes o papel coadjuvante. A visão menos treinada para perceber a igualdade humana e mais atinada para as representações acaba por compreender de forma errônea, alienada – quase lisérgica – uma realidade que já não existe mais.

Atenção, “Cultura Escolar”: é tempo de despertar ! Somos todos protagonistas: de nós mesmos, de nossos núcleos sociais, de nossas famílias, de nossa classe ! NÃO EXISTE SERVIDOR DE PRIMEIRA OU SEGUNDA CATEGORIA. Não existem principais e secundários na grande cena da realidade. Porque a vida... não é novela.



Dalits

Muitos de nós tivemos a possibilidade do acesso aos livros, às bibliotecas de nossas escolas, lembram ? Descobrimos o Fernão Capelo, o Cabo de Vassoura, a Borboleta Atília, Pedrinho, Narizinho, Emília, etc no “sacrossanto e quase metafísico universo das bibliotecas”. Agora nós, olhando o passado, mirando o futuro, perguntamos: é correto aceitar que as bibliotecas, núcleo aglutinador de conhecimento, por excelência e função, sejam utilizadas pelo descontrole político-pedagógico verticalizado como "cantinho de castigo" (olhem que absurdo: "se não se comportar vai de castigo para ler na biblioteca !"), da mesma forma que são utilizadas para aulas de reforço, intervenção, depósito de livro didático, de material de limpeza, depósito de despejos gerais, espaço de reuniões diversas, etc, etc, etc. ? É isso o que desejamos ?

É correto aceitar que auxiliares de biblioteca tenham reajustes percentuais inferiores a quase todos os outros segmentos de UMA MESMA CATEGORIA como já ocorreu no passado ? E o “patrãozinho” ? O que acharia o Núcleo de Bibliotecas se visitasse uma biblioteca entulhada de materialidades alheias à função da mesma ? Ou será que eles sabem e: não se importam/não percebem o dano às crianças/acham que tudo é normal/acham que os números gerais compensam "dificuldades pontuais"/fingem não perceber ?

Não dá mais. Pelo que representamos, pelo que o espaço biblioteca escolar representa e pela responsabilidade de gerar a capacidade dos indivíduos desenvolverem raciocínios próprios (ao contrário de repetir movimentos e pensamentos alheios), não dá mais...

Dalitis, não !


Coletivo Lima Barreto
http://www.coletivolimabarreto.blogspot.com/
coletivolimabarreto@yahoo.com.br

sexta-feira, 13 de março de 2009

Assembléia de 11 de março - Auxiliares de Biblioteca Escolar da PBH fazem-se ouvir


Foi grande a participação de Auxiliares de Biblioteca na assembléia realizada no Órion, dia 11 de março. Os muitos(as) auxiliares presentes mostraram que a nossa mobilização é possível.

A pauta foi aprovada em quase sua totalidade. Destaque para o índice de reajuste que será reivindicado. Posto em votação o índice unificado de 26%, surgiu outra proposta: 19%, porém com recuperação das perdas sofridas pelos segmentos que tiveram, anteriormente, reajuste menor e diferenciado. Esta foi a proposta mais votada. Por pequena diferença.

Destaque também para a dimensão atingida pelos (as) auxiliares de biblioteca na assembléia. Foram duas intervenções para avaliação no total de nove. Pelos (as) auxiliares de biblioteca falaram Alexandre Campinas e Daniel Oliveira, ambos ressaltando perdas salariais e denunciando diferença de tratamento por parte da PBH, entre outras coisas. Além dessas avaliações Daniel também falou uma vez mais para defender o reajuste de 26%. Tal participação é inédita para auxiliares em assembléias da categoria. Isso demonstra a determinação e o respeito que o nosso segmento vem alcançando dentro do Sind-Rede/BH.

Auxiliares de Biblioteca no Fundeb: Vitória de todos (as)

Não bastasse toda a movimentação dos(as) auxiliares de biblioteca, dois deles foram eleitos para o Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - Fundeb: Alexandre Campinas da E.M. Profa. Alcida Torres, como titular e Daniel Oliveira da E.M. José Calazans, como suplente.

Além dos auxiliares, foram eleitos a professora Maria da Consolação, a Consola, como titular e o professor Efigênio Sinval, como suplente.

Vitória total do nosso segmento, cada vez mais presente e atuante !

Prefeito "mandou o Lima"...

Mas não era ele o grande negociador ?

A assembléia foi complementada com uma caminhada até a PBH para entrega da pauta ao prefeito. Nova comissão foi formada para entrar na PBH, estranhamente vazia e protegida ostensivamente pelos Guardas Municipais contra a população. É preciso dizer mais alguma coisa ?! O prefeito, claro, não recebeu este segmento da população que, além de tudo, são servidores municipais. Mandou "o Lima", ou melhor (pior ??) dizendo, o conhecido Otílio, bom, antigo e fiel para-choques da PBH. Otílio comprometeu-se com a comissão - e com toda a categoria - a levar o documento ao prefeito e marcar uma audiência.

A ver, Otílio, a ver...



quinta-feira, 12 de março de 2009

Coletivo Travessia - Quem somos


O Coletivo Travessia é formado por trabalhadores e trabalhadoras em educação da Rede Municipal de Belo Horizonte que discute a ação sindical da categoria diante da configuração política atual, por acreditar que a organização da Rede é a única maneira de garantir aos melhores condições de trabalho.
O Coletivo Travessia busca também contribuir com a reflexão pedagógica por considerar a nossa profissão como construtora da realidade histórica em que vivemos.
O Coletivo Travessia congrega militantes das escolas municipais de Belo Horizonte, vinculados ou não a partidos políticos e/ou centrais sindicais. Atualmente, ele é composto por militantes sem partido político, militantes do PSOL e PCB, da Intersindical e da Conlutas, representantes de escolas e dirigentes do Sind-REDE/BH.
Para divulgar nossas posições políticas e pedagógicas para a categoria dos/as trabalhadores/as em educação criamos um site. Queremos, com ele, dar maior visibilidade ao nosso grupo dentro do Sind-Rede/BH, assim como ampliar nossas discussões aos nossos companheiros/as de trabalho.
Visite nosso site! Conheça as nossas idéias! Participe de nossas reuniões!
http://br.geocities.com/coletivo.travessia/


FIQUE DE OLHO!!! SEMINÁRIO DE FORMAÇÃO DO COLETIVO TRAVESSIA


Em abril/maio realizaremos um seminário de formação com a temática: Escola Plural e o atual projeto pedagógico da PBH - as repercussões na organização do trabalho das escolas. Ao final do encontro realizaremos um sarau literário e uma confraternização.Assim que fecharmos a data divulgaremos para as escolas. Venha participar conosco. Traga suas idéias, energia, violão, e um lanche para confraternizamos

segunda-feira, 9 de março de 2009

UMA BREVE ANÁLISE DA CRISE DE UM PONTO DE VISTA FEMINISTA


Nós não vamos pagar por essa crise! Mulheres livres! Povos soberanos! No 8 de março de 2009, milhares de mulheres do Brasil e do mundo levantam as bandeiras contra o capitalismo, o imperialismo, o machismo, o racismo e a lesbofobia, confrontando o sistema capitalista e patriarcal que nos oprime e explora. Elas vão ocupar as ruas para afirmar que querem construir um mundo livre de exploração, desigualdades e discriminação, uma transformação radical com igualdade, autonomia, liberdade e soberania popular! Elas são mulheres feministas contra o capitalismo patriarcal! Nas ruas e em nossas casas, nas florestas e nos campos, no prosseguir de nossas lutas e no cotidiano de nossas vidas, manteremos nossa rebeldia e mobilização!
Em Belo Horizonte ocorrerão diversas atividades. Estamos participando do ato unificado no dia 06 de março, sexta-feira, com concentração na Praça Sete e caminhada até a Praça da Liberdade. E no dia 08 de março, domingo, com concentração no coreto do Parque Municipal, panfletagem na Feira de Artesanato e encontro de mulheres no Centro Cultural da UFMG. Venha ocupar as ruas da cidade em defesa da igualdade, liberdade e paz.
* No site do Coletivo Travessia você encontra sugestões de vídeos e textos para trabalhar com seus/suas estudantes a questão de gênero.

UMA BREVE ANÁLISE DA CRISE DE UM PONTO DE VISTA FEMINISTA
“As crises financeira, econômica, ambiental e alimentar que afetam o planeta e nossas vidas não são fenômenos isolados. Trata-se de uma crise global, gerada por esse modelo de desenvolvimento, baseado na superexploração do trabalho e na especulação financeira. Uma de suas bases de sustentação é a opressão das mulheres, que combina machismo e capitalismo, transformando tudo em mercadoria e colocando preço inclusive em nossos corpos. Não acreditamos em respostas superficiais para a crise. Somos contra os milhões retirados dos fundos públicos para salvar bancos e grandes empresas. Isso gera mais concentração de riqueza e reproduz o sistema capitalista patriarcal.

Também somos contra qualquer tentativa de retirada dos direitos trabalhistas e de redução de salários, propagandeadas como soluções para a crise econômica. Queremos investimentos públicos que garantam as vagas de trabalho já existentes, que ampliem a oferta de vagas com carteira assinada e reforcem a rede de direitos sociais. Nós, mulheres feministas, afirmamos: as mulheres não vão pagar por esta crise! É urgente avançarmos na construção de alternativas socialistas a este modelo. Em vez dos agrocombustíveis e da privatização da natureza, defendemos mudanças na forma de produzir alimentos, a redução do padrão de consumo e a produção descentralizada de energia.

Afirmamos que os bens comuns de nosso território – incluindo a água, a biodiversidade e o petróleo encontrado na camada do pré-sal – são do povo brasileiro e devem ser utilizados para garantir desenvolvimento social e econômico de toda a população. A resposta à crise alimentar não pode vir dos transgênicos, e sim da reforma agrária, da produção agroecológica e da garantia de nossa soberania alimentar. Construir a igualdade em nossa sociedade passa por valorizar o trabalho das mulheres e garantir sua autonomia econômica. Assim, defendemos a valorização do salário mínimo e lutamos por um modelo de proteção social solidário, universal e inclusivo, com direito à saúde, assistência social e aposentadoria digna para todos e todas.

Também nos solidarizamos aos processos de construção de alternativas em curso na América Latina, que recuperam a soberania dos povos sobre seu território e seus recursos naturais. Estamos em luta por soberania dos povos e liberdade para as mulheres!” (extratos do Manifesto do 8 de março de São Paulo/2009).

quinta-feira, 5 de março de 2009

OS MOVIMENTOS SOCIAIS DE BH, A CRISE ECONÔMICA E AS PERSPECTIVAS DA CLASSE TRABALHADORA


No dia 28 de fevereiro reuniram-se no Sind-Rede/BH 20 entidades e 54 dirigentes, para debater o processo de unidade do movimento social e sindical para a execução de uma jornada de luta que deverá culminar com grande ato no 1º de maio.
O seminário discutiu unanimemente a importância de pavimentarmos a unidade a partir da construção de um calendário de atividades das quais haverá um esforço de participação do conjunto das entidades presentes a fim de acumularmos força na perspectiva de massificação da luta.
Reestatização da VALE
Pela autodeterminação dos povos, contra as guerras imperialistas
Pela solidariedade latino americana
Campanha da redução e isenção da energia para famílias de baixa renda
Campanha do Pré Sal. O petróleo tem que ser nosso.
Contra as demissões e o desemprego

Calendário comum de lutas:
Dia 06 de março – ato unitário dos movimentos feministas e movimento social da grande BH, contra a crise, o desemprego e a violência. Praça 7 a partir das 14 horas.
Dia 08 de março – dia internacional de lutas da mulheres.
Dia 01 de Abril - Ato contra o desemprego e o fechamento da NOVELIS (ex ALCAN) na cidade de Ouro Preto.
Dia 21 de abril – Ato em são João Del Rei e Ouro Preto.
Dia 1º de maio – Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores. Ato unificado em BH.
Semana de 1º a 5 de junho – Semana de luta contra a crise capitalista. Lutas unificadas greve geral e as alternativas dos movimentos populares.
Semana do 7 de setembro. Grito dos excluídos
MOÇÃO

A crise sistêmica e estrutural do capitalismo avança no Brasil. Trabalhadores e suas organizações serão permanentemente atacados pelas classes dominantes. O desemprego é a face mais cruel e perversa, nesse momento, da crise.
Neste horizonte a luta pela Reforma Agrária torna-se uma alternativa concreta e indispensável para busca de soluções para os trabalhadores, fundamentalmente num país de latifúndios.
É neste contexto que o MST e os movimentos sociais de luta pela terra são profundamente atacados. É inadmissível que o Presidente do STF Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, destile seu ódio de classe, de forma irresponsável ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra - MST.
O movimento sindical e popular reunido em Belo Horizonte repudia a atitude do Ministro Gilmar Mendes, do Presidente do Senado José Sarney e da mídia conservadora a serviço do latifúndio e nos solidarizamos com a luta dos trabalhadores, pela Reforma Agrária e a defesa de sua legítimas organizações.

Belo Horizonte, 01 de março de 2009

Central dos Trabalhadores do Brasil
Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais
Sindicato dos Trabalhadores em Indústrias Gráficas
Sindicato dos Trabalhadores da ECT
Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de MG
Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Belo Horizonte
INTERSINDICAL MG
Fórum Social Mundial Minas Gerais
CONLUTAS
Unsp MG
Consulta Popular
Assembléia Popular
Marcha Mundial de Mulheres
Movimento dos Trabalhadores Desempregados
Movimento dos Atingidos por Barragens
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Partido Comunista Brasileiro
Partido Socialismo e Liberdade
Partido Democrático Trabalhista
Partido Comunista Revolucionário

quarta-feira, 4 de março de 2009

CAMPANHA SALARIAL PBH/2009: ORGANIZAR A CATEGORIA PARA ENFRENTAR ANTIGOS DESAFIOS


Iniciamos mais uma campanha salarial. Além do reajuste dos salários, diversas questões permanecem em nossa pauta de reivindicações como pendências: gestão democrática, tempo coletivo, política de saúde do/a trabalhador/a, os cursos de pós-graduação, a isonomia de tratamento e salarial entre professoras/es e educadoras/es infantis, autonomia de organização sindical. Surgem também novos problemas como a excedência de professores/as de disciplinas específicas na “antiga” 5a.série.
A Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (SMED) a cada dia adere a passos galopantes ao projeto “Todos pela Educação”, modelo empresarial para a escola pública brasileira. As propagandas governamentais continuam insistindo em mostrar algo novo no ar, mas já deu para perceber que tal novidade são antigas fórmulas, já testadas, algumas com sucesso, outras extremamente limitadas como a reprovação automática.
Mais uma vez, a SMED adota a política de não ver, não ouvir, não falar com os/as trabalhadores/as da educação municipal. Construir uma escola pública de qualidade sem a participação dos/as profissionais das escolas é uma antiga fórmula fadada ao fracasso.
Afinal, nos últimos trinta anos temos construído, cotidianamente, alternativas pedagógicas para garantir o direito de aprender das crianças, jovens e adultos da classe trabalhadora. Foram as experiências realizadas de forma transgressora nas escolas municipais que deram origem ao projeto Escola Plural. Obviamente, ao institucionalizar as experiências das distintas escolas, o governo fez opções que reduziu o leque de concepções. E os governos seguintes não tiveram a ousadia de realizar um debate profundo com a cidade para enfrentar os limites daquele projeto e construir uma proposta pedagógica comprometida com a classe trabalhadora da nossa cidade. Falou mais alto a economia dos gastos com a educação, inclusive com a redução de 5% do percentual da receita nesse setor.
Agora, diante de uma grave crise financeira do capitalismo, certamente ouviremos que haverá redução nos gastos públicos. Mas, para garantir “o bom funcionamento da máquina estatal” os gerentes já tiveram o seu quinhão. O prefeito ganha hoje R$633,00 por dia, e os/as secretários/as R$433,00. Este é o preço pago para que imponham a lógica do PSDB na administração pública municipal.
Nos últimos anos a PBH tem perseguido e tentado desarticular a nossa categoria. Respondemos com firmeza mantendo a sede e as funcionárias e funcionários da nossa entidade. A garra da categoria permitiu o acerto de todas as dívidas. Foi uma grandiosa demonstração de força, garra e coragem. Dissemos em alto e bom som que somos senhores e senhoras do nosso destino.
Por isso, nesta campanha salarial de 2009 precisamos rearticular a nossa força, garra e coragem para enfrentarmos a “nova velha política” em curso. Temos muitos desafios: reconstruir nosso tempo coletivo de trabalho e reflexão, além de publicizar os projetos pedagógicos que temos realizado em nossas escolas, e as pesquisas sobre o nosso trabalho na rede municipal.
Neste sentido, defendemos que nossa campanha salarial incorpore um grande movimento de divulgação dos trabalhos e pesquisas dos trabalhadores e trabalhadoras em educação. Vamos procurar jornais e revistas, impressos e eletrônicos, para divulgar a escola municipal e suas experiências de sucesso. Acreditamos que esta estratégia é fundamental para reconstruirmos a escola pública como um direito de todos e combatermos a visão neoliberal de que os serviços públicos são ineficientes e, portanto, devem receber menos recursos. Colocamos à disposição da categoria o nosso site para a divulgação de pesquisas e projetos realizados pelo coletivo e/ou pessoas das escolas municipais. Os projetos, textos e avaliações podem ser enviados para o e-mail coletivo.travessia@bol.com.br

segunda-feira, 2 de março de 2009

SOLIDARIEDADE AO MST

Com o agravamento da crise do capitalismo, a burguesia recrudesce em âmbito mundial o discurso repressivo, para justificar a criminalização de movimentos sociais, na tentativa de minar a resistência do proletariado frente à ofensiva contra direitos trabalhistas e sociais.

No Brasil, a burguesia escolheu o MST como inimigo principal, exatamente por suas qualidades enquanto movimento social combativo, por sua forma de se organizar e de lutar, inclusive para além dos marcos institucionais.

Já há algum tempo, todo o aparato de propaganda da imprensa burguesa e as instituições e agentes a seu serviço promovem uma campanha de satanização do MST, à qual se incorpora agora a cúpula nacional do judiciário e do legislativo. O objetivo agora é a criminalização de lideranças e a ilegalização do movimento.

As forças populares e democráticas, a intelectualidade progressista e os demais movimentos sociais não podem deixar neste momento de expressar sua mais firme e militante solidariedade ao MST e a todos os movimentos de luta pela terra e pela moradia.

CORRENTE SINDICAL UNIDADE CLASSISTA/INTERSINDICAL